Garra do diabo: para que serve e como fazer o chá

A erva garra do diabo (Harpagophytum procumbens) é uma planta medicinal de origem africana com propriedades anti-inflamatórias. Seu nome popular vem do formato de seus frutos, cheios de pontas e garras.

Segundo a nutricionista e fitoterapeuta Paula Soares, o efeito anti-inflamatório da planta é comprovado cientificamente e ela também possui efeito analgésico.

Folhas e flor de garra do diabo
A garra do diabo, na forma de chá, cápsula ou gel, alivia dores nas articulações e músculos (Foto: depositphotos)

“Os efeitos anti-inflamatórios desta planta aparecem rapidamente, porém a eficiência completa aparece, geralmente, somente após três semanas de tratamento”, diz a especialista.

Para que serve a erva garra do diabo?

De acordo com Paula, as principais indicações da garra do diabo são para doenças reumáticas, como: artrose, também conhecida como osteoartrite; artrite; tendinite e gota.

A planta também atua em casos de lombalgia, as famosas dores nas costas, especialmente a dor lombar aguda. (1)

Artrite e artrose 

Estudos mostram que o uso da garra do diabo reduz a dor e melhora o funcionamento físico de pessoas com osteoartrite. (2)

Paula cita um estudo de quatro meses que foi realizado com 122 pessoas com osteoartrite no joelho e quadril e que comparou a garra do diabo a um medicamento europeu para alívio da dor. (3)

“Os resultados foram extremamente positivos para a garra do diabo: os pacientes que tomaram a erva sentiram os mesmos efeitos que os pacientes que tomaram o medicamento, com a vantagem de experimentarem menos efeitos colaterais”, conta a fitoterapeuta.

Além desta pesquisa, uma análise de vários estudos sobre o uso da garra do diabo revelou que a erva também é eficaz para tratar artrite na coluna, quadril e joelho, além de diminuir a dor nas juntas. (4)

“Pessoas que tomam a garra do diabo podem diminuir as doses dos medicamentos que usam para dor, embora o estudo que oferece essa evidência tenha sido realizado usando um produto específico da raiz de garra do diabo em pó”, aponta Paula. 

Dor nas costas e pescoço

Paula afirma que o consumo da garra do diabo de forma oral parece ser capaz de diminuir a dor nas costas.

“Em um estudo com 63 pessoas com dor leve a moderada nas costas, pescoço ou ombros, tomar um extrato de garra do diabo ajudou a aliviar as dores”, diz. 

Em outro estudo, homens e mulheres com dor crônica na lombar que tomaram a garra do diabo relataram que precisaram de menos analgésicos e sentiram menos dor. (4)

“Em uma pesquisa publicada na revista Rheumatology, os efeitos da garra do diabo foram comparados ao de um anti-inflamatório por seis semanas. Os resultados mostraram que as pessoas que tomaram a garra do diabo tiveram os mesmos benefícios daquelas que tomaram o anti-inflamatório”, relata a profissional. 

Outros usos

Além desses benefícios comprovados, Paula aponta que muitos naturalistas também recomendam a garra do diabo para tratar irritação estomacal, perda de apetite, colesterol alto, dores musculares, enxaqueca, dores de cabeça, alergia e febre. 

“Preparos tópicos podem ser usados na pele para curar ferimentos, úlceras, bolhas e lesões. A garra do diabo também parece ter efeito no controle de diabetes, diminuindo os níveis de açúcar no sangue. Entretanto, esses usos da erva ainda não são comprovados”, ressalta a especialista. 

Garra do Diabo emagrece?

Algumas pessoas têm dúvidas se a garra do diabo auxilia no emagrecimento, mas a profissional diz que não existe nenhum artigo científico de fontes confiáveis que comprove que a erva tenha esse efeito.

Chá de garra do diabo: benefícios e como fazer 

O chá de garra do diabo é uma das formas de se consumir a erva e proporciona muitos benefícios para a nossa saúde.

“O chá de garra do diabo tem propriedades anti-inflamatórias, antipiréticas, antirreumáticas, sendo igual ou mais eficaz que alguns medicamentos químicos sintetizados pela indústria farmacêutica”, ressalta Paula.

Se consumido por um período de vários dias, o chá de garra do diabo também pode ser eficiente para melhorar os sintomas de distúrbios da parte superior do intestino delgado. (4)

A nutricionista ensina a preparar o chá: “Em ½ litro de água fervente, coloque 1 colher (de sopa) de tubérculos (raízes) picados e deixe amornar tampado. Coe e beba. Consumir de 2 a 3 xícaras de chá por dia, no intervalo das refeições”.

Também é possível consumir a erva do diabo através de cápsulas ou tintura. Paula indica ainda o uso do gel em alguns casos específicos, como: contusões, tendinites, dores nas costas, dor ciática, torcicolo e outras dores musculares.

Efeitos colaterais e contraindicações

Paula orienta que a garra do diabo é contraindicada para grávidas e lactantes, em casos de úlceras gastrointestinais, para alérgicos a planta, além de crianças menores de três anos. 

Apesar de serem raros, a profissional alerta ainda sobre alguns possíveis efeitos secundários do consumo da erva: “podem acontecer complicações gastrointestinais, como gastrite e dor de estômago; dores de cabeça; úlceras duodenais; alergias e alucinações”.

Por isso, ela recomenda sempre ler a bula do medicamento e consultar o farmacêutico ou um especialista antes de consumir qualquer tipo de planta medicinal. 

Esse texto foi feito com a colaboração da nutricionista clínica, ortomolecular, biofuncional e fitoterapia Paula Soares Ribeiro Jorge (CRN 06100565).

Referências

(1) Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Memento Fitoterápico. Farmacopeia Brasileira , 1ª Edição, 2016. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33832/2909630/Memento+Fitoterapico/a80ec477-bb36-4ae0-b1d2-e2461217e06b. Acesso em: 10/02/2020.

(2) VIEIRA, Amanda et al. Uso da Harpagophytum procumbens(Garra do Diabo) no tratamento da Osteoartrite: Uma revisão sistemática. Congresso Brasileiro de Ciências da Saúde – Conbracis. Disponível em: https://editorarealize.com.br/revistas/conbracis/trabalhos/TRABALHO_EV055_MD4_SA1_ID31_25042016211202.pdf. Acesso em: 10/02/2020.

(3) CHANTRE P. et al. Efficacy and tolerance of Harpagophytum procumbens versus diacerhein in treatment of osteoarthritis. Phytomedicine. 2000; 7(3): 177-183. Disponível em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S094471130080001X. Acesso em: 10/02/2020.

(4) Ministério da Saúde. MONOGRAFIA DA ESPÉCIE Harpagophytum procumbensDC. ex Meissn. (“GARRA-DO-DIABO”). 2015. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2016/fevereiro/05/Monografia-Harpagophytum.pdf. Acesso em: 10/02/2020.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

Mariana Keller
Jornalista (MTB-RJ: 36167), formada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela PUC-Rio e especialização em Jornalismo Cultural, pela UERJ. Como redatora web, escreve matérias sobre assuntos diversos. Também atua na área de marketing de conteúdo e produção audiovisual.