Falta de vitamina D: sintomas, engorda e doenças

A deficiência de vitamina D, chamada popularmente de falta de vitamina D, é um dos distúrbios nutricionais mais frequentes em todo o mundo. De acordo com alguns estudos, estima-se que 1 bilhão de pessoas possuem insuficiência ou deficiência dessa substância. (1)

E no Brasil, o cenário não é diferente. Apesar de vivermos em um país tropical, e por isso com alta incidência solar, a hipovitaminose D também é um problema comum. Sendo assim, não se restringe a alguns grupos populacionais, podendo acometer crianças, adolescentes, grávidas, homens e idosos.

De acordo com a nutricionista Creuza Nunes, esse quadro de deficiência é um problema sério dentro de qualquer sociedade. Isso porque, a vitamina D desempenha um papel fundamental na saúde dos ossos, evitando fraturas, raquitismo e auxiliando no tratamento contra a osteoporose.

Mas esses não são os únicos benefícios desse nutriente. “É importante destacar que os níveis séricos adequados desta vitamina têm sido associados à prevenção de câncer, diabetes mellitus, doenças autoimunes, respiratórias e cardiovasculares”, explica a profissional de nutrição.

Quais os sintomas da falta de vitamina D?

Ainda segundo a nutricionista, redução da densidade óssea, fraqueza muscular e dores nos ossos são os principais sintomas relacionados à deficiência de vitamina D. Mas além desses sinais, o paciente com hipovitaminose D pode apresentar cansaço e fadiga.

Dor no joelho

Dores, infecções e letargias são alguns dos sintomas da deficiência de vitamina D no organismo (Foto: depositphotos)

No entanto, esses sinais só surgem após a presença de baixos níveis séricos desse nutriente. Ou seja, os sintomas podem surgir após níveis reduzidos dessa substância no organismo, durante um longo período de tempo. (2)

De uma maneira geral, essa deficiência acarreta raquitismo em crianças e osteomalacia em adultos (fraqueza nos ossos). Além disso, pode ocorrer “maior incidência de infecções, letargia, irritação, agravamento de doenças crônicas (ex. artrite reumatoide), dores generalizadas, e em particular na região lombar, musculares e ósseas”. (2)

Doenças causadas pela ausência desse nutriente

O número de doenças relacionadas à ausência de vitamina D é amplo, uma vez que esse problema pode propiciar o surgimento e também o agravamento de algumas patologias. Segundo Creuza Nunes, essa deficiência pode reduzir a imunidade do paciente.

Portanto, “sugere-se que a vitamina D e seus análogos não só previnam o desenvolvimento de doenças autoimunes como também poderiam ser utilizados no seu tratamento.” (3)

De acordo com alguns estudos, as seguintes doenças podem estar relacionadas com a falta de vitamina D no organismo:

  • Artrite reumatoide
  • Lúpus eritematoso sistêmico
  • Doença indiferenciada do tecido conjuntivo (DITC)
  • Doença inflamatória intestinal (DII)
  • Esclerose múltipla (EM)
  • Diabetes melito tipo 1
  • Doenças inflamatórias cutâneas (3)
  • Osteoporose
  • Raquitismo.

Falta de vitamina D engorda?

De acordo com alguns estudos, a falta de vitamina D no organismo pode estar relacionada à obesidade. Isso porque, concentrações reduzidas dessa substância são frequentemente observadas em pacientes obesos.

“Especula-se que a insuficiência de vitamina D não seja apenas consequência da menor exposição solar em obesos, mas também um dos fatores que desencadeia o acúmulo de gordura corporal.” (4)

Assim, acredita-se as células adiposas dos obesos (células que acumulam gordura) são o depósito da vitamina D. Com isso, há a diminuição da biodisponibilidade desse nutriente no organismo. Consequentemente, resulta na estimulação do hipotálamo, aumentando a sensação da fome e diminuindo o gasto energético. (4,5)

Portanto, a falta de vitamina D pode provocar aumento de peso ou atrapalhar o processo de emagrecimento. No entanto, isso só pode ser observado e detectado por um especialista em nutrição.

Além disso, é importante destacar que a vitamina D presente no organismo, mesmo nas quantidades adequadas, não é o suficiente para promover a perda de peso. Para que isso ocorra, é necessário que o indivíduo busque um nutricionista para uma avaliação e associe uma boa alimentação à prática constante de esportes.

Fontes de vitamina D

As duas principais fontes de vitamina D são a síntese cutânea e os alimentos. No entanto, especialistas afirmam que  aproximadamente 90% dessa substância é adquirida através da exposição solar, e menos de 10% obtida pelas fontes alimentares. (1)

Mas além dessas duas formas, é possível obter vitamina D por intermédio da suplementação. Neste caso, o indicado é buscar ajuda de um profissional de nutrição, uma vez que tanto a escassez como o excesso desse nutriente podem ser prejudiciais ao organismo.

Síntese cutânea

Como muitos devem saber, a principal fonte de vitamina D é a exposição solar. Mas para obter o nutriente dessa forma, é preciso levar em consideração alguns cuidados primordiais.

Por exemplo, pessoas de pele negra possuem mais resistência em receber os raios ultravioletas, devido à presença da melanina que bloqueia as radicações. Nesses casos, o recomendado é ficar exposto ao sol durante um período de maior tempo. Mas sempre levando em consideração os horários de menor incidência, que é pela manhã ou final do dia.

Já para pessoas de pele branca, a radiação solar não encontra maiores dificuldades de entrar na pele. Por isso, Creuza Nunes indica a exposição de 15 a 20 minutos por dia, “com a maior parte possível do corpo exposta e sem aplicação de filtro solar.”

