Vitamina D3: para que serve e onde encontrar?

De acordo com a nutricionista Janiele da Silva Rodrigues, a vitamina D3, também chamada de colecalciferol, desempenha um papel importante na formação de ossos e dentes saudáveis. Mas além disso, esse nutriente possui outros benefícios para o organismo.

“A vitamina D tem funções parácrinas, mantendo a imunidade, a função vascular e a saúde de cardiomiócitos, o que reduz a inflamação e a resistência à insulina”, explica a especialista em nutrição.

Todos esses efeitos positivos podem ser alcançados através da exposição regular ao sol e por meio da ingestão de alguns alimentos. No entanto, a falta dessa vitamina no organismo ainda é muito comum na população mundial, chegando a atingir pelo menos 1 bilhão de pessoas. (1)

Por essa razão, há outra maneira de conseguir a D3 e garantir a saúde do corpo: utilizando a forma manipulada dessa vitamina. De acordo com a necessidade do paciente, um nutricionista deve recomendar as doses apropriadas. Entenda mais sobre esse assunto!

Para que serve a vitamina D3?

Entre as principais funções da vitamina D3 está a de manter o equilíbrio do cálcio e do fósforo no organismo. Sendo assim, ela é vital no crescimento ósseo, no funcionamento normal do sistema nervoso e na manutenção da densidade óssea.

Mão segurando vitamina D3

As principais funções dessa vitamina são o fortalecimento e desenvolvimento dos ossos (Foto: depositphotos)

Falando em ossos, é importante frisar a importância da D3 no crescimento das crianças e na remodelação dos ossos nos adultos. Isso porque, a presença dessa vitamina ajuda a evitar deformidades, dores, fraturas e osteoporose.

Outros dois papeis dessa substância são a proteção da pele no tratamento contra psoríase e o efeito modulador do sistema imunológico. Segundo alguns estudos, há uma relação entre a deficiência da vitamina e o surgimento de doenças autoimunes, como diabetes, esclerose múltipla, artrite reumatoide, lúpus e doença inflamatória intestinal. (2)

Outros benefícios da D3 você pode conferir nos próximos tópicos!

Ajuda a prevenir e a tratar o câncer

A presença dessa vitamina no organismo se mostrou uma importante aliada na luta contra o câncer, pois ela regula a proliferação das células tumorais. Entre os tipos de câncer estão o de próstata, seio e cólon, nos quais a substância age na prevenção. Já no caso da leucemia, o colecalciferol funciona melhor como tratamento. (2,3)

Prevenção de doenças cardiovasculares

Os hipertensos podem usufruir da D3 para cuidar da saúde cardiovascular, pois ela ajuda a regular as funções do músculo cardíaco. Assim, pode ser a chave para a prevenção de problemas como infarte e hipertensão. (2,3)

Tratamento e prevenção da diabetes mellitus

Pacientes com diabetes tipo 1 também podem se beneficiar com esse nutriente, tendo em vista que ele estimula a secreção de insulina do corpo. Além disso, a ingestão da vitamina D e de cálcio também tem contribuído com a redução do risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. (2,3)

Prevenção e/ou retardo da artrite

Um estudo feito com mais de 29 mil mulheres mostrou que quanto maior a ingestão de colecalciferol, menos chance a paciente tem de apresentar artrite. Esse tipo de vitamina consegue evitar ou retardar o desenvolvimento desse problema, como aconteceu em um outro estudo feito com 19 pessoas.

Nesse último caso, 89% dos pacientes apresentaram melhorias na intensidade dos sintomas. (4)

O que causa a falta de vitamina D3?

Segundo a nutricionista Janiele Rodrigues, a carência dessa vitamina pode ocorrer em indivíduos que tenham baixa qualidade na alimentação ou que não fiquem expostos ao sol da maneira apropriada.

Dieta vegetariana, medicamentos (anticonvulsivantes, antirretrovirais, antifúngicos e glicocorticoides), síndromes de má absorção intestinal e obesidade também têm relação com a falta de vitamina D, chamada cientificamente de hipovitaminose D. (1)

Já com relação aos problemas que podem surgir devido à ausência desse nutriente, a especialista em nutrição afirma que vai depender da fase de vida do paciente. Isso porque, a falta de vitamina D pode ser sentida de diferentes maneiras na infância, fase adulta ou velhice.

“As crianças podem sofrer de raquitismo (deformidades ósseas, nas costelas, e nos ossos da perna), em adultos sua carência pode desencadear osteomalácia (desmineralização da matriz óssea) e em casos mais graves, principalmente em idosos, pode ocorrer osteoporose”, explica a profissional.

Mão pressionando o joelho

A insuficiência de vitamina D3 pode acarretar em dores no corpo (Foto: depositphotos)

Os baixos níveis desse nutriente no corpo também podem afetar os dentes, deixando-os mais suscetíveis à cáries, pois causam descalcificação nas estruturas dentárias.

Além disso, outros sinais podem surgir como uma maior incidência de infecções, irritação, letargia, agravamento de doenças crônicas (artrite reumatoide), dores generalizadas, e em particular na região lombar, muscular e óssea. (3)

“A falta dessa vitamina pode desencadear inúmeras consequências, como: fraqueza e aumento de fratura muscular e óssea, fadiga, hipertensão, inflamação e dor nos dentes, aumento do ganho de peso corporal, doenças infecciosas e o aumento de canceres comuns”, alerta Janiele.

