Grávida pode tomar chimarrão?

Será que grávida pode tomar chimarrão ou tererê? Será que as gestantes podem aproveitar os benefícios do gengibre, anis ou hortelã (menta)? Essas e outras dúvidas são comuns quando se trata do uso das plantas medicinais no período gestacional.

A verdade é que esse espaço de tempo na vida da mulher é cercado por incertezas e mitos. Inclusive, muitos desses questionamentos podem acabar atrapalhando a vida da grávida e o desenvolvimento do feto.

Por essa razão, é importante conhecer as propriedades das plantas antes de utilizá-las como tratamentos naturais. Assim, é possível saber o que se deve evitar na gravidez e quais são os chás que as gestantes podem tomar nesse período.

E para ajudar nesse processo de conhecimento, convidamos a nutricionista Janiele da Silva Rodrigues. Com o auxílio dessa especialista, vamos descobrir se há benefícios do chimarrão na gravidez e se outras ervas podem ser usadas durante a gestação.

Grávida pode tomar chimarrão? Nutricionista responde

De acordo com a especialista em nutrição, tanto o chimarrão como o tererê devem ser evitados durante a gestação. Isso porque, a erva-mate, planta que dá origem à essas bebidas, possui em sua composição cafeína e flavonoides.

Chimarrão

Devido à presença de cafeína, o chimarrão deve ser vetado durante a gestação (Foto: depositphotos)

“Seu consumo em excesso pode causar o estreitamento/fechamento do canal arterial do bebê, além de causar alterações fetais”, alerta Janiele Rodrigues.

Para quem ainda não sabe, a cafeína é um alcaloide que atua como estimulante do sistema nervoso. Essa substância está presente em diversas bebidas e comidas comuns do dia a dia, inclusive na erva-mate.

Além disso, diversos estudos sugerem uma interação negativa entre esse alcaloide e a gestação. “[…] redução do crescimento fetal, prematuridade, restrição de
crescimento intra-uterino, baixo peso ao nascer, aborto espontâneo e malformações” são alguns malefícios dessa substância na gravidez. (1)

Por tudo isso, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, aconselhou as futuras mamães a evitarem o consumo de bebidas com essa substância. Segundo o órgão, a ingestão diária de cafeína não deve ultrapassar os 200 mg. (1)

Mas existem outras razões que levam à proibição do chá mate na gestação. Por exemplo, segundo especialistas, essa bebida pode dificultar o aproveitamento de alguns nutrientes essenciais nesse período da vida da mulher.

Outro problema é a relação que esse líquido possui com o surgimento e agravamento das cólicas em bebês. Nesse caso, a ligação ocorre pois substâncias presentes no chimarrão podem ser encaminhadas às crianças através do leite materno, depois que a mãe consome essa bebida. (2)

Por essa razão, nem as grávidas e nem as lactantes devem fazer uso da erva-mate, seja em forma de chimarrão ou tererê.

Chimarrão com gengibre

Como já visto, o chimarrão está proibido durante a gestação, por isso sua combinação com o gengibre também se torna inviável para as futuras mamães. No entanto, apenas o chá dessa raiz pode trazer alguns benefícios para as gestantes.

Se utilizado com moderação e acompanhamento médico, o gengibre diminui as náuseas e os vômitos das grávidas. Esse efeito é ainda mais forte durante os três primeiros meses de gestação, quando os episódios de enjoos são mais frequentes. (3)

Mas apesar desse benefício, a nutricionista Janiele alerta para os riscos da infusão dessa especiaria. “Não é recomendado o consumo em excesso, pois o gengibre causa contrações uterinas e pode levar ao aborto espontâneo.”

Combinação com anis estrelado

Assim como o gengibre, o anis estrelado também está liberado para as grávidas, contanto que esse consumo seja feito de forma consciente e com acompanhamento.

“Esse chá [de anis] é muito utilizado para tratar problemas digestivos, como os gases que muitas gestantes se queixam durante a gravidez”, explica a profissional de nutrição.

Contudo, a gestação é um período muito delicado na vida da mulher, por essa razão é preciso ter um cuidado redobrado com o que se come e bebe. Nesse caso, Janiele menciona que chimarrão e anis formam uma combinação que não deve ser utilizada.

E caso a paciente queira se beneficiar com essa última planta, é preciso conversar com o médico. “Em dosagens muito elevadas, o anis possui um efeito tóxico”, complementa a nutricionista.

