Os benefícios do chá de Artemísia

Dentre tantas propriedades cabe destacar que essa planta é anti-inflamatória, antisséptica e anti-hipertensiva

Você já ouviu falar em chá de artemísia? Nesse artigo do Remédio Caseiro você vai conhecer todos os benefícios dessa planta medicinal, aprender como preparar o chá e descobrir quais são as contraindicações dessa bebida.

Com ação terapêutica conhecida desde a Idade Média, a artemísia se popularizou como remédio caseiro para prevenir enxaquecas e controlar dores de cabeça crônicas. Mas poucas pessoas sabem todos os benefícios que essa planta pode nos trazer.

Geralmente consumida em forma de chá, a planta que pertence à mesma família da camomila e do girassol, é uma ótima pedida para o controle das cólicas abdominais e uterinas. Além disso, há estudos que atestam seu potencial anti-inflamatório na cura da artrite. Sendo assim, vamos conhecer melhor essa planta!

Para que serve o chá de artemísia?

O chá de artemísia é usado há milênios e por diversas culturas diferentes, tanto na medicina quanto na culinária. Dessa maneira, ela é o principal componente do absinto e outros licores alcoólicos.

Além disso, a infusão possui efeito antimalária, por isso diversos estudos estão sendo feitos para avaliar o potencial econômico da produção em larga escala da erva. (1)

Chá de artemisia

Essa infusão contribui com o alívio de dores, pois é anti-inflamatória (Foto: depositphotos)

A infusão com as folhas da artemísia também serve para tratar parasitas intestinais, gases e como estimulante do apetite para pessoas que sofrem com anorexia. Além disso, a bebida de sabor amargo é um potente tônico digestivo e estimula a produção de bile.

Outro efeito da artemísia é o de aliviar as dores causadas por doenças reumáticas. Mas também é uma planta anti-inflamatória, antisséptica e anti-hipertensiva. A infusão feita com as flores da erva é usada como um calmante leve e como broncodilatador, bastante eficaz no tratamento da asma. (2)

A decocção das folhas é um antioxidante natural, que reduz a ação dos radicais livres devido aos flavonoides. Dessa maneira, previne o avanço de doenças causadas pela oxidação das células. (3)

Outro efeito presente no chá de artemísia é de proteção do fígado, reduzindo o inchaço e a isquemia causada por lesões na região. (4) Principalmente por conta do efeito antibacteriano presente no óleo essencial, que é o principal componente das folhas. (5)

O extrato das folhas em álcool foi um eficaz inseticida no combate ao gorgulho do arroz, aumentando a mortalidade desse tipo de praga bastante comum. (6)

Além disso, o chá de artemísia se mostrou eficaz no tratamento da leucemia aguda. Servindo para reduzir a proliferação das células cancerígenas e estimular o apetite em pacientes de tratamentos convencionais. (7)

Por fim, mas não menos importante, essa bebida pode ser anticonvulsivante e sedativa, quando ingerida em quantidades corretas, devido aos componentes do óleo essencial. (8)

Veja mais exemplos dos benefícios do chá de Artemísia para saúde

  • Combater náuseas, gases, azia, indigestão e diarreia
  • No controle da asma
  • Ajuda em problemas renais e anemia
  • Previne o câncer de mama
  • Combate os sintomas da TPM.

Propriedades da Artemísia

  • Anti-inflamatória
  • Anti-anêmica
  • Analgésica
  • Anti-epilética
  • Antimalárica
  • Depurativa
  • Cicatrizante
  • Digestiva
  • Estimulante
  • Repelente
  • Tônica.

A artemísia serve para controlar o ciclo menstrual?

O chá de artemísia é usado popularmente em várias culturas como um regulador do ciclo menstrual, além de proporcionar o alívio da cólica e sintomas típicos da TPM. Dessa maneira, a infusão de artemísia possui o efeito de diminuir sangramento em excesso, as dores e os inchaços presentes antes e durante o período menstrual.

Além disso, ele atua contra a fadiga extrema, falta de apetite, irritação, sintomas de depressão, insônia e ansiedade. Sendo que todos esses sintomas podem estar presentes na Tensão Pré-Menstrual. (9)

Durante o ciclo menstrual é comum que muitas mulheres sofram com as cólicas menstruais, que são causadas pelos espasmos do útero. Porém, essa situação pode ser aliviada com o chá de artemísia graças ao seu efeito analgésico e antiespasmódico. (8)

Outro fato é que a bebida possui componentes estrogênicos. Isso significa dizer que ela estimula a produção do estrogênio, que é um hormônio sexual produzido pelos ovários, mas que é interrompido durante a menopausa. (10)

Dessa maneira, o chá de artemísia pode ser usado para aliviar os principais sintomas das mulheres que estejam entrando no período da menopausa. Desde que seja consumido da maneira correta.

Ele tem efeito abortivo?

