Babosa: 8 benefícios e formas de usar

Você sabia que a babosa tem potencial terapêutico e traz inúmeros efeitos benéficos para a saúde? Isso mesmo, a planta, que também é conhecida pelo seu nome científico Aloe vera, faz bem para o cabelo, promove a hidratação da pele, previne rugas e ainda acelera a cicatrização de espinhas e ferimentos. 

Tudo isso por causa da incrível composição dela, que conta com as vitaminas A, C, algumas do complexo B, K, minerais como potássio e ferro, aminoácidos, fitoquímicos com propriedades antioxidantes e bastante água, cerca de 95% do peso total. 

O gel extraído das folhas da babosa acelera a cicatrização de queimaduras e lesões na pele (Foto: depositphotos)

Sabe o que é melhor? Ela pode ser usada de várias maneiras diferentes e para ajudar você a aprender mais sobre isso convidamos o naturopata Danilo Ramon, que explicou os benefícios e ensinou algumas formas de uso dessa poderosa plantinha!

8 incríveis benefícios da babosa 

1. Cicatriza acnes 

O gel de babosa, aquela “baba” que é extraída do interior das folhas, é uma maneira natural e eficaz de tratar a acne. Essa ação secativa de espinhas acontece, em primeiro lugar, porque a planta é rica em compostos antissépticos. Isso significa que ela elimina micro-organismos da pele. 

Ela possui seis agentes do tipo, entre os quais estão: o lupeol, o ácido salicílico (muito usado em produtos para tratar acne),o ácido cinâmico e o enxofre. (1)

Graças a isso, ela consegue impedir a proliferação de bactérias que vivem naturalmente na superfície da pele e são responsáveis por causar a acne. 

Em segundo lugar, a aloe vera é um potente anti-inflamatório, como defende o especialista em fitoterapia. 

Isso faz com que a aplicação do produto diminua o fluxo sanguíneo que está sendo enviado para o local e permite que a aplicação do gel alivie as dores e o inchaço causado pela inflamação. Inclusive nos quadros de acne severa. (2

2. Alivia as dores do reumatismo 

Fazer uma compressa com o interior das folhas de babosa pode ajudar a aliviar as dores decorrentes do reumatismo, nome genérico para descrever mais de 100 doenças que atingem os tendões e articulações. 

Danilo esclarece que isso acontece porque a babosa possui ação anestésica, principalmente “devido a sua alta capacidade de penetração na pele, causando assim bloqueio da dor nas camadas mais profundas”, completa. 

Além do mais, o já descrito efeito anti-inflamatório faz com que ela trate a raiz do problema, no caso de doenças como a artrite. Seu uso reduz a inflamação e a artrite de maneira quase que imediata. (3)

Danilo indica que ela não serve apenas para aliviar os sintomas dessa doença, mas também de dores musculares comuns, causadas pelo excesso de esforço.

3. Acelera a cicatrização de queimaduras

Aplicar a baba retirada das folhas da erva acelera a cicatrização “devido a sua ação renovadora e protetora celular, que estimula a renovação de tecidos e células epiteliais”, pontua Danilo. 

Ela ainda é anticoagulante, impedindo hemorragias, o que é indispensável para a cura de lesões na pele

A babosa induz o organismo a produzir uma maior quantidade de fibroblastos, um tipo de célula, e de colágeno, uma proteína que dá firmeza. 

Por conta disso, há uma maior taxa de reepitelização, que é o crescimento de um novo tecido para tomar o lugar do que morreu. Só para explanar o poder desse remédio caseiro, a babosa é eficaz até em tratar queimaduras de 2º e 3º grau, que são as que atingem as camadas mais profundas da pele. (4)

A melhor parte é que ela também trata herpes bucal e genital e diminui a aparência das cicatrizes deixadas por essas lesões. (5)

E sabe aquela queimadura após tomar sol demais? Pois bem, aplicar o gelzinho também alivia a ardência, refresca a pele e promove uma recuperação mais rápida. (6

4. Estimula o crescimento dos cabelos 

Como Danilo explicou, a babosa é uma planta cheia de vitaminas e aminoácidos. Muitos deles fazem parte do processo de produção de novos fios de cabelo, como é o caso das vitaminas A e K. 

