Ipê roxo: para que serve o chá da casca

Quando está florido, o ipê roxo encanta devido à exuberante beleza. Sua copa frondosa repleta de flores não é a única coisa que impressiona nessa árvore. Suas cascas podem ser usadas para fins medicinais, tratando gastrite, diabetes e câncer. Um verdadeiro elixir!

Também chamada de pau-d’arco, ela tem como nome científico o termo Tabebuia avellanedae  (ou Handroanthus impetiginosus). E, ao contrário do que muitos possam pensar, os benefícios não estão nas folhas ou flores, mas sim na parte externa do tronco.

Portanto, se você está curioso para saber como o ipê roxo funciona no organismo, acompanhe esse artigo. Aqui você encontra informações detalhadas sobre seu poder medicinal e suas principais características.

Para que serve ipê roxo?

Essa planta recebe da Anvisa e do Ministério da Saúde o respaldo de suas propriedades. Antioxidante, analgésica e antibacteriana são algumas delas. (1)

Ajuda no combate ao câncer

O poder anticancerígeno atribuído às cascas do ipê é resultante de três efeitos: a ação anti-proliferativa, antioxidante e antineoplásica. Em primeiro lugar, é possível dizer que a planta impede a proliferação celular de carcinoma, também conhecido como tumor maligno.

Já a atividade antioxidante auxilia o organismo no combate aos radicais livres, moléculas instáveis que em excesso podem causar a degradação de células sadias. Esse estresse oxidativo celular é um dos responsáveis por doenças degenerativas como o câncer, ou problemas na pele, a exemplo do envelhecimento precoce.

Por fim, o desempenho antineoplástico dessa erva, visando destruir neoplasmas ou células malignas. Além de auxiliar no processo de inibição do crescimento e dispersão de tumores. (1)

Impede o desenvolvimento de bactérias e fungos

Entre os diversos compostos dessa árvore, o lapachol é um dos mais importantes, pois atua como antibacteriano e antifúngico. Alguns estudos desenvolvidos no meio acadêmico já comprovaram, por exemplo, que o extrato das cascas de ipê bloqueia a proliferação bacteriana de Bacillus subtilis, Salmonella typhimurium e Candida albicans. (1, 2)

Além disso, lapachol, juntamente com outra substância chamada de β-lapachona, auxilia no combate a diferentes tipos de fungos filamentosos. Para quem não sabe, esses organismos são encontrados em águas poluídas e podem desencadear problemas respiratórios. (1)

Protege o sistema gastrointestinal

O extrato de Tabebuia acelera significativamente a cicatrização de úlcera gástrica. O que fez com que ganhasse o status de remédio natural para o tratamento de doenças gastrointestinais, lesões nessa mucosa e até mesmo gastrite. (1, 3, 4)

Auxilia na cicatrização

A literatura também comprovou os benefícios desse extrato no processo de cicatrização. Além de ser excelente no tratamento para coceiras, manchas na pele e queimaduras. Nesses casos, o mais recomendado é o uso de pomadas a base do ipê roxo, que são comercializadas em farmácias. (1, 2)

Diminui dores

Lembra do lapachol? Então, essa substância também tem ações anti-inflamatória e analgésica. Por essa razão, alivia as dores provocadas por inflamações a exemplo de problemas osteoarticulares, como artrite, artrose, reumatismo etc. E para usufruir dessas vantagens, basta usar o chá das cascas dessa árvore. (1, 2, 4, 5)

Fortalece o sistema imune

Também graças ao pode terapêutico do lapachol, o pau-d’arco pode ser utilizado como um imunoestimulante. Isso significa dizer que o produto natural reforça as ações do sistema imunológico, aumentando assim as defesas do organismo. (2)

Contribui com o tratamento de diabetes

A diabetes tipo 2 faz com que o pâncreas não produza insulina em quantidades suficientes, mas é essa substância que facilita a entrada de glicose nas células para ser transformada em energia, fazendo o mesmo com os triglicerídeos.

