Pitaya: conheça os benefícios e como comer essa fruta exótica

Por fora escamosa e exótica, por dentro macia e doce. Essas são características da pitaya, mundialmente conhecida como fruta do dragão. Ainda pouco apreciado pelos brasileiros, esse alimento possui uma composição rica em água e nutrientes importantes para a saúde humana.

De acordo com a nutricionista da Oba Hortifruti, Renata Guirau, esse fruto fortalece o sistema imunológico, devido às vitaminas e ao zinco. Além disso, esse mineral também age como um antioxidante.

Pitaya inteira e ao meio

Além de controlar a diabetes, a fruta dragão combate as doenças cardiovasculares (Foto: depositphotos)

Mas afinal, como conseguir aproveitar esses e outros benefícios da pitaya? Simples: basta consumir a fruta diariamente, seja in natura ou elaborando receitas caseiras e saudáveis com ela, como sorvetes e picolés.

Confira a seguir quais são os tipos desse fruto, como usá-lo na cozinha e se ele emagrece. Aproveite ainda para saber outras informações sobre o consumo, a exemplo das possíveis contraindicações.

Quais os benefícios da fruta pitaya?

Previne doenças cardiovasculares

A pitaya é considerada fonte de antioxidantes, como os flavonoides. Essas substâncias são aliadas do organismo na luta contra os radicais livres, moléculas instáveis que, em excesso, podem causar danos ao corpo, fazendo surgir doenças degenerativas.

Entre os problemas causados por eles estão as doenças cardiovasculares, como lesão isquêmica, arteriosclerose, hipertensão, cardiomiopatias, doenças cardíacas congênitas e acidente vascular cerebral. (1)

Protege a pele

Além de prevenir doenças crônicas, os antioxidantes também podem “prevenir danos que causam o envelhecimento precoce da pele”, alerta Renata Guirau. Isso porque a fruta do dragão é rica em vitamina C, nutriente importante na síntese do colágeno, protegendo e fortalecendo a pele. (2)

Melhora o funcionamento do intestino

“Também encontramos uma grande quantidade de fibras e água, que ajuda na saciedade e no bom funcionamento no intestino”, conta a especialista em Nutrição Clínica e Esportiva.

Esses compostos nutricionais reduzem o risco de doenças que se manifestam no intestino grosso e evitam a constipação, popularmente chamada de prisão de ventre. Segundo a recomendação da Organização Mundial da Saúde, a ingestão de fibras deve ser de 25 gramas por dia. E em apenas 100 gramas do fruto in natura há  aproximadamente 11 gramas do recomendado. (3,4)

Auxilia no tratamento de diabetes

As fibras também contribuem com o controle do diabetes, uma vez que elas transformam os carboidratos complexos mais lentamente. Com isso, a absorção do açúcar desacelera e os níveis de glicose no sangue diminuem. (3)

No entanto, a pitaya ainda consegue reduzir outras taxas em diabéticos do tipo 2. Em um estudo feito na China, os pesquisadores afirmaram que o consumo dessa fruta diminui os níveis de colesterol total, triglicerídeo e o colesterol ruim (LDL), enquanto aumenta os níveis de colesterol bom (HDL). (5)

Melhora a saúde da grávida e do bebê

Entre as propriedades medicinais da fruta do dragão está a vitamina A. (6) Nutriente essencial para a saúde da grávida e, principalmente, do bebê.

Essa relação ocorre pois a vitamina é imprescindível no crescimento e desenvolvimento embrionário. Sob a forma de ácido retinoico, a substância está presente no desenvolvimento da espinha dorsal, do esqueleto vertebral e dos aparelhos cardíaco, visual e auditivo. (7)

Pitaya emagrece?

“As pitayas são ótimas frutas para processos de emagrecimento por apresentarem baixo valor calórico e grande quantidade de fibras e antioxidantes, que dão saciedade
e ajudam a regular o metabolismo“, explica a nutricionista, Renata Guirau.

Os alimentos ricos em fibras demandam uma mastigação maior que a normal, por isso após as refeições é comum se sentir satisfeito, mesmo comendo menos. Além desse fruto, tais compostos nutricionais podem ser encontrados em grandes quantidades na linhaça, gergelim, ervilha em vagem, pão integral etc.

Mas claro, nenhum alimento, por mais natural e saudável que seja, é capaz de promover o emagrecimento sozinho. Portanto, se a intenção é perder peso, é importante aliar atividades físicas com uma alimentação equilibrada.

