6 benefícios da cevada

Além de principal ingrediente da cerveja, a cevada crua é rica em propriedades medicinais para o corpo humano

Você conhece os benefícios da cevada? Este grão é famoso por ser ingrediente base da cerveja mas não é muito comum na alimentação brasileira, ainda que devesse. Vários estudos, de várias regiões do planeta, já comprovaram que a cevada faz bem para o organismo. 

Primeiramente, a cevada é um dos grãos/cereais mais cultivados no mundo. Seu nome científico é Hordeum vulgare, e é usado na alimentação humana, animal e principalmente para a produção de cervejas. Estima-se que a produção mundial de cevada seja de 170.000.000 toneladas/ano.

Os principais países produtores de cevada estão na Europa, Ásia e América do Norte, mas o Brasil também entra nesta lista. Através da cevada é possível produzir o malte, que é fundamental para a fabricação de cervejas e outros tipos de bebidas alcoólicas.

Entretanto, você deve estar pensando “como o ingrediente da cerveja pode fazer bem para o corpo se a própria cerveja não faz?”. É o que vamos te explicar abaixo!

Os principais benefícios da cevada

Apesar de ingrediente base da cerveja, a bebida alcoólica passa por vários processos químicos e biológicos, que nada tem a ver com a cevada crua. Sendo assim, você pode consumir a cevada tranquilamente, com a certeza de que está comendo algo natural e benéfico.

Grãos de cevada

O consumo da cevada beneficia órgãos como coração, cérebro e intestino (Foto: depositphotos)

Antes de mais nada, a cevada é rica em nutrientes e propriedades saudáveis para o organismo humano. Portanto, veja aqui quais são os 6 grandes benefícios da cevada para a saúde:

  1. É fonte de minerais e vitaminas
  2. Previne o câncer
  3. Reduz o colesterol
  4. Auxilia a flora intestinal
  5. Diminui o nível de açúcar no sangue
  6. Fortalece o sistema imunológico

Bastantes benefícios, não é? Vale ressaltar que estes que foram listados são os benefícios comprovados pela ciência até o momento. Claro que existem outras vantagens saudáveis, mas estas ainda estão sendo estudadas ou passando por testes.

Dessa forma, escolhemos estes que foram citados por já existem embasamento científico que os comprovam. Assim, certificamos de que todos estes são baseados em pesquisas e estudos originais e certificados. Abaixo, você aprenderá mais sobre cada um.

Sobre os benefícios

Agora você verá um pouco mais sobre cada um dos benefícios listados anteriormente. É aqui também onde você vai confirmar que todos esses benefícios são verdadeiros. Pois, as informações são baseadas em fontes científicas e pesquisas oficiais. Confira nossas referências científicas no fim do artigo!

É fonte de minerais e vitaminas

Em primeiro lugar, é importante citar que a cevada é um grão muito rico em nutrientes importantes para a boa saúde (1). Dessa forma, ao consumir cevada, estamos ingerindo um grande mix de minerais e vitaminas.

Ao consumir 100 gramas de cevada, nosso corpo obtém:

  • 54% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) de selênio
  • 52% da IDR de manganês
  • 31% da IDR de vitamina B3
  • 30% da IDR de fósforo
  • 25% da IDR de vitamina B1
  • 24% da IDR de magnésio
  • 21% da IDR de proteína vegetal

Veja também: Ingrediente da cerveja, a Cevada é saudável e nutritiva

Todos esses nutrientes atuam em benefício de vários órgãos e processos do nosso corpo, beneficiando principalmente órgãos como coração, cérebro e intestino. Além disso, estes são apenas os que mais se destacam. A cevada contém muitos outros nutrientes, mas em menos quantidade.

Previne o câncer

Da mesma forma como é uma grande fonte de nutrientes, a cevada também é conhecida por ser uma grande fonte de glúten. Ainda que muitas pessoas vejam o glúten como um vilão, estudos comprovam que essa substância é capaz de prevenir cânceres agressivos (2, 3).

Em suma, o glúten é visto como um vilão geralmente porque é associado a alimentos que contribuem para o ganho de peso, como pães e massas. Contudo, é importante lembrar que o glúten é uma propriedade natural e traz benefícios.

Uma vez que não seja consumido em alimentos ricos em outros ingredientes que fazem mal, o glúten pode ser consumido beneficamente através de grãos como a cevada.

Reduz o colesterol

Por outro lado, quem sofre com os altos níveis de colesterol pode resolver este problema através do consumo diário da cevada. Além do sabor, a cevada promove o benefício da redução do colesterol ruim (LDL) (4).

Segundo a medicina, os níveis de magnésio e outras propriedades presentes na cevada são capazes de auxiliar na inibição do colesterol ruim. Além disso, traz benefícios para a pressão arterial e circulação sanguínea.