No entanto, níveis de triglicerídeos altos sinalizam uma resistência à insulina, provocando o excesso dessa substância e de açúcar no sangue. Isso faz com que o indivíduo fique a um passo da diabetes. (6)

Mas afinal, como ipê roxo pode ajudar? Pesquisas indicam que o extrato da casca dessa planta previne o aumento de triglicéridos. Com isso, as chances de ter diabetes diminui consideravelmente. (1)

Como fazer o chá de ipê roxo?

Ferva um litro de água e acrescente de 5 a 10 gramas das cascas secas de ipê. Deixe no fogo, com a panela tampada, por mais 5 minutos. Após esse tempo, coloque o líquido para descansar por até 20 minutos. Por fim, coe e beba o chá aos poucos ao longo do dia, de uma a três vezes. (2, 4)

Outras fórmulas

Além do chá, é possível usufruir dos benefícios de pau-d’arco de outras maneiras que podem ser encontradas em farmácias. Confira!

  • Extrato fluido: de 20 a 40 gotas, em até três vezes por dia
  • Tintura: de 50 a 100 gotas, também até três vezes
  • Pó: de 300 a 500 mg, de duas a três vezes ao dia
  • Extrato seco: de 200 a 300 mg, três vezes no dia
  • Pomada: aplicando em ferimentos, coceiras e manchas após uma limpeza na região afetada. (1, 2)

Efeitos colaterais e contraindicações

Altas doses de lapachol podem causar problemas gastrointestinais, como náuseas e vômitos. Por essa razão, é melhor seguir com a quantidade recomendada por dia dos diferentes remédios feitos com a planta. (5)

Já com relação às contraindicações, o Ministério do Meio Ambiente recomenda a não utilização em crianças, grávidas e mulheres que estejam no período da amamentação.

De todo modo, a utilização de remédios naturais ou sintéticos deve ser prescrita, orientada e acompanhada por especialista. A automedicação é perigosa.

Informações sobre a planta

Copa com flores do ipê roxo

As cascas do ipê roxo podem ser usadas em chá para evitar doenças, como a gastrite e a diabetes (Foto: depositphotos)

Taheebo, lapacho, pau d’arco roxo, peúva e caixeta são outras nomenclaturas utilizadas para se referir ao ipê roxo. Essa árvore é nativa das florestas tropicais e por isso pode ser encontrada nos Estados Unidos, na Argentina e nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Quando floresce, as copas ganham um tom de lilás, e o tamanho da árvore pode chegar até 40 metros.

Referências

(1) Ministério da Saúde e Anvisa. “Monografia da espécie Tabebuia avellanedae (Ipê roxo)“, Brasília, 2015. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/11/Monografia-Tabebuia.pdf. Acesso em: 24 de setembro de 2019.

(2) Florien. “Ipê roxo“, São Paulo, 2016. Disponível em: http://florien.com.br/wp-content/uploads/2016/06/IP%C3%8A-ROXO.pdf. Acesso em: 24 de setembro de 2019.

(3) PEREIRA, Isabela Tiemy; et al. “Efeito antiulceroso do extrato de casca deTabebuia avellanedae: ativação da proliferação celular na mucosa gástrica durante o processo de cura“, Phytotherapy Research, 2012. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/ptr.4835#. Acesso em: 24 de setembro de 2019.

(4) SHANLEY, Patrícia; MEDINA, Gabriel. “Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica“, Belém: CIFOR, Imazon, 2005. Disponível em: http://www.cifor.org/publications/pdf_files/books/bshanley1001/099_108.pdf. Acesso em: 24 de setembro de 2019.

(5) JANUÁRIO, Sônia Regina; LOPES, Sandra Silvério. “O poder terapêutico do ipê roxo e seu uso na terapia complementar ao tratamento de neoplasias“, Revista Brasileira Terapia e Saúde, 2014. Disponível em: http://www.omnipax.com.br/RBTS/artigos/v5n1/RBTS-5-1-2.pdf. Acesso em: 24 de setembro de 2019.

(6) “Triglycerides and diabetes“, WebMD. Disponível em: https://www.webmd.com/cholesterol-management/diabetes?ecd=wnl_dia_031217&ctr=wnl-dia-031217_nsl-promo-v_4&mb=voAu2w9N73u3p993LPWFqRXFE73IOX1c0OaTzBd4F8E%3d#1. Acesso em: 24 de setembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.