Sim, é preciso ficar atento ao fato de que o chá de artemísia apresenta efeitos abortivos, principalmente se tomado no início da gravidez. Isso porque, ele é tóxico para o embrião que está se formando.

Por esse motivo, a infusão é bastante usada como uma bebida abortiva tradicional. No entanto, esse efeito só é visto nos casos em que há um grande consumo desse chá. Mas caso não provoque o aborto, a artemísia pode acarretar em má-formação do feto. Esse evento ocorre porque os efeitos embriotóxicos costumam ser mais visíveis na fase de formação dos órgãos internos, que é chamada de organogênese. (11)

Mas afinal, o que é artemísia?

Agora que você já conhece os benefícios e propriedades dessa planta, chegou a hora de conhecer um pouco mais sobre ela. Para quem não sabe, a artemísia é o nome dado às plantas que pertencem ao gênero artemisia, que conta com mais de 100 espécies distribuídas por todo o mundo. Todas as plantas desse gênero pertencem à família Asteraceae e a maioria delas é usada na medicina popular. (1)

No Brasil, as plantas do gênero são conhecidas por vários nomes, como por exemplo absinto, por causa do seu sabor amargo. Losna e erva-de-são-joão são outras nomenclaturas comuns da planta.

Entre as principais características da artemísia estão as folhas aromáticas e o caule rizomatoso. Isso significa dizer que ele cresce horizontalmente, mas que também apresenta algumas porções áreas. (12)

Folhas da planta artemísia

No Brasil, a artemísia também é chamada de losna ou erva-de-são-joão (Foto: depositphotos)

As plantas do gênero artemísia costumam ser perenes, por isso têm uma vida longa e podem chegar até 2 metros de altura. As folhas medem entre 5 e 10 centímetros de comprimento, em um tom de verde escuro na parte superior. A parte inferior das folhas geralmente apresentam pequenos pelos brancos.

As plantas costumam abrir suas flores durante o verão. Mas elas geralmente são em tons de amarelo e vermelho e são bastante aromáticas. (2) Durante milênios, a artemísia foi usada como uma potente erva medicinal, principalmente devido o seu efeito analgésico e antibactericida.

A espécie mais encontrada no Brasil é a conhecida como artemisia vulgaris, que seria originária da China e muito utilizada no país nas técnicas de acupuntura térmica. (2)

Quais são os principais tipos?

Como já foi mencionado, existem aproximadamente 100 tipos de artemísia. Apesar disso, a maior parte está distribuída em regiões de clima temperado e subtropical, como por exemplo Europa, África, Ásia e América do Norte.

No entanto, elas também conseguiram se adaptar bem ao clima da América do Sul e podem ser encontradas do Brasil até a região dos Andes. Mas antes de mais nada, é preciso saber que todos os três principais tipos são usados em decocções e infusões, aplicadas no tratamento de diversas doenças. Portanto, são importantes ervas medicinais.

Os tipos mais usados de artemísia são a vulgaris, que é mais popular em algumas partes da Europa, do continente asiático e da América do Sul; a dracunculus, que é geralmente usada como erva aromática e para dar sabor na preparação de alimentos e de licores; e, por fim, existe a chamada de artemisia annua.

Essa última também é bastante distribuída em todo o mundo e é usada com frequência na indústria de cosméticos, principalmente na fabricação de perfumes. Além disso, ela possui componentes que agem inibindo a proliferação de alguns tipos de bactérias e dos protozoários que causam a malária. (1)

Onde comprar?

Ficou interessado em adquirir a erva? Então você pode encontrá-la em lojas de produtos naturais, tanto online como em departamentos físicos. Além disso, você pode tê-la em casa mesmo, uma vez que a planta não é exigente e pode ser cultivada em diversos tipos de clima.

Apesar disso, todos os tipos dessa erva devem ser plantadas em solo rico em matéria orgânica e com rega frequente, sempre em um local que tenha o acesso direto aos raios do sol. As plantas costumam florescer durante os meses de primavera e verão, mas as flores acabam morrendo durante o inverno.

O ideal é que ela seja cultivada sozinha, pois é considerada uma erva daninha e irá competir por nutrientes com outras plantas que estiverem por perto. As folhas podem ser colhidas em qualquer momento e usadas frescas ou secas. (13)

Como consumir Artemísia?

O chá de artemísia possui um sabor amargo, característico da erva. No entanto, o ideal é que ele não seja adoçado antes de beber, pois isso pode interferir nas propriedades medicinais. Acompanhe agora como fazer o chá dessa planta dependendo do tipo de tratamento que se deseja alcançar!

Para melhor digestão

Colocar no fogo um litro de água e uma colher (de sopa) de artemísia. Depois deixe levantar fervura, desligue o fogo e abafe por 10 minutos. Após coar, tome uma xícara três vezes ao dia.

Para cólicas menstruais

Infusão de uma colher (de chá) de folhas em uma xícara (de chá) de água quente. Cubra e deixe macerar por 5 minutos. Coe e tome de duas a três xícaras ao dia.

