Depressão: um gatilho para o suicídio. Como podemos ajudar

Esse assunto costuma ser evitado nas rodas de conversa. Mas, mais do que nunca, a discussão se faz necessária

Baseado no best seller do escritor Jay Asher, publicado em 2007, e adaptado dez anos depois por Brian Yorkey para a Netflix, “13 Reasons Why” é atualmente a série mais vista do catálogo da plataforma digital e a mais comentada das redes sociais. Os temas que prenderam a atenção de milhares de jovens pelo mundo reacendem a importância de discuti-los: bullying, depressão e suicídio são abordados pelos personagens da trama.

Ao mesmo tempo em que todo o mundo parecia prender os olhos na série um desafio surgia. A “brincadeira” online intitulada Baleia Azul, que teve início na Rússia, ameaça a vida de jovens e os “obrigam” a se alto mutilarem, gerando, inclusive, vítimas fatais. Mas por que estamos vivendo quase que uma epidemia de suicídios?

Depressão, gatilho para o suicídio

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio mata mais de 800 mil pessoas por ano. Ainda de acordo com o órgão, o Brasil lidera o topo do ranking de países com pessoas que possuem transtornos de ansiedade e 5º lugar em depressão; o que significa que aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros sofrem com esse último problema.

Depressão: um gatilho para o suicídio. Como podemos ajudar

Foto: depositphotos

E o assunto é sério e merece uma reflexão profunda. A depressão é uma doença extremamente perigosa, principalmente por ser algo silencioso, silenciado e subestimado. Poucos querem discutir sobre o assunto, enxergar um seriedade nele ou aceitar que alguém próximo sofre do problema; preferimos ignorá-lo e fingir que não existe.

Quando a mente adoece é preciso tratá-la

Mas assim como precisamos cuidar do nosso corpo quando adoecemos, o mesmo é necessário com a mente. Desmerecer a doença e quem sofre dela é apenas um gatilho para intensificá-la e agravar ainda mais a situação. Assim como aconteceu com a protagonista Hannah, que depois de enxergar que não tinha o apoio e compreensão de ninguém diante do seu problema, que existiam julgamentos e ataques sucessivos de bullying, ela resolveu tirar a própria vida.

E não existe um motivo específico que explique a angústia e sofrimento de uma pessoa que resolveu colocar fim à própria vida estava vivendo. Provavelmente essa foi a última e desesperadora resposta encontrada, mas antes de chegar nesse ponto, houve diversos sinais. E por isso é importante estar sempre atento a eles.

Como perceber o comportamento suicida?

“Perceber sinais indiretos talvez seja uma forma de identificar mais precocemente mudanças comportamentais que possam evoluir ao pensamento suicida: isolamento social, automutilação, consumo de drogas, uso excessivo de bebidas alcoólicas, mudanças comportamentais súbitas, desinteresse pelas atividades em família. Ao perceber qualquer um desses sinais, procurar ajuda é sempre uma excelente escolha. A coisa é séria, consulte hospitais de referência ou um profissional renomado e qualificado, pois um tratamento médico e psicológico deve ser instituído”, revela o médico e terapeuta do Núcleo Ser Treinamento e Consultoria, Marcelo Katayama.

A depressão e suicídio costumam ser temas proibidos nos noticiários e mesa do jantar. Mas, mais do que nunca, a discussão se faz necessária; é fundamental quebrar o tabu e falar sem histerias e julgamentos sobre os dois assuntos. Mostrar apoio e estender a mão para quem sofre do problema pode ser um dos primeiros passos para ajudar quem sofre da doença a procurar tratamento e, quem sabe, salvar sua vida.

Sobre o autor

Formada em Jornalismo pela Unicap, pós-graduada em Comunicação Empresarial e Mídias Digitais pela Devry, fez intercâmbio na ETC School, em Bournemouth (UK) e tem experiência nas áreas de assessoria de comunicação, produção de vídeo e foto e redação.