Mentrasto: benefícios e formas de usar

O uso das ervas pode ser uma opção saudável, econômica e eficaz quando o assunto é saúde e bem-estar. Um bom exemplo é o mentrasto. Também conhecida como picão roxo, essa planta oferece importantes benefícios para o organismo, sendo pontual no tratamento de artrites e artrose, aliviando cólicas menstruais e combatendo a depressão.

Por ser abundante nas regiões de clima tropical, o mentrasto pode ser encontrado com certa facilidade no país, seja em feiras livres, lojas de artigos naturais ou mesmo em sites de medicina alternativa. Também é possível plantar a muda dessa erva e cultivar em casa, uma vez que seu desenvolvimento não carece de grandes preparações.

Folhas e ramos de mentrasto
O mentrasto deve ser tomado com supervisão médica porque pode causar efeitos colaterais no fígado (Foto: depositphotos)

Com o extrato do mentrasto se faz o chá, cataplasma e óleo essencial para uso externo. No entanto seu uso deve ser orientado e acompanhado por um médico especialista. Em excesso, a planta causa complicações no fígado. Veja a seguir como consumir com responsabilidade e aprenda mais sobre esse elixir da medicina natural.

Os 4 principais benefícios do mentrasto

O uso terapêutico do mentrasto se faz com aplicação tópica contra artrite, artrose e reumatismo, ou consumindo o chá da erva para aliviar cólicas, uma vez que tem ação antiespasmódica, ou seja, diminui as contrações musculares de órgãos como estômago, intestino, útero ou bexiga. Sendo eficaz tanto para cólicas menstruais quanto para as intestinais.

1- Trata artrose e artrite

Na medicina popular brasileira, o chá de mentrasto é utilizado como anti-inflamatório e analgésico, infalível para o tratamento de dores articulares como ocorrem na artrite e na artrose. Mas como isso acontece?

A artrite é uma inflamação da articulação que causa rigidez e dor, já a artrose é a degeneração de uma articulação. Ambas as enfermidades são muito frequentes com o avançar da idade. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Ceará, em 2006, demonstrou a eficácia do mentrasto para esses problemas. (1)

O objeto do estudo foi a ação analgésica do chá nas dores crônicas dos ossos e músculos, em pessoas com artrose. Os resultados mostraram que a bebida apresentou eficácia, passando a ser indicado como opção alternativa no tratamento da dor. (1)

Um outro estudo sobre os efeitos anti-inflamatórios do mentrasto, indicou a forma de uso ideal para esse fim. Segundo a pesquisa, é para beber de duas a três xícaras da infusão das folhas do mentrasto por dia. (2)

O óleo essencial da planta também pode ser usado de forma tópica para massagear as regiões necessárias e o cataplasma da erva colocado em cima das articulações machucadas.

2- Alivia cólicas menstruais

As cólicas menstruais podem ser controladas, ou mesmo eliminadas, fazendo uso do chá de mentrasto. Isso é o que garante uma pesquisa feita no Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos, em São Paulo.

A planta exerce elevada ação anti-inflamatória. A decocção das folhas do mentrasto apresentaram reação contra inflamações ovarianas e dismenorreia (cólicas e dores pélvicas que ocorrem antes ou durante a menstruação, com causas comuns como fluxo intenso, passagem de coágulos, miomas uterinos ou endometriose). (3)

A propriedade antiespasmódica da erva também atua a favor da eliminação das cólicas, uma vez que abranda as contrações musculares do útero.

3- Elimina a infecção urinária

A infecção urinária também consegue ser controlada e tratada com o uso do chá de mentrasto. Isso porque essa planta é rica em compostos fenólicos e flavonoides, poderosos antioxidantes capazes de impedir, retardar ou prevenir a oxidação mediada por radicais livres.

Alunos da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia (4), analisaram a capacidade antioxidante da planta e constataram que evitando a formação dos radicais livres por meio do consumo do chá de mentrasto é possível livrar o organismo de inflamações, a exemplo da cistite (inflamação da bexiga) e da pielonefrite (inflamação do rim), principais causas da infecção urinária.

4- Combate a depressão

O mentrasto possui propriedades antidepressivas e ansiolíticas, capaz de controlar a ansiedade. Em baixas doses, o extrato da planta age como antidepressivo, proporcionando um efeito estimulante e melhorando o humor e a tristeza. (5)

Como fazer chá de mentrasto?

