Guaçatonga: propriedades, para que serve e como usar

Você já ouviu falar em guaçatonga? Também conhecida em algumas regiões por erva-de-bugre, bugre-branco ou erva-de-lagarto, essa é uma planta medicinal nativa do Brasil e faz parte da medicina tradicional do país, tendo diversos usos.

Isso acontece porque a erva possui propriedades medicinais, sendo tradicionalmente utilizada para tratar problemas de úlceras gástricas, infecções, controle da pressão arterial, colesterol e da glicose no sangue.

Diante de tantos benefícios, ela é considerada uma erva de grande importância. Por essa mesma razão, trouxemos esse artigo com as principais propriedades e para que serve a planta de acordo com as últimas descobertas da ciência.

Continue lendo e descubra ainda como usá-la com segurança e quais os cuidados necessários que se deve ter. Confira!

Propriedades medicinais da guaçatonga

Entre as principais propriedades medicinais da guaçatonga estão as ações antioxidantes, antimicrobianas, antifúngicas, antivirais e diuréticas.(1)

Folhas de guaçatonga

Antioxidante, anti-inflamatória e cicatrizante são algumas das propriedades da guaçatonga (Foto: Eduardo Giehl | Reprodução UFRGS)

Mas vale ressaltar que a propriedade antioxidante é importante, pois ela é derivada de substâncias que impedem a produção e liberação de compostos conhecidos como radicais livres. Esses elementos, por sua vez, causam diversos danos e prejudicam o funcionamento normal do organismo.

Além disso, a erva apresenta propriedades anti-inflamatórias, anticâncer, analgésicas e cicatrizantes (2, 3, 4, 5, 6). Todas elas confirmadas e reconhecidas pela ciência.

Para que serve essa planta?

Você viu quais são as propriedades da guaçatonga, descubra a seguir oito usos da erva na medicina, confira!

Controlar a pressão arterial

Uma das indicações tradicionais para a guaçatonga é o controle da pressão arterial, que é derivado diretamente das propriedades diuréticas da planta.

Com isso, o corpo filtra melhor o sangue e consegue descartar o excesso de sal do organismo. Esse é um benefício bem semelhante ao efeito dos medicamentos sintéticos hipotensivos, que diminuem a pressão sanguínea.(1)

Melhorar a circulação

Outro benefício é a melhora da circulação sanguínea, que pode ser alcançado através do consumo do chá de guaçatonga.

Isso acontece porque a erva estimula o funcionamento cardíaco, melhorando a maneira como o sangue é bombeado para o resto do corpo.

Há ainda os efeitos hipotensores, que diminuem a pressão nas veias. Além disso, a guaçatonga, com sua ação diurética, melhora o funcionamento dos rins e isso também contribui com a circulação, uma vez que doenças renais são fatores que levam a problemas circulatórios.(1)

Tratar doenças infecciosas

Por causa das propriedades antibacterianas, antifúngicas e antivirais, a guaçatonga é considerada um poderoso remédio contra infecções, principalmente as que atingem a pele, como é o caso da herpes labial.

Os compostos fitoquímicos da erva agem impedindo que as colônias desses microrganismos consigam se desenvolver. Dessa maneira, ela é capaz de parar o ciclo e até mesmo impedir o surgimento das infecções.

Um exemplo disso é a capacidade da erva de impedir a proliferação e avanço do vírus causador da malária. Essa doença é bastante comum em algumas regiões do país e pode levar à morte. (1, 2)

Auxiliar o tratamento de úlceras gástricas

Outro uso bastante popular para as folhas da erva-de-bugre é no tratamento das úlceras gástricas. De acordo com as últimas descobertas científicas, a planta funciona para este fim por três motivos.

O primeiro deles é que a erva é rica em flavonoides, terpenos e cumarina, que são compostos fitoquímicos.

No organismo, essas substâncias atuam protegendo a mucosa estomacal dos danos causados pelo ácido produzido pelo estômago e, também, de bactérias que podem causar danos à região. (4)

Em segundo lugar, foi descoberto que a guaçatonga impede a liberação do ácido gástrico em excesso e de outras substâncias nocivas para o organismo. (2)

Por fim, as propriedades anti-inflamatórias da erva são responsáveis por ajudar na cicatrização e redução dos incômodos causados pelas úlceras, as pequenas feridas formadas nos casos em que a doença já está em estágio avançado. (3)

Reduzir o colesterol

Além de reduzir a pressão arterial e melhorar a circulação, a guaçatonga é ainda ótima para diminuir as taxas de colesterol ruim no sangue.

O LDL, como também é chamado, é um tipo de gordura que pode se acumular nas artérias e aumentar os riscos de acidentes vasculares.

Além disso, a erva também consegue reduzir os triglicerídeos, outro tipo de gordura que em excesso faz mal para o organismo. (2)

Reduzir os níveis de glicose no sangue

Outra função da guaçatonga é diminuir as taxas de glicose no organismo. Por exemplo, em algumas partes do sudeste asiático, onde a planta também é encontrada, ela é utilizada como um medicamento tradicional para diabetes.

Isso acontece porque as folhas da erva são ricas em substâncias que conseguem reduzir esse açúcar de maneira natural, principalmente por aumentar o gasto energético do corpo.

Na prática, o que acontece é que o corpo passa a usar mais desse açúcar, que é uma fonte de energia. Assim, retira todo o excesso que fica circulando pela corrente sanguínea de quem sofre com diabetes mellitus. (2)

Ajudar na perda de peso

Além de todos esses benefícios, o chá de guaçatonga também serve como potencializador do processo de emagrecimento.

