Psoríase: o que é e como tratar naturalmente

Apesar de não ter cura, a psoríase pode ser controlada a ponto de os pacientes não apresentarem nenhum sintoma

Você sabe o que é e como tratar psoríase? Neste artigo você vai aprender tudo sobre essa doença, quais são as suas causas, tipos e sintomas, como tratar e muito mais. Queremos responder todas as suas dúvidas sobre o tema e, por isso, fomos buscar informações oficiais de órgãos especialistas no assunto. Confira!

Esta doença de pele é bastante comum no Brasil e no mundo. De acordo com a Associação Nacional de Portadores de Psoríase (Psorisul), existem mais de 5 milhões de pessoas com psoríase no Brasil (1). No mundo, esse número é de 125 milhões de portadores (2), segundo a Psoríase Brasil, uma entidade sem fins lucrativos sediada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que tem o objetivo de levar informações públicas sobre a doença.

Algumas celebridades sofrem com a psoríase, como é o caso da atriz, empresária, socialite e apresentadora Kim Kardashian, a cantora Cindy Lauper e a famosa atriz Cameron Diaz. Essas citadas e outros famosos são responsáveis por levar à mídia informações importantes sobre a doença e como tratá-la.

Neste artigo, nós fomos em busca das melhores informações sobre o assunto e vamos tirar todas as suas dúvidas de forma simples e esclarecida.

O que é psoríase?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a psoríase é uma doença de pele comum, crônica e não contagiosa (3). Apesar de crônica, esta doença é definida como cíclica, pois acomete os pacientes através de crises (ciclos).

Ela se caracteriza pelo surgimento de lesões avermelhadas e descamativas na pele, geralmente em placas. Os locais mais atingidos são o couro cabeludo, cotovelos, joelhos, mãos, pés e pernas. Além disso, é possível que as lesões apareçam também nas partes genitais do paciente.

Psoríase no couro cabeludo

A psoríase se caracteriza pelo surgimento de lesões avermelhadas e descamativas na pele (Foto: depositphotos)

A psoríase é uma doença autoimune. Ou seja, ela surge de uma situação em que o corpo ataca a si próprio. Não é uma doença adquirida por contágio ou transmissão.

Há muito preconceito quando o assunto é psoríase. Muitas pessoas acreditam que a doença seja contagiosa e, a primeira vista, podem pensar que se tratar de alguma doença sexualmente transmissível (DST). Mas não é nada disso!

A psoríase é uma doença que não é transmissível de nenhuma maneira. Ainda que uma pessoa não portadora da doença encoste, beije ou tenha relação sexual com um(a) portador(a) de psoríase, a doença não será transmitida. Isso vale até mesmo se o paciente estiver com crise da doença.

Tratamento caseiro para psoríase

O tratamento médico não pode ser ignorado de nenhuma maneira. Em caso de sintomas de psoríase, procure um médico imediatamente. Contudo, existem alguns remédios caseiros e técnicas naturais (comprovadas pela ciência) que podem ser de grande ajuda. Confira:

  • Gel ou hidratante de Aloe vera: Um estudo científico comprovou que o gel da babosa (aloe vera) é ótimo para diminuir os sintomas da psoríase, principalmente quando as lesões são no couro cabeludo (4).
  • 15 minutos de sol por dia: Antes das 8 horas da manhã ou depois das 4 horas da tarde, o sol é um aliado para quem tem psoríase. Tire 15 minutinhos para levar o máximo de sol possível. De preferência, use pouca ou nenhuma roupa.
  • Produtos derivados do ipê-roxo (Lapachol): O ipê-roxo é uma árvore linda e sua casca é rica em uma substância chamada lapachol. Essa propriedade medicinal é comprovadamente eficiente no tratamento da psoríase, aliviando os sintomas e ajuda no controle da doença (5). Você pode usar produtos para a pele ou fazer o chá da entrecasca da árvore e lavar a pele com o mesmo.
  • Consumir salsaparrilha: Estudos científicos comprovam que a salsaparrilha possui componentes que combatem e inibem o surgimento das lesões dermatológicas da psoríase, sendo assim um dos melhores remédios caseiros para esta doença (6).
  • Só tome banho frio: A água quente irrita a pele e abre os poros, o que faz a doença se alastrar. Prefira os banhos frios, que limpam mais as lesões, fecham os poros e ajudam no tratamento da psoríase. Caso o clima esteja muito frio, opte pelo banho morno, mas não o quente.