Além disso, o gel aumenta a vascularização do couro cabeludo, melhorando a circulação e oxigenação da região, o que serve de estímulo para o funcionamento dos folículos capilares. (3)

As vitaminas e a água presente no interior das folhas hidratam e nutrem os fios e ao manter as madeixas saudáveis há uma redução da queda derivada da quebra.

O pH da babosa é levemente ácido, no nível 6, que é uma acidez bem parecida com a do couro cabeludo. Por isso, os nutrientes dela conseguem agir de maneira mais efetiva e promover uma paralisação da queda a partir da raiz. (4)

5. Previne as rugas  

A baba da aloe vera é um creme anti-rugas natural devido aos seus efeitos sobre a renovação da pele, citado por Danilo.

O que acontece é que o aumento da produção de colágeno e dos fibroblastos promovido por ela deixa a pele mais elástica e menos quebradiça. Isso faz com que a superfície fique com uma aparência mais lisa e suave. 

Já os aminoácidos fecham os poros, diminuindo assim a oleosidade, aumentando a durabilidade da maquiagem. Por fim, ela é rica em água e é rapidamente absorvida. Por esse motivo, promove uma hidratação profunda e duradoura. (1

6. Acaba com a caspa

Esse gel é uma maneira natural de acabar com o problema da caspa, descamação decorrente da dermatite seborreica e que pode ser causada por uma inflamação crônica ou por fungos que se alojam no couro cabeludo. 

A babosa age nas duas causas. O fitoterapeuta esclarece que a “ação antibiótica [da planta] ajuda a eliminar os fungos da região”. Enquanto que reduz o processo inflamatório e alivia a sensação de queimação e coceira derivante disso. 

7. Dá uma forcinha na digestão 

“De forma interna ela [a babosa] tem poderosa ação digestiva”, explica o profissional. Esse potencial se dá pela presença de vários tipos de enzimas, como a celulase, catalase e lipase, que levam à liberação do ácido estomacal, que quebra os alimentos. 

Ele ainda ressaltou que a planta age protegendo a mucosa gástrica e auxiliando no tratamento de úlcera e da gastrite, em especial graças ao efeito de reduzir a inflamação e acelerar a reepitelização das feridas.

8. Trata a constipação 

Para finalizar essa lista, outro incrível benefício da aloe vera apontado por Danilo é o de estimular o funcionamento do trato intestinal, onde ela atua como um laxante natural. Desse modo, se torna um excelente remédio para tratar, de maneira 100% natural, a prisão de ventre

Ela aumenta o envio de água para os intestinos, aviva a produção do muco que serve para deixar as fezes mais macias e escorregadias e amplifica os movimentos peristálticos, que são os que o órgão faz na tentativa de enviar o “cocô” para fora do corpo. (1)

Como usar a babosa em casa?

Tratamentos capilares e na pele

Não existe segredo ao usar a aloe vera em tratamentos externos. Basta retirar o gel do interior das folhas, com o auxílio de uma faca afiada, e aplicar na área desejada. 

O profissional indica que o gel puro pode ser aplicado com as mãos e massageando o couro cabeludo, em tratamentos de queda e caspa, no comprimento, para hidratar, ou na pele para aliviar as dores. “Em picadas ou ferimentos coloque o gel em um algodão e aplique diretamente sobre o local”, ensina. 

“A babosa pode ainda ser combinada com diversas substâncias terapêuticas e plantas medicinais e também já é muito usada em misturas tópicas, como shampoos e sabonetes”, finaliza o especialista em fitoterapia. 

Para consumo

Geralmente ela é bebida na forma de suco, que pode ser feito em casa ou comprado em lojas especializadas em produtos fitoterápicos.

No entanto, de acordo com Danilo, o ideal é sempre buscar orientação fitoterápica prévia. Isso porque “fazer o uso de doses excessivas pode causar reações do mau uso e bem severas”, alerta. 