Tudo isso graças ao conjunto de três dos seus vários efeitos, são eles: ação diurética, redução de glicose e controle do colesterol.

Por exemplo, a ação diurética da infusão ajuda a diminuir o inchaço, que é bem comum em pessoas acima do peso. (1)

Já a redução dos níveis de glicose e colesterol também favorece a perda de peso, pois reduz a vontade de comer produtos açucarados e diminui o acúmulo de gordura nos órgãos e músculos. (2)

Tudo isso, aliado à uma alimentação balanceada e à prática de exercícios físicos, pode fazer com que você perca peso de maneira saudável e constante. Mas, claro, não existe milagre, sendo necessário ter disciplina na dieta.

Auxiliar no tratamento de picadas de insetos e cobras

Por fim, a guaçatonga também pode ser usada para aliviar os incômodos causados pelas picadas de insetos.

Isso acontece porque as substâncias encontradas na planta são capazes de neutralizar elementos tóxicos dos venenos de alguns animais, como abelhas.

Além disso, a erva é utilizada pela medicina tradicional em picadas de cobra. De acordo com a ciência, essa prática faz sentido, pois a erva-de-bugre inibe os efeitos de algumas toxinas e enzimas encontradas nos venenos de algumas espécies de cobras e de insetos, impedindo hemorragias. (2, 4)

No entanto, a erva nunca deve ser utilizada para este fim sem o acompanhamento médico.

Portanto, ao ser picado por algum animal, é importante procurar atendimento de urgência, para que seja aplicado o soro específico para cada tipo de toxina.

Como usar a erva corretamente?

Com a guaçatonga é possível preparar receitas diferentes, dependendo da necessidade. Confira a seguir os métodos mais comuns de uso:

  • Infusão: acrescentar 4 gramas (1 colher de chá) das folhas em 200 ml de água fervente e deixar por alguns minutos. Beber duas ou três xícaras ao dia, sem adoçar
  • Compressa: tratamento feito a partir da água do cozimento das folhas. Para isso, basta aplicar diretamente na área afetada pelas picadas de insetos por alguns minutos
  • Tintura: macerar as folhas de guaçatonga com álcool e aplicar em lesões, como aftas e herpes labial.
Pé de guaçatonga

As folhas da erva podem ser utilizadas como chá, compressa ou tintura (Foto: Juliana Gonçalves | Reprodução UFRGS)

Onde encontrar a guaçatonga?

A guaçatonga pode ser encontrada em feiras livres e lojas de produtos naturais. A erva seca, pronta para o preparo do chá, também é comercializada em lojas virtuais e físicas de produtos fitoterápicos.

Como identificar?

A guaçatonga (Casearia sylvestris) é nativa das zonas tropicais do continente sul-americano e pode ser encontrada desde o norte até a região sul do Brasil.

Ela é um arbusto que pode alcançar entre 3 a 4 metros de altura e tem como uma das principais características um tronco pequeno, com casca lisa e de coloração escura. ,

Já as folhas da erva são ovaladas, em um tom de verde vibrante e com alguns pontos e traços translúcidos. (1)

Existem contraindicações para o uso?

Mulheres grávidas não devem consumir a infusão ou tintura de guaçatonga, devido aos riscos de má formação para o feto. Da mesma forma, é necessário evitar a erva durante a amamentação.

Além disso, não é indicado que a planta seja usada por longos períodos, pois ela pode diminuir os níveis de vitamina K do organismo, aumentando os riscos de acidentes hemorrágicos.

Portanto, o consumo do chá não deve ultrapassar as três xícaras por dia.

Referências

(1) SILVA, Rodrigo Adalberto da. “Casearia sylvestris Sw.: uma planta brasileira de interesse do SUS”. 2016. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/18486. Acesso em 29 de junho de 2019.

(2) XIA, Li et al. “The genus Casearia: a phytochemical and pharmacological overview”. Phytochemistry Reviews, v.14, n.1, p.99-135, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11101-014-9336-6. Acesso em 29 de junho de 2019.

(3) ESTEVES, Iracema et al. “Gastric antiulcer and anti-inflammatory activities of the essential oil from Casearia sylvestris Sw”. Journal of Ethnopharmacology, v.101, p.191-196, 2005. Disponível em: https://bdpi.usp.br/item/001500203. Acesso em 29 de junho de 2019.

(4) FERREIRA, Paulo Michel P. et al. “Folk uses and pharmacological properties of Casearia sylvestris: a medicinal review”. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v.83, n.4, p.1373-1384, 2011. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0001-37652011005000040. Acesso em 29 de junho de 2019.

(5) DE MATTOS, E. S. et al. “Evaluation of antinociceptive activity of Casearia sylvestris and possible mechanism of action”. Journal of Ethnopharmacology, v.112, p.1-6, 2007. Disponível em: http://europepmc.org/abstract/med/17399925. Acesso em 29 de junho de 2019.

(6) ALVES, José Edgard de Oliveira; MEDEIROS, José Augusto Piedade de; CATELLI, Marcelo Flores. “Avaliação da ação cicatrizante da guaçatonga (casearia sylvestris Sw.) em feridas experimentalmente induzidas em camundongos”. Nucleus Animalium, v.8, n.1, p.15-20, 2016. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/315590804_Avaliacao_da_acao_cicatrizante_da_guacatonga_Casearia_sylvestris_Sw_em_feridas_experimentalmente_induzidas_em_camundongos. Acesso em 29 de junho de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (Mtb-PE: 6770) com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio. Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.