Auxilia a flora intestinal

Outro benefício da cevada é a sua contribuição para a flora intestinal. Na verdade, este é um benefício comum dos grãos e sementes. Contudo, no caso da cevada, essa vantagem é potencializada graças a alguns elementos da sua composição.

Vários estudos comprovam que a cevada possui substâncias e propriedades medicinais capazes de estimular as bactérias intestinais benéficas. Dessa forma,  contribui para a maior absorção de nutrientes e melhora da flora intestinal no geral (5, 6, 7).

A cevada é uma grande fonte de fibras não digeríveis, chamadas de compostos prebióticos (8, 9). Eles são alimentos naturais para as bactérias intestinais benéficas responsáveis pelo bom funcionamento intestinal e produção de nutrientes e propriedades que fazem bem ao organismo.

Entre esses nutrientes estão presentes os ácidos graxos (acetato, butirato e propionato). De forma geral, são combustíveis para as nossas células e uma das principais fontes de energia para o nosso corpo, como a glicose e as proteínas, por exemplo.

Antes de tudo, as fibras são essenciais para o bom funcionamento do intestino e para a produção de fezes saudáveis. Sendo assim, além de fazer bem ao processo intestinal, comer cevada ajuda na melhora dos nutrientes do corpo. Surpreendente, não é?

Diminui o nível de açúcar no sangue

A cevada contém uma substância chamada beta-glucano em sua composição. Esta propriedade (além de ser fundamental para o benefício de diminuição do colesterol) é capaz de diminuir o nível de açúcar no organismo (10, 11).

Com isto, a cevada entra na lista de alimentos naturais benéficos para diabéticos. Contudo, é importante não exagerar, pois a cevada possui altas concentrações de outros nutrientes que podem prejudicar se foram consumidos compulsoriamente.

Outro benefício resultante destes estudos é que a cevada é capaz de prevenir a doença coronariana. Dessa forma, é de grande ajuda na manutenção da saúde cardíaca (12).

Fortalece o sistema imunológico

Por fim, mas não menos importante, a cevada é uma das maiores fontes de selênio na natureza. Esta substância fortalece o sistema imunológico, ajuda a regular as funções da tireoide e ainda é antioxidante (1).

Além disso, os prebióticos (citados anteriormente) também auxiliam na melhora das defesas do corpo. Elas também ajudam na digestão e reduzem a absorção de gorduras e açúcares no organismo.

Veja também: Lista com 10 carboidratos bons para sua dieta

Cevada contém glúten?

Sim, a cevada é um dos principais alimentos conhecidos por ser fonte rica de glúten, assim como o trigo. Contudo, é importante ressaltar que o glúten não é um vilão como muitos imaginam. Afinal, estudos já revelaram que esta substância previne o câncer e melhora a digestão (2).

O glúten é mal visto unicamente porque está presente em alimentos que contribuem para ganho de peso e alguns vilões da alimentação diária, como os pães e massas. Entretanto, consumir o glúten de grãos e cereais naturais faz bem para o corpo, desde que não haja exageros.

Copo de cerveja com cevada ao lado

Através da cevada é possível produzir o malte, que é fundamental para a fabricação de cervejas (Foto: depositphotos)

Onde comprar cevada?

A princípio, a cevada produzida no Brasil é quase totalmente voltada a produção de cervejas e outras bebidas. Mas é possível encontrar a cevada para consumo em supermercados e lojas de produtos naturais.

Caso não encontre na sua cidade ou região, é possível comprar cevada através de sites especializados em venda e distribuição de produtos naturais.

É importante, contudo, observar se a cevada disponível para a compra é de boa procedência e natural. Dessa forma, há a garantia de estar comprando um produto de qualidade, que só vai trazer benefícios.

Cuidados e contraindicações

Antes de mais nada, a cevada deve ser evitada por pessoas que possuem doença celíaca, doença em que o organismo é sensível ao glúten. Em suma, não deve ser consumida por pessoas alérgicas a glúten. Os sintomas, neste caso, são dores, cólicas, diarreia, fadiga e mal-estar.

De acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos (Fenacelbra), estima-se que 1% da população mundial sofra de doença celíaca (13). No Brasil, são 2 milhões de pessoas. Sendo assim, consumir glúten (cevada, trigo, etc) aumenta o risco de doenças cardíacas e obesidade em pacientes celíacos.

Veja também: Arroz tem glúten?

O cultivo de cevada no Brasil

O Brasil faz parte do time de países produtores de malte no mundo, sendo considerado o maior produtor na América do Sul por parte do comércio internacional. Afinal, o malte é um dos ingredientes básicos da cerveja, obtido através de processos biológicos e químicos feitos com a cevada.

A princípio, todo brasileiro sabe que são inúmeras as marcas de cerveja no Brasil. Assim, é possível ver a todo momento um comercial na TV, um outdoor, etc. Para manter a produção dessas bebidas, é preciso investir no cultivo e indústria da cevada/malte no país.

