Chás para controlar o diabetes

Patologias como o diabetes devem ser tratadas com acompanhamento fármaco, contudo, as alternativas naturais também podem auxiliar bastante no controle para que se tenha um estilo de vida mais agradável.

A etnobotânica afirma que existem inúmeras plantas com propriedades hipoglicemiantes que podem ajudar no tratamento de diabetes. (1) Alguns exemplos são: a flor de mamão, a pedra ume caá e o abajeru.

Xícara de chá de flores
Os chás para diabetes podem ajudar no tratamento, mas não substituem os medicamentos (Foto: depositphotos)

Chás caseiros para diabetes

Confira a seguir quatro receitas de chás que auxiliam no controle do diabetes:

Chá de flor de mamão

As flores do Carica papaya, popularmente conhecido como mamão macho apresentam componentes fitoquímicos com propriedades que agem contra a hiperglicemia e atuam na restauração dos tecidos pancreáticos, o que aumenta a produção insulínica e inibe a absorção intestinal da glicose. (2) Aprenda a fazer o chá com elas.

Ingredientes

  • 1 litro de água mineral 
  • 10 flores de mamão macho.

Modo de preparo

Leve a água ao fogo, desligue assim que levantar fervura, adicione as flores de mamão e deixe em infusão por cerca de 10 minutos. Pronto! Conserve na geladeira e consuma em até 24 horas. A bebida pode ser tomada ao longo do dia.

A indicação é beber sem adoçar, porém, segundo Maraisa Cavalcante, nutricionista com foco em emagrecimento e comportamento alimentar, você pode “substituir o açúcar por adoçantes naturais como Stevia e Xilitol”.

Chá de pedra ume caá

Ingredientes

  • 2 colheres (de sopa) das folhas de pedra ume caá
  • 1 litro de água mineral.

Modo de preparo

Ao levantar fervura na água, adicione as folhas de pedra ume caá e feche o recipiente para que fique em infusão por cerca de 10 minutos. Coe e beba até três xícaras por dia. 

As folhas da planta pedra ume caá, também chamada de cambuí, são populares no tratamento da diabetes. Na década de 1960, o herbalista brasileiro Osvaldo Cruz descobriu que a planta tem capacidade de atuar com grande eficácia no tratamento da diabetes, ganhando, inclusive, o apelido de insulina vegetal. (3) Isso ocorre porque a erva consegue baixar os níveis de açúcar no sangue de forma natural. 

Chá de pata de vaca

Ingredientes

  • 1 folha e meia de pata de vaca
  • 1 xícara (de chá) ou 15 ml de água mineral.

Modo de preparo

Ferva a água e adicione as folhas de pata de vaca picadas, tampando o recipiente para que fique em infusão por, pelo menos, 10 minutos. Coe e consuma logo em seguida. A indicação é de tomar essa bebida até três vezes ao dia, sendo a primeira pela manhã em jejum e as outras antecedendo as principais refeições (almoço e jantar).

O chá da planta pata de vaca atua no controle natural da diabetes por ter propriedades que aumentam a interação da insulina com as células, o que facilita com que a glicose degrade antes de circular no sangue por tempo demasiado. 

Chá de abajeru

Ingredientes

  • 1 litro de água mineral
  • 20 folhas de abajeru.

Modo de preparo

Adicione as folhas de abajeru à água que já deve ter levantado fervura e deixe infusionar por 15 minutos. Coe a bebida e conserve por até 24 horas. A indicação é beber até três xícaras por dia. 

O abajeru é uma planta com ação chamada de metabólica secundária que age como redutora de valores glicêmicos através de vários fatores, inclusive o aumento da liberação insulínica pela estimulação das células beta-pancreáticas. O chá de abajeru pode também contribuir para a melhor cicatrização de feridas. (4)

Atenção

Antes de fazer uso de qualquer um dos chás indicados, converse com seu médico! É importante que o profissional alinhe esses tratamentos ao seu caso, para que se construa um cardápio semanal adequado a você, e assim não haja risco de desequilíbrios glicêmicos.

A nutricionista Maraisa Cavalcante enfatiza que “o tratamento de um paciente com diabetes é sempre realizado através de medicamentos, porém sabemos que a alimentação em conjunto com a atividade física são pilares para um tratamento efetivo de pacientes com essa patologia”.

Mudanças na alimentação do diabético

Maraisa elencou algumas mudanças que precisam acontecer na alimentação de uma pessoa que vive com diabetes, são elas:

  • Realizar de 5 a 6 refeições diárias
  • Tomar bastante água
  • Evitar alimentos com elevado índice glicêmico: doces, balas, sorvete, pães com farinha de trigo, massas, bolos, etc
  • Consumir fibras encontradas na aveia, chia, linhaça, pão integral, arroz integral, feijão, grão-de-bico
  • Ingerir frutas com baixo índice glicêmico: kiwi, laranja, banana verde
  • Evitar o consumo de sucos, sempre preferir a fruta in natura
  • Incluir vegetais folhosos no almoço e jantar, como acelga, agrião, alface, brócolis, repolho, couve, espinafre.