Tererê de hortelã (menta)

Outra dúvida bastante comum entre as gestantes é o uso de tererê de hortelã. Para quem não sabe, o tererê é a versão gelada do chimarrão, por isso também está vetado durante o período em que a mulher espera o bebê.

Além disso, a hortelã ou menta também é contraindicada na gestação. Segundo alguns estudos, essa planta apresenta o risco de teratogenicidade, aumentando a possibilidade da criança nascer com malformações congênitas. (3,4)

Quais os chás que as grávidas podem tomar?

Além dos chás de anis e gengibre, as grávidas podem usufruir de outras infusões moderadamente. Confira algumas delas e seus principais benefícios:

  • Chá de alho: indicado a partir do terceiro trimestre de gestação e com acompanhamento médico pode prevenir a anemia na futura mamãe
  • Chá de erva cidreira/melissa: recomendado após o terceiro mês de gestação e ajuda a controlar a ansiedade
  • Chá de rosa branca: ao contrário das duas opções anteriores, essa infusão não serve para ser ingerida, mas para preparar um banho terapêutico. É indicado para acalmar as gestantes
  • Chá de castanha da índia: é possível fazer uma decocção com essa oleaginosa, a qual é indicada para o tratamento de edemas nas pernas.

Já no período de amamentação, as infusões recomendadas são: chá de funcho, chá de algodoeiro e chá de salsa. Todas essas bebidas contribuem com o aumento da produção de leite. (3)

O que se deve evitar na gravidez?

Da mesma maneira em que o chá de erva-mate, o famoso chimarrão ou tererê, é contraindicado na gestação, existem outros alimentos, bebidas e hábitos que também são dispensáveis durante a gravidez.

Confira alguns deles a seguir:

  • Consumo de bebidas alcoólicas, cigarros e outras drogas: o uso desses produtos não prejudica apenas a saúde da mulher, como também pode influenciar negativamente no crescimento do feto ou aumentar o risco de um nascimento prematuro
  • Beber refrigerante na gravidezos refrigerantes e todas as demais bebidas gaseificadas e industrializadas devem ser vetadas durante a gestação. Isso porque, esses produtos aumentam o risco de complicações nessa fase da vida da mulher, propiciando excesso de peso, diabetes gestacional e até pressão alta
  • Uso de sal e alimentos industrializados: hipertensão também pode ser uma consequência do uso excessivo de sal ou de alimentos industrializados, como hambúrguer, charque, salsicha, presunto, salgadinhos etc. Além da pressão alta, outros problemas podem surgir em decorrência desses itens, como é o caso das doenças do coração, rins e inchaço corporal excessivo
  • Consumo de gorduras: evitando alimentos gordurosos, a paciente se protege contra a obesidade
  • Beber líquidos durante as refeições: evitando esse hábito, é possível prevenir os sintomas comuns na gravidez, como a azia ou “queimação”. (2)

Colocando todas essas dicas em prática e evitando de tomar chimarrão e suas combinações, a grávida pode desfrutar de uma gestação tranquila e saudável.

Mas, qualquer problema ou dúvida com relação a esse período, o médico deverá ser consultado.

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista Janiele da Silva Rodrigues (CRN6 22785/P).

Referências

(1) PACHECO, Alice Helena de Resende Nóra; et al. “Consumo de cafeína entre gestantes e a prevalência do baixo peso ao nascer e da prematuridade: uma revisão sistemática“. Caderno Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v23n12/01.pdf. Acesso em 04 de junho de 2019.

(2) FEDERAL, Senado. “Orientações nutricionais: da gestação à primeira infância“. 2015. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/programas/pro-equidade/pdf/cartilha-orientacoes-nutricionais-da-gestacao-a-primeira-infancia. Acesso em 04 de junho de 2019.

(3) ANTONIO, Gisele Damian. “Plantas medicinais para uso na gravidez, parto e durante a amamentação“. Ministérios da Saúde, Governo Federal e Governo de Santa Catarina. Disponível em: http://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/rede-cegonha/eventos-2/oficina-de-fortalecimendo-do-pre-natal/modulo-ii/9309-4-plantas-na-gestacao-qualisus-rede-cegonha/file. Acesso em 04 de junho de 2019.

(4) Mengue, S.S.; Mentz, L.A.; Schenkel, E.P. “Uso de plantas medicinais na gravidez“. Revista Brasileira de Farmacognosia, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbfar/v11n1/a04v11n1. Acesso em 04 de junho de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.