Saiba quais são os benefícios do vinagre de arroz para sua saúde

Esse ingrediente é típico do Japão e mais saudáveis que outras versões

Você sabia que o vinagre de arroz traz benefícios para sua saúdeUsado principalmente como condimento, o vinagre é um alimento milenar. Há aproximadamente 5 mil anos, egípcios, babilônios, indianos, persas e gregos já conheciam a arte de fabricação e a versatilidade do vinagre.

Segundo a ANAV, Associação Nacional das Indústrias do Vinagre, ele pode ser feito a partir de qualquer fruta ou cereal que contenha açúcar. Eles sofrem um processo de fermentação por leveduras e bactérias, onde os açúcares naturais são transformados em álcool, que depois é convertido em ácido acético.

Existem diversos tipos de vinagre, uns já bastante conhecidos e utilizados na culinária; e outros mais exóticos, como o vinagre de arroz. Muito usado na Ásia, principalmente no Japão, ele é produzido a partir da fermentação do arroz, com uma fabricação muito semelhante ao saquê. É muito utilizado pelos orientais como tempero nos alimentos e como medicamento natural, especialmente para prevenir doenças. Tem um gosto mais suave, é ligeiramente adocicado, sendo uma das versões mais saudáveis e benéficas deste produto.

Benefícios do vinagre de arroz

De forma geral, todos os tipos de vinagre tem poucas calorias e podem oferecer benefícios, como ajudar a estabilizar o açúcar no sangue e reduzir o apetite. Mas, o vinagre de arroz, especificamente, pode trazer ainda mais vantagens para a nossa saúde.

Vinagre de arroz em tigela

Feito a partir da fermentação do arroz polido, esse vinagre inibe o câncer de pele (Foto: depositphotos)

De acordo com a nutricionista, mestre em ciência e tecnologia de alimentos, Fabíola Marques, o vinagre de arroz originalmente japonês é chamado de Kurosu e é resultante da fermentação do arroz não polido, ou seja do arroz integral. “Ele é tradicionalmente produzido no Japão e é caracterizado por um conteúdo maior de aminoácidos e ácidos orgânicos do que outros vinagres. Atualmente, este tipo de vinagre tem sido associado à melhoria na fluidez do sangue, com conseqüente prevenção de hipertensão arterial”, afirma ela.  

Fabíola conta ainda que um estudo realizado por um pesquisador japonês, no ano de 2.000, comparou a atividade oxidante do vinagre de arroz com outros tipos do produto, como o vinagre de maçã e o vinagre de vinho, através de seus extratos. Observou-se que o Kurosu apresentou maior atividade antioxidante, maior efeito inibidor do estresse oxidativo e também ação antitumoral.

“Nesse mesmo estudo foi observado que o extrato de vinagre de arroz atuou como um potente inibidor de uma enzima presente na pele, que estimula a formação do ácido hipocloroso, que é altamente tóxico, mutagênico e cancerígeno. Assim, o extrato de Kurosu atuou também como mediador dos radicais livres, ajudando a prevenir o câncer de pele”, acrescenta Fabíola.

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Segundo a ANAV, os aminoácidos e ácidos orgânicos presentes no vinagre de arroz queimam substâncias nocivas ao organismo, como o dióxido de carbono. Eles decompõem o ácido láctico e, em consequência, ativam o metabolismo, ajudam na digestão e retardam o envelhecimento. Também ajudam a controlar os níveis de colesterol, melhorando o sistema cardíaco e fortalecendo naturalmente o sistema imunológico.

Tipos de arroz

Como já explicado pela Fabíola, o vinagre de arroz original japonês é feito com arroz integral, ingrediente que deixa esse tipo de vinagre ainda mais saudável. O vinagre feito diretamente do arroz integral possui até cinco vezes a quantidade de aminoácidos do que os vinagres convencionais.

Porém, esse tipo de vinagre também pode ser feito com outros tipos de arroz. Pode ser feito com o arroz branco comum que, assim como o integral, produz um vinagre incolor ou meio amarelado. Também é possível fazer com vinho de arroz, mas esse método diminui bastante as suas propriedades. Inclusive, a profissional recomenda: “a maior parte do vinagre japonês comercial é feita a partir de restos de vinho arroz. Dê preferência às marcas que produzam o vinagre diretamente do arroz integral ou que sejam feitos de forma artesanal”.