O que é diabetes

O chamado Diabetes mellitus é uma doença comum considerada um dos principais problemas de saúde pública atual. Essa patologia envolve o pâncreas endócrino, sendo caracterizada por uma desarmonia dos mecanismos homeostáticos que têm como função vital manter os níveis de glicose no sangue em equilíbrio. (5)

Causas

Com o padrão de vida comum aos dias atuais – onde a dieta tem base em carboidratos refinados, alto teor de colesterol, gorduras saturadas e sal, e prevalece o sedentarismo – muitas doenças crônico-degenerativas, como a obesidade, hipertensão e diabetes, estão ganhando maior repercussão. 

Além do descuido com a saúde, o Relatório Nacional de Estatísticas de Diabetes reconhece que as causas vão além, podendo ser relacionadas a fatores como histórico familiar, etnia, idade avançada, homeostasia e até a transição nutricional. (6)

Tipos de diabetes

Tipo 1

O diabetes tipo 1 é o responsável pela destruição autoimune da célula beta-pancreática, responsável pela produção de insulina. Esse tipo geralmente é diagnosticado na infância e adolescência, embora possa ocorrer em qualquer idade.  Este tipo de diabetes requer terapia com insulina e outros tratamentos, mas há condições de viver de forma tranquila se o paciente associar os medicamentos a uma dieta equilibrada e exercícios físicos. (7)

Tipo 2

O tipo 2 é o mais comum do diabetes, atingindo principalmente adultos e idosos. É o tipo em que o corpo não faz o uso correto da insulina produzida, mas pode ser controlado com alimentação, exercícios físicos e em alguns casos, medicamentos. (7)

Diabetes gestacional

Não muito comum, o diabetes gestacional afeta mulheres que sofrem com a diminuição da tolerância à glicose durante o período gestacional. Essa condição pode permanecer ou não depois do parto e o seu tratamento deve ser feito em acompanhamento direto com o obstetra. (8)

*Texto feito com a colaboração de Maraisa Cavalcante Barreto (CRN – 14158 – BR), nutricionista com foco em emagrecimento e comportamento alimentar.

Referências
(1) NEGRI, G. Diabetes melito: plantas e princípios ativos naturais hipoglicemiantes. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, São Paulo, v. 41, n. 2, abr./jun., 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbcf/v41n2/28034.pdf. Acesso em 29 de Novembro de 2019.

(2) OGUNDELE, A., OTUN, K., AJIBOYE, A., OLANIPEKUN, B., IBRAHIM, R. Anti-Diabetic Efficacy and Phytochemical Screening of Methanolic Leaf Extract of Pawpaw (Carica papaya) Grown in North Central Nigeria. JOTCSA. 2017;4(1):99–114. Disponível em: https://dergipark.org.tr/tr/download/article-file/270215. Acesso em 23 de Novembro de 2019.

(3) OLIVEIRA, F., SAITO, M. Alguns vegetais brasileiros empregados no tratamento da diabetes. Rev. bras. farmacogn. vol.2-3-4.  São Paulo. 1989. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X1989000100013. Acesso em 23 de Novembro de 2019.

(4) AGUIAR, T. Caracterização química e física de folhas, frutos e sementes do bajuru (chrysobanalus icaco, l.) e avaliação do chá dessas folhas em camundongos (suiss) normais e diabéticos. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. 2010. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp133398.pdf. Acesso em 29 de Novembro de 2019.

(5) TIWARI, A. K. E RAO, J. M. Diabetes mellitus and multiple therapeutic approaches of phytochemicals: Present status and future prospects. Current Science, Bangalore, v. 83, n.1, p. 30-38, 2002. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/cdc2/5995e6980f30c75d6aec55441fd3612cee8a.pdf. Acesso em 29 de Novembro de 2019.

(6) CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. National Diabetes Statistics Report, 2017. Atlanta, GA: Centers for Disease Control and Prevention, U.S. Dept of Health and Human Services; 2017.

(7) ADA, American Diabetes Association. The path to understanding diabetes starts here. Disponível em: https://www.diabetes.org/diabetes. Acesso em 29 de Novembro de 2019.

(8) SBD, Sociedade Brasileira de Diabetes. Diabetes mellitus gestacional: diagnóstico, tratamento e acompanhamento pós-gestação. 2014-2015. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/pdf/diabetes-gestacional/001-Diretrizes-SBD-Diabetes-Gestacional-pg192.pdf. Acesso em 29 de Novembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista pela Universidade Federal da Paraíba. Trabalhou como redatora e editora para a iHaa Network; repórter e assessora de comunicação para órgãos públicos; repórter na Revista Nordeste; marketing e mídias digitais no Grupo Neyla Venâncio; e redatora freelancer. Atualmente é assessora parlamentar e, em paralelo ao ofício como jornalista, é professora de inglês e grande entusiasta da língua.