Gengibre: benefícios, para que serve e como fazer o chá

Parece até receita de vó, mas o gengibre serve mesmo para o tratamento de problemas comuns, como dor de garganta e resfriado. Sem falar nas propriedades que possui para combater azia, má digestão e náusea.

Todas essas indicações revelam o que a crença popular já sabia: essa especiaria é expectorante e estimulante gastrintestinal.

Mas o que poucos conhecem são seus efeitos anti-inflamatórios. Por essa razão, aqui você vai encontrar todos os benefícios da planta, descobrir se ela emagrece e ainda aprender como usá-la aproveitando, ao máximo, seus nutrientes.

Tudo isso embasado nos conhecimentos da nutricionista, Patrícia Diz, que aproveita para alertar sobre os cuidados com a raiz,  principalmente em casos de pacientes com hipertensão arterial.

Benefícios do gengibre

Quanto mais natural a raiz se encontra, mais benéfica ela será para o organismo. Sendo assim, prefira sempre as preparações feitas com a especiaria fresca.

Alivia enjoos e náuseas

“Pode ser utilizado para combater algumas doenças e perturbações da saúde, tendo suas propriedades farmacológicas destinadas ao tratamento dos distúrbios gastrointestinais como diarreia, vômitos, náuseas, dores de estômago, flatulência e úlceras gástricas”, explica a profissional de nutrição, Patrícia Diz.

Ainda segundo a especialista, o gengibre também melhora os sintomas de cinetose. O nome pode até ser estranho, mas esse problema é muito comum entre as pessoas, pois se refere ao enjoo de movimento, caracterizado pela sensação de náusea durante a viagem em qualquer meio de transporte.

Isso tudo sem contar nos benefícios que esse caule subterrâneo, ou rizoma, como também é chamado o gengibre, exerce na gestação, uma vez que grávidas também podem usufruir desse mesmo método natural para prevenir o enjoo recorrente logo nos primeiros meses. (1)

Auxilia no tratamento do câncer

Em artigo publicado pelo Ministério da Saúde, os efeitos do gengibre em pacientes oncológicos tratados com quimioterapia se mostraram positivos. Assim, a raiz em questão é vista como uma terapia auxiliar do câncer. (2)

“Pesquisas revelaram que os compostos bioativos no rizoma do gengibre, particularmente os compostos gingerol e shogaol, possuem propriedades que podem exercer múltiplos efeitos benéficos em pacientes com quimioterapia que sofrem de náusea e vômito”, complementa a nutricionista.

Combate gripes

Por ser tônico e expectorante, esse remédio natural também pode ser destinado para tratar gripes e resfriados. E, claro, esse benefício engloba os sintomas característicos dessas doenças, como: tosse, rouquidão, congestão nasal, febre etc. (3)

Trata dores

A ação anti-inflamatória do rizoma é especialmente sentida em tratamentos contra traumatismos, reumatismos e artrite reumatoide. Além de contribuir com o alívio dos sintomas de doenças inflamatórias crônicas, como é o caso da colite ulcerosa. Tudo isso graças a ação dos diversos componentes encontrados na raiz, como o 6-gingerol e 6-shogaol. (3,4)

Previne doenças degenerativas

O gingerol e shogaol também funcionam como antioxidantes, por isso eles conseguem prevenir o estresse oxidativo das células ocasionado pela ação dos radicais livres no organismo. Com esse efeito, o gengibre previne o envelhecimento precoce e doenças degenerativas, como diabetes mellitus tipo II, hipertensão, Alzheimer, Mal de Parkinson e doença cardiovascular. (5)

Pedaços de gengibre

O gengibre é um grande aliado das dietas para emagrecer por ser termogênico (Foto: depositphotos)

Gengibre emagrece?

De acordo com Patrícia, a relação dessa especiaria com o emagrecimento se dá pelas propriedades farmacológicas na regulação da termogênese. Isso significa dizer que o consumo desse produto natural pode aumentar o gasto de energia na produção e dispersão de calor.

Essa raiz “tem sido proposta como estratégia para perda e manutenção do peso, isto ocorre devido a melhora na regulação da glicose e na sensibilidade à insulina”, indica a profissional. E para conseguir isso, basta fazer uso da água de gengibre ou do seu chá.

Como e onde usar essa raiz?

“O consumo em formas farmacêuticas pode ser em cápsulas ou comprimidos contendo extrato seco, droga vegetal (rizomas), extrato fluido e tintura. Gengibre em pó deve ser armazenado em recipientes hermeticamente fechados (não de plástico), ao abrigo da umidade e da luz, em local seco e fresco”, explica a nutricionista.

Água com gengibre

Xícara com água e gengibre

A água de gengibre deve ser tomada ao longo do dia (Foto: depositphotos)

Os benefícios dessa água saborizada são os já citados nesse texto, principalmente o fator emagrecimento. Para prepará-la, a especialista em nutrição indica colocar fatias de 4 centímetros em um 1 litro de água e tomar o líquido ao longo do dia.

Suco

Suco de gengibre e abacaxi

Unir o gengibre a frutas pode render sucos saborosos e nutritivos (Foto: depositphotos)

“Na composição do gengibre existem os compostos picantes que são os responsáveis pelo seu cheiro e paladar característicos, então alguns pedaços do rizoma batido com fruta produzem um resultado muito bom”, esclarece. A seguir você pode conferir a sugestão da nutricionista de suco de gengibre com abacaxi.