Como se come essa fruta exótica?

Segundo a nutricionista, o consumo dessa fruta por dia vai variar entre os indivíduos. “Podemos pensar em uma porção de pitaya como ½ fruta. Ela pode ser consumida diariamente, em maior ou menor quantidade, dependendo da alimentação como um todo da pessoa”, esclarece.

Sorvete de pitaya

Renata recomenda ainda uma receita de sorvete com a polpa da fruta e banana congeladas, além de um pouco de creme de leite. Basta bater tudo no liquidificador e servir.

Suco

Para fazer o suco, a nutricionista recomenda bater no liquidificador a polpa com o mínimo de água possível.

Picolé

“O mesmo vale para fazer picolés caseiros (basta bater a polpa e colocar em forminhas de picolé). Também é possível combinar pitaya com outras frutas, como kiwi, morango, frutas vermelhas, banana, etc”, indica a especialista.

Tipos de pitaya

De acordo com a nutricionista Renata Guirau, há três tipos:

  • Pitaya branca: com a casca rosada e a polpa branca
  • Pitaya rosa: com a casca e a polpa rosa
  • Pitaya amarela: com a casca rosa e polpa branca (mais difícil de encontrar no Brasil).

“As diferenças nutricionais se resumem ao tipo de antioxidante presente na polpa, sendo que a polpa branca contém grande quantidade de flavonoides e a polpa rosa, grande quantidade de antocianinas. Ambos são importantes compostos funcionais, com ação antioxidante e anti-inflamatória, atuando na prevenção de doenças ao longo da vida”, explica.

Outras informações sobre a fruta do dragão

O nome científico desse fruto é Hylocereus undatus e ele só começou a ser cultivado no Brasil em escala comercial na década de 1990. A sua polpa é repleta de sementes e o gosto é muito comparado ao do kiwi, levemente doce e suculento. (8)

Mas, mesmo sendo tão benéfica e saborosa, possui um preço elevado. Enquanto a nacional é adquirida ao valor de até R$ 60 o quilo, a importada pode chegar a R$ 100 nessa mesma quantidade.

Contraindicação

Apesar de exótica, não possui contraindicações preocupantes. “Apenas em caso de alergia, o que é muito raro no caso da maioria das frutas”, comenta Renata. Além disso, a casca da fruta do dragão não deve ser consumida, pois a digestão pode ser muito difícil.

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista da Oba Hortifruti, Renata Guirau, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva (CRN 35487).

Referências

(1) GREGORIS, Elena; et al. “Antioxidant Properties of Brazilian Tropical Fruits by Correlation between Different Assays“. BioMed Research International, 2013. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3782762/. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

(2) Revista Aditivos & Ingredientes. “As propriedades funcionais da vitamina C“. Disponível em: https://funcionaisnutraceuticos.com.br/upload_arquivos/201607/2016070134434001469726704.pdf. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

(3) Unimed. “Cartilha – Fibras alimentares“. Disponível em: http://www.unimed.coop.br/portalunimed/cartilhas/fibras/pdf/cartilha.pdf. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

(4) CORDEIRO, Maria Helena Menezes; et al. “Caracterização física, química e nutricional da pitaia-rosa de polpa vermelha“. Revista Brasileira de Fruticultura, 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-29452015000100020&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

(5) SONG, Haizhao; et al. “White Pitaya (Hylocereus undatus) Juice Attenuates Insulin Resistance and Hepatic Steatosis in Diet-Induced Obese Mice“. PLoS One, 2016. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4767368/#pone.0149670.ref014. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

(6) Horto Botânico. “Hylocereus undatus“. Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Disponível em: http://museunacional.ufrj.br/hortobotanico/Ep%C3%ADfitas/Hylocereus.html. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

(7) RAMALHO, Andréa. “Funções plenamente reconhecidas de nutrientes – Vitamina A“. International Life Sciences Institute, 2010. Disponível em: https://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2016/05/12-Vitamina-A.pdf. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

(8) SILVA, Maria José Silveira da; et al. “Pitaya: cactácea com características exóticas“. Congresso Nacional de Pesquisa e Ensino em Ciências, 2016. Disponível em: https://editorarealize.com.br/revistas/conapesc/trabalhos/TRABALHO_EV058_MD4_SA97_ID1408_12052016215551.pdf. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.