Outras dicas naturais para o tratamento da psoríase:

Além dos remédios naturais citados acima, existem outras dicas e truques para ajudar no tratamento da psoríase. Sendo assim, fique ligado(a) nas seguintes instruções:

  • Pratique exercícios
  • Evite alimentos enlatados, embutidos, café e pimentas
  • Consuma abacate, salmão, alho e grãos
  • Use sabonetes hidratantes
  • Mergulhe no mar (a água salgada tem íons que ajudam a combater as lesões)
  • Use luvas para lavar louça e roupas, ou para manusear produtos de limpeza

Quais são os sintomas?

Os sintomas da psoríase são variáveis quando o assunto é a gravidade. Eles podem se apresentar de formas leves e facilmente tratáveis, mas também podem surgir casos graves e extensos, que podem levar o paciente a incapacidade física. Veja os principais sintomas:

  • Manchas vermelhas e escamosas, com escamas secas brancas ou prateadas
  • Surgimento de manchas brancas ou escuras residuais após lesões
  • Ressecamento e rachamento da pele, às vezes com sangramento
  • Coceira, queimação e dor na pele
  • Unhas grossas, sulcadas (esfareladas), descoladas e com depressões puntiformes (furos na superfície)
  • Inchaço, rigidez e dor nas articulações

Essas informações foram disponibilizadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (3). Contudo, vale ressaltar que, nos casos mais leves da doença, o paciente pode apenas sentir desconforto e pequenas manchas. Já nos casos mais graves, pode provocar alterações que prejudicam a qualidade de vida e a autoestima.

Caso você apresente um ou mais destes sintomas citados, procure um dermatologista ou um clínico geral. No caso de crianças, um pediatra pode identificar a doença e encaminhá-la a um dermatologista infantil. Procure um tratamento o quanto antes.

Qual é o tratamento?

Existem vários tipos de psoríase e, para cada tipo, pode haver algumas formas de tratamento. Além disso, tudo depende também do nível de gravidade da doença. Mas saiba que, em boa parte dos casos, a doença pode ser totalmente controlada e o paciente pode viver sem apresentar nenhum sintoma.

Em alguns casos, é preciso fazer uma combinação de terapias para ajudar o paciente a controlar a psoríase. Entenda abaixo:

  • Tratamento para psoríase leve: Hidratação e uso de pomadas no local das lesões. Com medicamentos receitados por um dermatologista, é claro. Além disso, é possível que o especialista sugira exposição diária ao sol (nos horários adequados), para fortalecer a pele.
  • Tratamento para psoríase moderada: Exposição clínica à luz ultravioleta A (PUVA) ou ultravioleta B (banda estreita). Além disso, uso de medicamentos, pomadas e, em alguns casos, injeções.
  • Tratamento para psoríase grave: Medicamentos de via oral, injeções, exposições fototerápicas em clínicas dermatologistas especializadas, pomadas e mudança na alimentação. Os casos moderados e graves de psoríase devem ser acompanhados de perto por um dermatologista especializado.

Esta doença pode ter grande impacto na qualidade de vida e na autoestima do paciente, devido aos sintomas e às alterações na sua pele. Por isso, se você está passando por isso, não se desespere. A psoríase não tem cura, mas seguindo o tratamento correto indicado por um especialista, você pode controlar e não apresentar os sintomas.

Causa: Como surge esse problema?