Para acalmar e evitar espasmos

Fazer decocção de uma colher (de sopa) das raízes em meio litro de água. Ferva durante 15 minutos. Depois de coar, tome meia xícara quatro vezes ao dia.

Como repelente

A planta também serve como repelente de traças, para isso basta colocar raminhos secos nos armários e estantes. Quando extraídos os componentes em álcool, a erva se torna um ótimo inseticida contra os gorgulhos do arroz, praga bastante comum e que pode aparecer nas despensas. (6)

Precauções e contraindicações

Mulheres grávidas ou amamentando não devem consumir artemísia. Também não é recomendado ingerir crua e seu uso deve ser moderado. E apesar de benéfica, é conveniente consultar um especialista antes de iniciar qualquer tratamento à base de artemísia.

Uma informação importante é que essa planta pode ser usada por crianças, desde que não seja consumida em excesso e nem com grande frequência. Outro cuidado necessário é que em grandes quantidades a artemísia pode ser tóxica e causar reações alérgicas e até mesmo infertilidade. (11)

Referências

(1) HARDMAN, Roland. “Artemisia“. Medicinal and Aromatic Plants ndustrial Profiles, Taylor Francis, 2002. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/367889640/ARTEMISIA-Colin-W-Wright-pdf. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(2) MELO, Sónia Raquel Ferreira de. “Determinação in vitro da atividade antibacteriana de artemísia vulgaris, coptis chinensis e scutellaria barbata: comparação entre infusão, decocção e óleo essencial“. Universidade do Porto, 2014. Disponível em: https://sigarra.up.pt/faup/en/pub_geral.pub_view?pi_pub_base_id=33840. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(3) TEMRAZ, A.; El-TANTAWY, WH. “Characterization of antioxidant activity of extract from Artemisia vulgaris“. Pub Med, 2008. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18930849. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(4) GILANI, AH.; YAEESH, S.; JAMAL, Q.; GHAYUR, MN. “Hepatoprotective activity of aqueous-methanol extract of Artemisia vulgaris“. Pub Med, 2005. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15852491. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(5) JUTEAU, F.; et al. “Antibacterial and antioxidant activities of Artemisia annua essential oil“. Pub Med, 2002. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12385883. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(6) VITORINO, Wagner Vieira. “Efeito de extratos de Artemisia absinthium L. na mortalidade de Sitophilus oryzae (L.) (Coleoptera: Curculionidae)“. Revita Eletrônica Técnico-Científica do IFSC, Instituto Federal Santa Catarina, 2012. Disponível em: http://periodicos.ifsc.edu.br/index.php/rtc/article/view/528. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(7) FERREIRA, Marília Locatelli Corrêa. “Polissacarídeos solúveis de folhas de Artemisia Absinthium e Artemisia Vulgaris : isolamento, caracterização e efeitos sobre células THP-1“. Repositório Digital Institucional da UFPR, Universidade Federal do Paraná, 2012. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/27316. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(8) MOHAMMAD, Sayyah; NADJAFNIA, Leila; MOHAMMAD, Kamalinejad. “Anticonvulsant activity and chemical composition of Artemisia dracunculus L. essential oil“. Journal of Ethnopharmacology, 2004. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378874104002880#!. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(9) ADAMS, James David; GARCIA, Cecilia; GARG, Garima. “Mugwort (Artemisia vulgaris, Artemisia douglasiana, Artemisia argyi) in the Treatment of Menopause,  Premenstrual Syndrome, Dysmenorrhea and Attention Deficit Hyperactivity Disorder“. University of Southern California, School of Pharmacy, Los Angeles-USA, 2012. Disponível em: https://bit.ly/2HuXsaE. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(10) SOUZA, Maria N.C.V.; et al. “Plantas medicinais abortivas utilizadas por mulheres de UBS: etnofarmacologia e análises cromatográficas por CCD e CLAE“. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-05722013000500018&script=sci_arttext&tlng=es. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(11) RODRIGUES, H.G.; et al. “Efeito embriotóxico, teratogênico e abortivo de plantas medicinais“. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722011000300016. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(12) OLIVEIRA, Cynthia. “Características biométricas, anatômicas e fisiológicas de Artemisia vulgaris L. cultivada sob telas coloridas“. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2009. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/273942999_Caracteristicas_biometricas_anatomicas_e_fisiologicas_de_Artemisia_vulgaris_L_cultivada_sob_telas_coloridas. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

(13) BARNEY, J. N.; DITOMMASO, A. “The biology of Canadian weeds. 118. Artemisia vulgaris L.“. Canadian Science Publishing, 2003. Disponível em: https://www.nrcresearchpress.com/doi/abs/10.4141/P01-098#.XImEyMlKiUm. Acesso em 3 de dezembro de 2019.

Sobre o autor

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Jornalista (Mtb-PE: 6770) com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio. Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.