25-hidroxi: exame para saber os níveis dessa substância

O exame de sangue vai revelar as dosagens de 25-hidroxi, indicando se há ou não a deficiência de vitamina D3 no organismo. Com a tabela abaixo você entende melhor sobre os níveis séricos dessa substância no corpo (5):

Vitamina D3: onde encontrar e como tomar

Existem três formas de garantir a vitamina D3 no organismo. A primeira delas, e a mais importante, é a síntese cutânea. “É recomendado a exposição ao sol na parte da manhã até as 10h e ao fim da tarde após as 16h, de no mínimo 15 minutos”, afirma Janiele.

A segunda maneira é através de alimentos ricos na vitamina e, por último, a suplementação. Confira a seguir os valores de ingestão diária recomendada pela Dietary Reference Intakes (DRIS), citados por Janiele Rodrigues:

  • Lactentes: 10 mcg (400UI)
  • Crianças e adolescentes: 15 mcg (600UI)
  • Adultos (homens e mulheres): 15 mcg (600UI)
  • Adultos com mais de 70 anos (homens e mulheres): 20 mcg (800UI)
  • Gestantes: 15 mcg (600UI)
  • Lactantes: 15 mcg (600UI).

Alimentos ricos em colecalciferol

“A vitamina D existe naturalmente nos produtos de origem animal, como: lácteos, gema de ovo, manteiga, pescados gordos ou óleos de peixe (arenque, sardinha e atum) e salmão”, cita a nutricionista.

Sendo assim, vegetarianos e veganos podem apresentar a ausência da D3 no organismo. Mas, em contato com um profissional de nutrição, o paciente pode receber orientações claras e específicas sobre a suplementação dessa vitamina.

Vitamina manipulada

Apesar de existir a suplementação, a nutricionista afirma que o ideal é aderir à uma mudança completa nos hábitos alimentares. Só assim a vitamina manipulada pode ser introduzida na vida do paciente, tanto em forma de cápsulas como em gotas.

Além disso, a automedicação não é recomendada, pois só um profissional de nutrição está habilitado para receitar a quantidade essencial em cada caso clínico. Ao contrário do que se possa imaginar, a vitamina em excesso pode ser tóxica.

“A ingestão excessiva dessa vitamina pode desencadear toxidade como: cefaleia, anorexia, náuseas, sede e emagrecimento, se não for corrigida pode desencadear calcificação óssea excessiva e hipercalcemia (calcificação dos tecidos moles)”, alerta a nutricionista Janiele Rodrigues.

Relação entre a D3 e K2

A vitamina D3 precisa da K2 para se fixar no organismo de forma mais eficaz. Só assim ela consegue desempenhar suas funções no corpo e trazer benefícios para a saúde do paciente.

“A vitamina K2 está presente em origem animal e vegetal, como: vegetais verdes folhoso, leite e derivados”, cita a especialista em nutrição.

Confira a seguir os valores de ingestão diária de K2 recomendados pela DRIS e mencionados por Janiele Rodrigues em entrevista para o Remédio Caseiro:

  • Lactentes: 2,0-2,5 mcg/dia dependendo da idade
  • Crianças jovens: 30-55 mcg/dia dependendo da idade
  • Crianças mais velhas e adolescentes: 60-75 mcg/dia dependendo da idade
  • Adultos: 90-120 mcg/dia dependendo do sexo
  • Gestantes: 75-90 mcg/dia dependendo da idade
  • Lactantes: 75-90 mcg/dia dependendo da idade.

O que é a vitamina D3?

Mesmo diante de tudo que já foi explicado, algumas pessoas podem ficar confusas com relação ao significado da vitamina D3. Por isso, é importante lembrar que essa é uma das duas formas da vitamina D.

O tipo D3 divide o protagonismo com a vitamina D2, também chamada de ergocalciferol. Enquanto o colecalciferol é proveniente de fontes animais, a D2 é encontrada em plantas e fungos. E embora definidas como vitaminas, essas substâncias são consideradas tipos de pró-hormônios.

Mas mesmo diferentes, essas substâncias são transportadas para o fígado pela proteína ligadora da vitamina D. No organismo, esse nutriente está envolvido em muitos processos fisiológicos, como vimos no decorrer desse artigo. (1)

Portanto, caso você ainda tenha dúvidas sobre para que serve ou onde encontrar a vitamina D3, é recomendado consultar um nutricionista. Desta forma, você consegue evitar e tratar diversas doenças e problemas de saúde.

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista Janiele da Silva Rodrigues (CRN6 22785/P).

Referências

(1) Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Hipovitaminose D em pediatria: recomendações para o diagnóstico, tratamento e prevenção“. Guia Prático de Atualização – Departamento Científico de Endocrinologia, 2016. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/12/Endcrino-Hipovitaminose-D.pdf. Acesso em 30 de maio de 2019.

(2) PETERS, Barbara Santarosa Emo; MARTINI, Lígia Araújo. “Funções plenamente reconhecidas de nutrientes Vitamina D“. International Life Sciences Institute Brasil, 2ª edição revisada, 2014. Disponível em: https://ilsi.org/brasil/wp-content/uploads/sites/9/2016/05/artigo_vitamina_d.pdf. Acesso em 30 de maio de 2019.

(3) PINHEIRO, Tânia Marisa Macedo. “A importância clínica da vitamina D“. Universidade Fernando Pessoa – Faculdade de Ciências da Saúde, Porto-Portugal, 2015. Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5301/1/PPG_27959.pdf. Acesso em 30 de maio de 2019.

(4) MARQUES, Cláudia Diniz Lopes; et al. “A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes“. Revista Brasileira de Reumatologia, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbr/v50n1/v50n1a07.pdf. Acesso em 30 de maio de 2019.

(5) SCHUCH, Natielen Jacques; GARCIA, Vivian Cristina; MARTINI, Lígia Araújo. “Vitamina D e doenças endocrinometabólicas“. Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (FSP/USP), São Paulo, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abem/v53n5/15.pdf. Acesso em 30 de maio de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.