Losna: para que serve a planta e seu chá

O chá de losna é um grande conhecido da medicina natural, sendo amplamente usado por seus benefícios para a digestão, por combater vermes e desintoxicar o fígado.

O nome científico da losna é Artemisia absinthium L., mas popularmente é chamada de absinto, erva-do-fel e sintro.

Ela é nativa da Europa mas ganhou notoriedade, e passou a ser difundida em todo o mundo, após a criação do licor de absinto (ou “fada verde”, devido a cor verde-esmeralda da bebida), muito apreciado na Belle Époque por poetas e artistas como Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Baudelaire, Picasso e outros.

Conheça as vantagens de se consumir essa erva para a saúde do organismo. Veja como preparar seu chá e os cuidados necessários. Acompanhe a seguir!

Quais os benefícios da losna?

A secretaria de saúde da prefeitura de Londrina, no Paraná, fez um apanhado sobre a losna e comprovou que suas principais propriedades são digestiva, carminativa (evita a formação de gases intestinais), tônica hepática (estimula as funções do fígado), vermífuga, entre outras. (1)

Melhora a digestão

Uma das principais atuações do chá de losna no corpo é contra a má digestão. Por ser um poderoso digestivo (2), a erva estimula a salivação e a produção de sucos gástricos melhorando a digestão e evitando a sensação de estufamento e barriga pesada.

A betaína, composto presente na estrutura da losna, age como citoprotetor da mucosa gástrica. Dessa forma, preserva as células normais, ou sadias, do estômago de efeitos tóxicos ou danosos.

Uma outra função dela é como orexígena, ou seja, consegue estimular o apetite, sendo muito aconselhada para casos de anorexia e anemia.

Protege o fígado

A losna é hepatoprotetora. (1) Usada corretamente e sem excessos, sua infusão pode aumentar a secreção biliar, favorecendo o funcionamento do fígado. Isso se reflete na purificação do sangue, retirando das células, e de seus líquidos, resíduos e toxinas.

A degradação da hemoglobina, proteína presente nos glóbulos vermelhos do sangue, acarreta no acúmulo de bilirrubina. Esse composto em alta concentração é o principal causador da icterícia, que deixa a pele amarelada e um indicativo de que a saúde do fígado não está bem. O chá de losna possibilita esse controle.

O consumo dessa bebida também tem ação lipotrópica, reduzindo os depósitos de gordura no fígado.

Combate vermes

O chá da Artemisia absinthium L. é eficaz contra muitos parasitas. (2). Esse vermífugo consegue eliminar do organismo a Ascaris lumbricoides Ascaridíase, ou como popularmente é conhecida, “lombriga“. A bebida também extermina o oxiúros, a ancilostomose, o bicho-geográfico e a filariose. Os princípios amargos da losna, a artemisina e a santonina, são os responsáveis por esse efeito.

Além disso, o mirceno presente na losna, combate bactérias como a E. coli, Bacillus subtilis e Staphylococcus aureus. Sendo também um importante antibacteriano.

Chá de losna

De acordo com a Fundação Osvaldo Filho (Fiocruz), jamais se deve fazer uso do suco ou sumo da losna, pois é altamente tóxico ao natural. A infusão elimina parte desse efeito. Para fazer o chá , as partes utilizadas da planta são folhas e flores.

 

Xícara com chá de losna

A forma segura de se consumir a losna é como chá, pois abranda suas toxinas (Foto: depositphotos)

Ingredientes

  • 20 gramas de losna
  • 1 litro de água.

Modo de preparo

Ferva a água, desligue o fogo e acrescente a losna. Deixe repousar por 15 minutos com o recipiente tampado. Tome 2 xícaras por dia, antes ou após as refeições. Como estimulante do apetite, usar de 5 a 15 gramas de losna para cada litro de água e consumir sempre 30 minutos antes das refeições. Independente do tratamento, não se deve tomar mais de duas xícaras dessa bebida por dia.

Para usar como repelente de insetos, mergulhe losna, arruda e alho em água quente por 30 minutos, deixe esfriar e coe. Borrife nas plantas.

Contraindicações e efeitos colaterais

A tujona é um componente tóxico presente na losna. Em excesso no organismo pode provocar excitação, tremores e convulsões. Seu uso prolongado pode causar danos neurológicos irreversíveis.

O uso interno da losna é desaconselhado especialmente em gestantes, mães que amamentam e pacientes com irritação gastro-intestinal. A essência da erva aumenta a irrigação dos órgãos sexuais femininos tornando-se ocitócico, ou seja, faz acelerar o parto estimulando o útero. Nesse caso, pode ser abortivo. (1)

No uso interno prolongado, seus efeitos colaterais vão de dor de cabeça, dor no estômago, perda da consciência, convulsões e morte. Ele também é alucinógeno, a santonina presente na planta seria a responsável por essa reação.

Características da losna

A losna é uma planta herbácea que alcança até 1,20 metros de altura. Produz folhas cobertas com finos pelos que dão uma tonalidade acinzentada. Suas flores são
amarelas claras, miúdas e reunidas em pequenos cachos. Todas as partes da planta possuem sabor muito amargo e forte aroma.

Ramos de losna

A losna é a matéria prima do licor de absinto (Foto: depositphotos)

Os óleos dessa planta são aplicados para aromatizar muitas bebidas alcoólicas, diferentes licores, aperitivos, vinhos e vermutes. Além disso, é o componente principal na fabricação de aguardente amarga, o absinto. (2)

Curiosidade

A losna destilada fornece uma essência volátil que é a base para o licor de absinto. Por atuar intensamente no sistema nervoso, essa bebida alcoólica hoje é proibida em vários países.

Como plantar

A planta é facilmente propagada por divisão ou corte de raízes no outono ou por sementes na primavera, em ambos os casos devendo ser plantada em lugar sombreado e de terra argilosa.

Referências

(1) LOSNA – Artemisia absinthium, Prefeitura Municipal de Londrina – PR. Disponível em: http://www1.londrina.pr.gov.br/dados/images/stories/Storage/sec_saude/fitoterapia/publicacoes/losna2.pdf . Acesso em: 26 de setembro de 2019.

(2) JUDZENTIENE, Asta. Essential Oils in Food Preservation, Flavor and Safety, 2016, Pag. 849-856. Acesso em: 26 de setembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

Lívia Mota
Jornalista (DRT-PE: 4909), possui especialização em marketing e acumula experiência de mais de 10 anos no ramo da comunicação. Seu currículo reúne conhecimento nas áreas de produção e monitoramento de conteúdo para web, em comunicação empresarial interna e externa e na prestação de assessoria. Trabalhou no jornalismo impresso e digital com repórter, tendo passado pelas editorias de política, economia, cultura, polícia e cidades. Atualmente é editora da empresa iHaa Network, conglomerado de sites no qual o Remédio Caseiro faz parte.