A causa da psoríase ainda é desconhecida, mas existem alguns apontamentos científicos que mostram que é um problema de caráter imunológico. Além disso, algumas pesquisas indicaram que a psoríase é um problema de nascença, que pode ou não despertar nos pacientes. Há pessoas que nascem com psoríase e nunca vão descobrir, pois a doença não vai “despertar” no seu organismo, por exemplo.

Psoríase nos cotovelos

Os locais mais atingidos com a psoríase são o couro cabeludo, cotovelos, joelhos, mãos, pés e pernas (Foto: depositphotos)

Veja abaixo as principais causas relacionadas ao surgimento da psoríase:

  • Histórico familiar: Estudos apontam que de 30% a 40% dos pacientes de psoríase possuem histórico da doença na família.
  • Estresse: O estresse danifica o sistema imunológico, abrindo espaço para o surgimento da doença.
  • Obesidade: O excesso de peso aumenta o risco do desenvolvimento da psoríase invertida, um tipo moderado e grave da doença.
  • Vírus HIV: Pacientes HIV positivos podem desenvolver a psoríase invertida também.
  • Excesso de frio: O frio resseca a pele e pode ser um gatilho para o surgimento da psoríase.
  • Alcoolismo: O álcool altera o funcionamento do metabolismo, assim como pode afetar a imunidade e aumentar o risco de desenvolvimento da doença.
  • Tabagismo: O cigarro aumenta o risco de psoríase e agrava o tratamento.

Em 2013, cientistas espanhóis comprovaram que emoções negativas estão diretamente ligadas ao gatilho que faz despertar a psoríase (7). O estudo observou a psoríase de 800 pacientes, verificando seus históricos de vida, comportamento e personalidade.

Tipos de psoríase

Neste tópico você vai aprender a identificar todos os principais tipos de psoríase que existem. As informações são da Sociedade Brasileira de Dermatologia (3). Confira:

Psoríase em placas ou vulgar

O tipo mais comum. Forma placas secas, vermelhas, com escamas prateadas ou esbranquiçadas. Elas coçam e, algumas vezes, doem, podendo atingir todas as partes do corpo, inclusive genitais. Em casos graves, a pele em torno das articulações pode rachar e sangrar.

Psoríase ungueal

Em suma, afeta as unhas das mãos e dos pés. Faz com que a unha cresça de forma anormal, engrosse, escame, mude de cor e até se deforme. Em alguns casos, a unha chega a descolar do dedo, o que pode provocar dor e desconforto.

Psoríase do couro cabeludo

Caracteriza-se pelo surgimento de áreas avermelhadas com escamas espessas branco-prateadas no couro cabeludo, principalmente após coçar. O paciente pode perceber os flocos de pele morta em seus cabelos ou em seus ombros, especialmente depois de coçar o couro cabeludo. Assemelha-se à caspa, mas a diferença é que a capaz não causa manchas vermelhas no couro cabeludo.

Psoríase gutata

Em suma, é desencadeada por infecções bacterianas, como as de garganta. Surgem pequenas feridas, em forma de gota no tronco, nos braços, nas pernas e no couro cabeludo. As feridas são cobertas por uma fina escama, diferente das placas típicas da psoríase que são grossas. É um tipo mais comum em crianças e jovens antes dos 30 anos.

Psoríase invertida

Atinge principalmente áreas úmidas, como axilas, virilhas, embaixo dos seios e ao redor dos genitais. Surgem manchas inflamadas e vermelhas. O quadro pode agravar em pessoas obesas ou quando há sudorese excessiva e atrito na região.

Psoríase pustulosa

Pode ocorrer manchas, bolhas ou pústulas (pequena bolha que parece conter pus) em todas as partes do corpo ou em áreas menores, como mãos, pés ou dedos (chamada de psoríase palmoplantar). Geralmente,  se desenvolve rápido, com bolhas de pus que aparecem poucas horas depois de a pele tornar-se vermelha. As bolhas secam dentro de um dia ou dois, mas podem reaparecer durante dias ou semanas. A psoríase pustulosa generalizada pode causar febre, calafrios, coceira intensa e fadiga.