De acordo com Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes do Estado de São Paulo (14), a indústria brasileira produz 30% da demanda de malte. Por sua vez, utilizando a cevada cultivada aqui. Contudo, ainda consome o malte produzido por outros países.

Em suma, são mais de 300 mil toneladas de cevada produzida ao ano. Mas ainda é considerada uma indústria em crescimento. Entre os estados conhecidos pela produção do malte e cultivo da cevada estão São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Uma vez que a cultura da cevada nacional é basicamente toda voltada para a indústria cervejeira, pouco se usa o cereal na alimentação. Com isso, até é difícil encontrar a cevada para comprar. Por outro lado, o comércio da cevada para alimentação vem crescendo graças a demanda dos consumidores.

Referências científicas

Veja abaixo as referências científicas usadas na produção deste artigo. O Remédio Caseiro é um site comprometido com informações verdadeiras, conteúdo relevante e, claro, com a sua saúde. Sendo assim, fique sempre bem informado(a) em nosso site!

Referências

  1. SELF NUTRITION DATA. Barley Flour ou Meal. Disponível em: <https://nutritiondata.self.com/facts/cereal-grains-and-pasta/5787/2>. Acesso em 04/01/2019.
  2. CATASSI, C.; BEARZI, I.; HOLMES, G. K.; Association of celiac disease and intestinal lymphomas and other cancers. 2005. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15825131>. Acesso em 04/01/2019.
  3. CAPRILES, Vanessa Dias; ARÊAS, José Alfredo Gomes. Avanços na produção de pães sem glúten: aspectos tecnológicos e nutricionais. 2011. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/alimentos/article/view/22765>. Acesso 04/01/2019.
  4. EDEL, A. L.; et. al. Dietary flaxseed independently lowers circulating cholesterol and lowers it beyond the effects of cholesterol-lowering medications alone in patients with peripheral artery disease. 2015. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25694068>. Acesso em 04/01/2019..
  5. MITSOU, K.; et. al. Prebiotic potential of barley derived β-glucan at low intake levels: A randomised, double-blinded, placebo-controlled clinical study. 2010. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0963996910000384>. Acesso em 04/01/2019.
  6. DE ANGELIS, M.; et. al.. Effect of Whole-Grain Barley on the Human Fecal Microbiota and Metabolome. 2015. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26386056>. Acesso em 04/01/2019.
  7. ARENA, Matia P.; et. al.. Barley β-Glucans-Containing Food Enhances Probiotic Performances of Beneficial Bacteria. 2014. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3958897/>. Acesso em 04/01/2019.
  8. MACFARLANE, G. T.; STEED, H.; MACFARLANE, S.. Bacterial metabolism and health-related effects of galacto-oligosaccharides and other prebiotics. 2008. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18215222>. Acesso 04/01/2019.
  9. SLAVIN, J.. Fiber and prebiotics: mechanisms and health benefits. 2013. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23609775>. Acesso em 04/01/2019.
  10. BEHALL, K. M.; SCHOLFIELD, D. J.; HALLFRISCH, J.. Diets containing barley significantly reduce lipids in mildly hypercholesterolemic men and women. 2004. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15531664>. Acesso em 04/01/2019.
  11. BEHALL, K. M.; SCHOLFIELD, D. J.; HALLFRISCH, J.. Comparison of hormone and glucose responses of overweight women to barley and oats. 2005, Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15930484>. Acesso em 04/01/2019.
  12. ERKKILA, A. T.; HERRINGTON, D. M.; MOZAFFARIAN, D.; LICHTENSTEIN, A. H.. Cereal fiber and whole-grain intake are associated with reduced progression of coronary-artery atherosclerosis in postmenopausal women with coronary artery disease. 2005. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16084154>. Acesso em 04/01/2019.
  13. Federação Nacional das Associações de Celíacos (Fenacelbra). Instituição quer desmistificar a doença celíaca no Brasil. Disponível em: <http://www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/fenacelbra-lanca-a-campanha-reconhecer/>. Acesso em 04/01/2019.
  14. Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes do Estado de São Paulo-SP (DSMM/CATI). Cevada Cervejeira em São Paulo. Disponível em: <http://www.cati.sp.gov.br/Cati/_tecnologias/cereais/CEVADA_CERVEJEIRA.pdf>. Acesso em 04/01/2019.

Sobre o autor

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24 anos, é jornalista e produtor de conteúdo especializado. Atua com produção jornalística há 4 anos. Vencedor do prêmio de empreendedorismo digital “Academic Winner 2017”, promovido pela DeVry University na Califórnia, Estados Unidos. Tem no currículo trabalhos em emissoras de televisão, jornal impresso, revistas e internet. É pernambucano e tem como hobbies escrever, jogar videogames, cinema e estudos sociais.