Alimentos ricos em vitamina D

Ainda de acordo com a nutricionista, alguns alimentos são fontes da vitamina D, são eles: salmão, atum, gema de ovo, carne bovina, bacalhau, óleo de fígado de peixe, sardinha, leite e derivados.

Peixes, queijos, ovos e cogumelos

A alimentação é a segunda principal fonte da vitamina D, perdendo apenas para a síntese cutânea (Foto: depositphotos)

Como pode ser visto, a maioria dos alimentos ricos nessa vitamina é de origem animal. Portanto, vegetarianos e veganos possuem mais tendência a ter a deficiência desse nutriente. Mas para combater a hipovitaminose D, os nutricionistas recomendam a exposição solar e, em alguns casos, a suplementação.

Suplementação

“Além do sol, é possível conseguir a vitamina através de suplementos vitamínicos, de forma oral (gotas ou comprimidos) diária ou semanalmente, quando necessário. Nesse caso, não tome suplementos de vitamina D por conta própria, pois o excesso pode trazer riscos sérios para a saúde se tomado por vários meses”, alerta Creuza.

Apesar de raras, as intoxicações por vitamina D existem e podem causar um grande desequilíbrio no organismo. Por isso que a suplementação deve ser feita com um acompanhamento do profissional de nutrição.

Entre os sintomas da intoxicação estão: “perda de apetite, náuseas, vômito, constipação, poliúria, polidipsia, desorientação, perda de peso e, em alguns casos, pode cursar em insuficiência renal.” (6)

Dúvidas frequentes

Mesmo com todos os dados e informações apresentados nesse artigo, algumas pessoas podem ter dúvidas específicas sobre a falta de vitamina D no organismo. Levando em consideração esse público, o Remédio Caseiro separou as perguntas mais frequentes sobre esse tema e respondeu cada uma delas a seguir:

1) Quais doenças causam a falta de vitamina D?

As síndromes de má absorção intestinal podem causar ausência de vitamina D, como fibrose cística, doença celíaca, doença inflamatória intestinal e colestase. Além disso, outros fatores podem desencadear a deficiência desse nutriente, a exemplo da cirurgia bariátrica, obesidade, dieta vegetariana e o uso de alguns medicamentos. (1)

2) Qual o nível correto de vitamina D?

Na tabela a seguir é possível conferir os níveis séricos da vitamina D mensurados em níveis plasmáticos da 25(OH)D (4):

3) Quais os riscos da falta de vitamina D na infância, gravidez e terceira idade?

Segundo a nutricionista Creuza Nunes, as crianças podem sofrer com o raquitismo quando não possuem os níveis adequados da vitamina D. Assim, a falta desse nutriente pode causar deformidade nos ossos e baixa estatura.

No caso das gestantes, “a falta dessa vitamina pode levar a abortos no primeiro trimestre. Já no final da gravidez, a carência do nutriente pode levar a pré-eclâmpsia e aumentar as chances da criança ser autista”, explica a profissional.

Já com relação aos idosos, os cuidados devem ser ainda mais redobrados para evitar a falta dessa vitamina. Isso porque, a ausência do nutriente pode reduzir a força muscular e aumentar a fragilidade dos ossos, aumentando o risco de quedas e fraturas na terceira idade.

Vitamina D benefícios

Diante de tudo que já foi exposto, fica claro como falta de a vitamina D é maléfica para o corpo. De acordo com Creuza Nunes, esse nutriente é responsável por metabolizar o cálcio e o fósforo no nosso organismo, sendo essencial para a saúde dos ossos.

Os benefícios da vitamina D incluem aumento da imunidade e redução do risco de infecções e de outras doenças autoimunes se instalarem no organismo humano. (3) Além disso, esse nutriente pode ajudar na luta contra diversos problemas de saúde, como obesidade, diabetes e hipertensão arterial. (4)

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista Creuza Nunes (CRN-25439/PE).

Referências

(1) Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Hipovitaminose D em pediatria: recomendações para o diagnóstico, tratamento e prevenção“. Guia Prático de Atualização – Departamento Científico de Endocrinologia, 2016. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/12/Endcrino-Hipovitaminose-D.pdf. Acesso em 5 de maio de 2019.

(2) PINHEIRO, Tânia Marisa Macedo. “A importância clínica da vitamina D“. Universidade Fernando Pessoa – Faculdade de Ciências da Saúde, Porto-Portugal, 2015. Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5301/1/PPG_27959.pdf. Acesso em 5 de maio de 2019.

(3) MARQUES, Cláudia Diniz Lopes; et al. “A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes“. Revista Brasileira de Reumatologia, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbr/v50n1/v50n1a07.pdf. Acesso em 5 de maio de 2019.

(4) SCHUCH, Natielen Jacques; GARCIA, Vivian Cristina; MARTINI, Lígia Araújo. “Vitamina D e doenças endocrinometabólicas“. Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (FSP/USP), São Paulo, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abem/v53n5/15.pdf. Acesso em 5 de maio de 2019.

(5) PERCEGONI, Nathércia; CASTRO, Juciane Maria de Andrade. “Vitamina D, sobrepeso e obesidade – Uma revisão“. Universidade Federal de Juiz de Fora. ICB – Instituto de Ciências Biológicas. DN – Departamento de Nutrição, 2014. Disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2016/09/1847/2456-13564-1-pb.pdf. Acesso em 5 de maio de 2019.

(6) PETERS, Barbara Santarosa Emo; MARTINI, Lígia Araújo. “Funções plenamente reconhecidas de nutrientes Vitamina D“. International Life Sciences Institute Brasil, 2ª edição revisada, 2014. Disponível em: https://ilsi.org/brasil/wp-content/uploads/sites/9/2016/05/artigo_vitamina_d.pdf. Acesso em 5 de maio de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.