Psoríase eritrodérmica

É o tipo menos comum, um pouco raro, na verdade. Surgem manchas vermelhas em todo o corpo, que podem coçar ou arder intensamente, levando a manifestações sistêmicas. Ela pode surgir após queimaduras graves, tratamentos intempestivos (como uso ou retirada abrupta de corticosteróides), infecções ou por outro tipo de psoríase mal-controlada.

Psoríase artropática (artrite psoriática)

Por fim, há o tipo de psoríase relacionada a artropatia (artrite). Além da inflamação na pele e da descamação, a artrite psoriática, como também é conhecida, causa fortes dores nas articulações. Afeta mais comumente as articulações dos dedos dos pés e mãos, coluna e juntas dos quadris e pode causar rigidez progressiva e até deformidades permanentes. Também pode estar associada a qualquer forma clínica da psoríase.

Psoríase tem cura?

Não, mas com o tratamento adequado e um bom estilo de vida saudável, os sintomas podem nunca aparecer. Dessa forma, há relatos de pacientes que trataram a psoríase uma única vez e ela nunca mais voltou a surgir, graças ao comprometimento com as medidas passadas pelo dermatologista.

Como se prevenir?

A melhor maneira de se prevenir da psoríase é seguindo um estilo de vida saudável (boa alimentação e exercícios) e cuidados com a pele. Se você possui histórico familiar, o cuidado deve ser redobrado. Outra forma de se prevenir é procurando um médico logo nos primeiros sintomas. Sendo assim, a doença pode ser controlada antes mesmo do surgimento dos outros sintomas.

Referências

Por fim, veja abaixo as referências científicas usadas na produção deste artigo. O Remédio Caseiro é um site comprometido com informações verdadeiras, conteúdo relevante e, claro, com a sua saúde. Sendo assim, fique sempre bem informado(a) em nosso site!

Referências

  1. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PORTADORES DE PSORÍASE (PSORISUL). Disponível em: <http://psorisul.org.br>. Acesso em 12/02/2019.
  2. PSORÍASE BRASIL. Entidade não governamental sem fins lucrativos. Disponível em: <http://psoriasebrasil.org.br>. Acesso em 12/02/2019.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Psoríase. Disponível em: <http://www.sbd.org.br/dermatologia/unhas/doencas-e-problemas/psoriase/94/>. Acesso em 12/02/2019.
  4. BURGESS, Lana. Can aloe vera treat psoriasis? Medical News Today, 2017. Disponível em: <https://www.medicalnewstoday.com/articles/320081.php?sr>. Acesso em 12/02/2019.
  5. COSTA, Wender Ferreira. Avaliação da atividade genotóxica do lapachol e β-lapachona e anticarcinogênica do lapachol em células somáticas de Drosophila melanogaster. 2010. Disponível em : <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/15712/1/Tesse%20Wender.pdf>. Acesso em 12/02/2019.
  6. DI, Ting-Ting et al. Astilbin inhibits Th17 cell differentiation and ameliorates imiquimod-induced psoriasis-like skin lesions in BALB/c mice via Jak3/Stat3 signaling pathway. 2016. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26784569>. Acesso em 12/02/2019.
  7. GIRALDI, Renata. Cientistas espanhóis concluem que emoções negativas agravam psoríase. Agência Brasil, 2013. Disponível em: <http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-06-20/cientistas-espanhois-concluem-que-emocoes-negativas-agravam-psoriase>. Acesso em 12/02/2019.

Sobre o autor

Avatar
24 anos, é jornalista e produtor de conteúdo especializado. Atua com produção jornalística há 4 anos. Vencedor do prêmio de empreendedorismo digital “Academic Winner 2017”, promovido pela DeVry University na Califórnia, Estados Unidos. Tem no currículo trabalhos em emissoras de televisão, jornal impresso, revistas e internet. É pernambucano e tem como hobbies escrever, jogar videogames, cinema e estudos sociais.