As partes utilizadas para compor o chá é toda a planta, com exceção das flores, e de preferência fresca.

Ingredientes

  • 1 colher (de sopa) da planta
  • 1 xícara de água.

Modo de preparo

Ferva a água, desligue o fogo e acrescente a planta. Tampe e deixe descansar por 15 minutos. Tome duas vezes ao dia.

Contraindicação e efeitos colaterais

O uso do mentrasto é contraindicado para hipertensos, pacientes em uso de anti-coagulantes, por quem possui doenças no fígado, gestantes e lactantes. (6)

Já seu uso prolongado pode desencadear problemas pontuais. Os ramos dessa planta possui alcaloides pirrolizidínicos, substâncias extremamente tóxicas para o fígado.

No entanto, para fazer o uso interno, é preciso respeitar a dose máxima diária do chá de 30 a 50 gr de folhas frescas ao dia. Não é indicado exceder o tratamento por mais de 3 semanas. O acompanhamento médico é imprescindível. (6)

Características

Cientificamente chamada de Ageratum conyzoides L., o mentrasto é um planta tropical. No Brasil é facilmente achada nas áreas do Nordeste, especialmente em serras.

Ele é também conhecido popularmente por cacália-mentrasto, catinga-de-barão, catinga-de-bode, celestina, cúria, erva-de-Santa-Lúcia, erva-de-São-João, mentraço, mentruz, além de picão-roxo. (6)

A erva pode atingir 70 centímetros de altura e possui odor peculiar, muito semelhante ao de bode. (6)

O caule e as folhas são cobertos com pelos brancos e suas flores são lilás ou brancas.

Ela é considerada como uma erva daninha pois se multiplica com rapidez. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o mentrasto infesta tanto lavouras como hortas e terrenos baldios. Uma única planta chega a produzir 40 mil sementes, que se propagam pelo vento ou água.

Referências

(1) CASTRO, Henrique Guilhon de; et al. Análise do crescimento de acessos de mentrasto (Ageratum conyzoides L.) em dois ambientes, Universidade Federal do Ceará, 2006. Disponível em: http://ccarevista.ufc.br/seer/index.php/ccarevista/article/view/219/214 . Acesso em: 30 de setembro de 2019.

(2) MELLO, Silvana Virginia Gagliotti Vigil de. ESTUDO DO EFEITO ANTI-INFLAMATÓRIO DA Ageratum conyzoides L., SUAS FRAÇÕES E COMPOSTOS ISOLADOS, Universidade Federal de Santa Catarina, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/176672/345768.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 30 de setembro de 2019.

(3) MOMESSO, Luciano da Silva; et al. Atividade antitumoral do Ageratum conyzoides L. (Asteraceae), Faculdades Integradas de Ourinhos – SP, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2009000500002 . Acesso em: 30 de setembro de 2019.

(4) SOUZA, Larissa Mimares Carneiro; et al. CARACTERIZAÇÃO DA DROGA VEGETAL Ageratum conyzoides L. (ASTERACEAE) E CAPACIDADE ANTIOXIDANTE, Universidade Estadual de Feira de Santana – BA, 2016. Disponível em: http://periodicos.uefs.br/index.php/semic/article/view/3331/2721 . Acesso em: 30 de setembro de 2019.

(5) ESCOBAR, Braulio Tercius. Avaliação psicofarmacológica de ageratum conyzoides L. asteraceae, Universidade do extremo sul catarinense – SC, 2007. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=89137 . Acesso em: 30 de setembro de 2019.

(6) Fitoterapia Mentrasto – Ageratum conyzoides, Prefeitura Municipal de Londrina – PR. Disponível em: http://www1.londrina.pr.gov.br/dados/images/stories/Storage/sec_saude/fitoterapia/publicacoes/mentrasto2.pdf . Acesso em: 30 de setembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

Lívia Mota
Jornalista (DRT-PE: 4909), possui especialização em marketing e acumula experiência de mais de 10 anos no ramo da comunicação. Seu currículo reúne conhecimento nas áreas de produção e monitoramento de conteúdo para web, em comunicação empresarial interna e externa e na prestação de assessoria. Trabalhou no jornalismo impresso e digital com repórter, tendo passado pelas editorias de política, economia, cultura, polícia e cidades. Atualmente é editora da empresa iHaa Network, conglomerado de sites no qual o Remédio Caseiro faz parte.