Ingredientes

Modo de preparo

Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata até ficar homogêneo. Beba logo em seguida, sem precisar coar.

Chá de gengibre com canela ou limão

Xícara com chá de gengibre, limão e canela

O efeito do chá do gengibre pode ser potencializado usando o limão e a canela (Foto: depositphotos)

Segundo Patrícia Diz, tanto a canela como o limão podem ser adicionados no chá feito com as raízes de Zingiber officinale Roscoe, nome científico do gengibre. No caso da canela em pau, ela é rica em fenólicos e é capaz de modular glicemia e perfil lipídico, além de possuir ação antioxidante e anti-inflamatória.

Já o limão detém alguns dos seus benefícios na casca, pois essa parte externa possui uma substância chamada d-limoneno (rica em flavonoides). “Esses flavonoides possuem ação antioxidante, que previne a ação dos radicais livres”, complementa.

Há duas maneiras de fazer o chá dessa especiaria, uma delas é usando a raiz fresca e a outra o pó. Acompanhe a seguir o processo de cada um desses modos e como adicionar o limão e a canela da maneira correta.

  • Raiz fresca: coloque de 1 a 2 colheres (de café) de gengibre descascado e cortado em fatias finas em 150 ml de água. Deixe cozinhando por 15 minutos em fogo baixo e apague após o tempo determinado. A recomendação é consumir 1 xícara, de duas a quatro vezes por dia
  • Gengibre em pó: ferva 1 colher (de sopa) de gengibre em pó em 1 litro de água, por apenas 5 minutos
  • Limão: nesse caso pode ser tanto o suco como as rodelas de limão, mas de uma forma ou de outra, é importante acrescentar esse ingrediente apenas no final da preparação, pois a vitamina C presente na fruta é sensível às altas temperaturas
  • Canela em pau: ferva um pedaço de 3 a 4 centímetros dessa especiaria junto com o gengibre.

Dúvidas frequentes

1. Quem tem pressão alta pode tomar água com gengibre?

“Pessoas com hipertensão devem utilizar o rizoma de forma controlada, o aumento do metabolismo causado pelo efeito termogênico do gengibre pode elevar a pressão, caso seja utilizado em excesso”, alerta Patricia Diz. Desta maneira, é aconselhável buscar por uma opinião médica antes de usar esse medicamento natural.

2. Faz mal comer todos os dias?

O ideal é ingerir os preparos com gengibre apenas quando for necessário, evitando o consumo prolongado. Mas, “pacientes que usaram gengibre por um período de 3 meses a 2 anos e meio não apresentaram efeitos adversos”, conta a profissional.

3. Quais as contraindicações e efeitos colaterais?

Em primeiro lugar, a especialista em nutrição explica que o uso dessa especiaria deve ser vetado para menores de 6 anos. Altas dosagens, acima de 12 gramas, também devem ser freadas, assim como o uso em pacientes que estejam utilizando anticoagulantes ou com irritação gástrica.

“Há evidências de que o gengibre estimula a produção de ácido clorídrico estomacal e, como consequência, poderá comprometer a ação de medicamentos usados como protetores gástricos. Em casos de cálculos biliares, utilizar apenas com acompanhamento de profissional de saúde”, finaliza a profissional.

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista Patrícia Diz (CRN 24814), formada pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), situada em São Bernardo do Campo. Atua na área de nutrição clínica, focando a reeducação alimentar preventiva e corretiva de pacientes com obesidade, sobrepeso ou desnutrição e também com acompanhamento de gestantes e lactantes, orientação para pacientes com diabetes, hipertensão, alterações de colesterol, triglicérides dentre outros casos.

Referências

(1) Núcleo de Telessaúde Santa Catarina. “Quais plantas medicinais podem ser utilizadas durante a gestação?“. BVS Atenção Primária em Saúde, 2015. Disponível em: https://aps.bvs.br/aps/quais-plantas-medicinais-podem-ser-utilizadas-durante-a-gestacao/. Acesso em: 23 de setembro de 2019.

(2) BARRETO, Alice Maria Cardoso; TOSCANO, Bruna de Abreu Flores; FORTES, Renata Costa. “Efeitos do gengibre (Zingiber officinale) em pacientes oncológicos tratados com quimioterapia“. Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/revista_ESCS_v22_n3_a08_efeitos_gengibre.pdf. Acesso em: 23 de setembro de 2019.

(3) PALHARIN, Luiz Henrique Di Creddo; et al. “Estudo sobre gengibre na medicina popular“. Revista Científica Eletrônica de Agronomia, Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal de Graça (FAEF), 2008. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/5D3Iu05EHeEnqPl_2013-5-10-12-17-59.pdf . Acesso em: 23 de setembro de 2019.

(4) Vieira, N. A.; et al.”Efeito anti-inflamatório do gengibre e possível via de sinalização“. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, 2014. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/viewFile/17125/15833. Acesso em: 23 de setembro de 2019.

(5) SAHARDIE, Nur Fatin Nabilah Mohd; MAKPOL, Suzana. “Ginger (Zingiber officinale Roscoe) in the Prevention of Ageing and Degenerative Diseases: Review of Current Evidence“. Evidence-Based Complementay and Alternative Medicine, 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6721508/. Acesso em: 23 de setembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.