Cuidados e contraindicações 

A babosa não deve, em hipótese nenhuma, ser consumida durante a gravidez e fase de amamentação, pois apresenta compostos tóxicos para o feto e criança, que os recebe através da placenta e leite materno. 

Algumas pessoas podem ter alergia aos componentes dela. Portanto, se sentir qualquer efeito irritante, o uso dela deve ser suspenso. 

O uso interno em excesso pode causar nefrite (inflamação dos rins) e irritação gástrica. (7

É preciso destacar que a planta pode ainda interagir com alguns tipos de medicamentos, como esteroides de uso tópico, como a pomada hidrocortisona, alguns diuréticos, certos remédios para problemas cardíacos e para controle da glicemia. (1)

Características da planta e como cultivar 

A babosa é uma planta baixa, atingindo no máximo 90 centímetros de altura, e com folhas, uma média de 14 por pé, grandes, largas e carnosas, com um gel de textura firme no seu interior. Ela se multiplica através de pedaços das folhas ou raízes.

Essa espécie é de fácil cultivo, uma vez que cresce em qualquer tipo de solo, não tem raízes profundas, o que facilita o plantio em vasos, e não precisa de muitos cuidados para se desenvolver.  

Mas caso deseje ter um pezinho próximo a você, opte por plantá-la em um local que bata sol e faça a rega sempre que o solo estiver seco. Em pelo menos seis semanas após o plantio já é possível colher as primeiras folhas. (8)

*Artigo escrito com a colaboração do naturopata especialista em acupuntura, fitoterapia e iridologia, Danilo Ramon (CRTH – 1224 BR). 

Referências

(1) SURJUSHE, Amar; VASAMI, Resham; SAPLE, D.G. Aloe vera: a short review. Indian Journal of Dermatology, v.53, n.4, p.163-166, 2008. Disponível em: https://dx.doi.org/10.4103%2F0019-5154.44785. Acesso em: 18 de dezembro de 2019. 

(2) VOGLER, B.K.; ERNST, E. Aloe vera: a systematic review of its clinical effectiveness. British Journal of General Practice, v.49, p.823-828, 1999. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1313538/. Acesso em: 18 de dezembro de 2019.

(3) REYNOLDS, T.; DWECK, A.C. Aloe vera leaf gel: a review update. Journal of Ethnopharmacology, v.68, p.3-37, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1016/s0378-8741(99)00085-9. Acesso em: 18 de dezembro de 2019.

(4) BASMATKER, Gauri; JAIS, Neha; DAUD, Farhat. Aloe vera: A valuable multifunctional cosmetic ingredient. International Journal of Medicinal and Aromatic Plants, v.1, n.3, p.338-341, 2011. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/768e/00ea5b116d501aec9967840cbaf2f5bf0e28.pdf. Acesso em: 18 de dezembro de 2019. 

(5) ESHUN, Kojo; HE, Qian. Aloe Vera: A Valuable Ingredient for the Food, Pharmaceutical and Cosmetic Industries – A Review. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v.44, n.2, p.91-96, 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1080/10408690490424694. Acesso em: 18 de dezembro de 2019.

(6) QADIR, M. Imra. Medicinal and Cosmetological Importance of Aloe vera. International Journal of Natural Therapy, v.2, p.21-26, 2009. Disponível em: https://naturalingredient.org/wp/wp-content/uploads/01-Aloe-vera.pdf. Acesso em: 18 de dezembro de 2019.

(7) EDWARDS, Sarah E. et al. Phytopharmacy: An Evidence‐Based Guide to Herbal Medical Products. John Wiley & Sons, Ltd. 2015. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/book/10.1002/9781118543436. Acesso em: 18 de dezembro de 2019.

(8) RAJESWARI, R. et al. Aloe vera: The Miracle Plant Its Medicinal and Traditional Uses in India. Journal of Pharmacognosy and Phytochemistry, v.1, n.4, p.118-124, 2012. Disponível em: http://www.phytojournal.com/vol1Issue4/17.html. Acesso em: 18 de dezembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (Mtb-PE: 6770) com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio. Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.