Além desses, pode ser feito com tipos de arroz mais exóticos, como o arroz preto e o arroz vermelho, ambos de origem chinesa. O preto possui uma coloração preta natural e é muito nutritivo, superando até mesmo o arroz integral em algumas propriedades. O arroz preto tem cerca de 30% mais fibras que o arroz integral e também cerca de 20% a mais de proteína. Além de ser riquíssimo em magnésio, mineral fundamental para a fixação do cálcio nos ossos.

Arroz cru numa tigela

Os aminoácidos e ácidos orgânicos presentes no vinagre de arroz queimam substâncias nocivas ao organismo (Foto: depositphotos)

Já o arroz vermelho tem como principal benefício ajudar a reduzir o colesterol. A cor avermelhada é devido ao seu alto teor do antioxidante antocianina, que também está presente em frutas e legumes vermelhos ou roxos. Além disso, ele também é um grão integral com alto valor nutritivo, rico em nutrientes como ferro e fibras.

Como consumir vinagre de arroz?

O vinagre de arroz é usado largamente na culinária japonesa, principalmente no preparo do shari, o arroz para sushi. No Brasil, é comumente utilizado para temperar saladas e legumes, além de ser usado em pratos agridoces. Sua acidez é mais leve que outros tipos de vinagre.

“A utilização do vinagre de arroz na alimentação pode ocorrer nas formas de condimento, além de apresentar bastante utilidade como amaciante de carnes temperadas e legumes em conservas”, diz Fabíola.

O vinagre de arroz também pode ser usado como remédio caseiro para tratar problemas da pele, fazendo compressas no local a ser tratado, com um pouco desse vinagre fervido junto com água. De qualquer forma, é sempre bom consultar um médico antes de realizar esse procedimento.

Outros tipos de vinagre

Além do vinagre de arroz, conheça um pouco mais sobre outros tipos desse condimento:

  • Vinagre de álcool: é obtido pela fermentação acética de uma mistura hidroalcoólica, originária do álcool etílico potável, sendo o mais forte de todos. Ele apresenta poucos nutrientes e é utilizado mais em conservas. Também é um forte aliado para a limpeza da casa.

 

  • Vinagre balsâmico: é o mais nobre de todos os tipos e, por isso, é muito utilizado na culinária sofisticada. É o vinagre feito de vinho tinto, composto com extratos de madeira, taninos, ácidos naturais de uva, podendo ter ainda adição de aromas de frutas ou mel. É utilizado tanto em pratos salgados, quanto doces, por ter um sabor levemente agridoce.

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  • Vinagre de vinho: elaborado a partir da fermentação acética do vinho tinto ou branco. São vinagres mais puros, pois são feitos 100% com vinho, tendo em sua composição os nutrientes da uva. É utilizado para temperar saladas e carnes. O vinho tinto, especialmente, é rico em flavonoides, reduz o colesterol e diminui o risco de infarto e derrame.
  • Vinagre de frutas: É o vinagre proveniente da fermentação do suco de frutas, sendo a maçã a mais comum. Assim como os vinagres de vinho, estes também são puros e carregam em sua composição os valores nutricionais das frutas de onde foram originados. Utilizados em temperos e, em alguns casos, como auxiliares em dietas nutricionais e prevenção de doenças.
  • Vinagre de mel: obtido pela fermentação do mel de abelha puro. Usado para elaboração de doces e xaropes e como auxiliar em dietas nutricionais, por conter os nutrientes do próprio mel.
  • Vinagre aromatizado ou condimentado: são adicionados de vegetais, extratos aromáticos, sucos e condimentos. São vinagres mais elaborados e com sabor mais marcante, ideal para a elaboração de temperos mais fortes.

*Informações sobre a especialista entrevistada

Fabíola Marques
Nutricionista
Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás, UFG
Especialista em Microbiologia e Higiene de Alimentos pela Universidade Católica de Goiás.
Fiscal Sanitário Nutricionista do município de Anápolis
Professora assistente das instituições Faculdade Anhanguera de Anápolis e Unievangélica, Centro Universitário de Anápolis

Sobre o autor

Jornalista (MTB-RJ: 36167), formada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela PUC-Rio e especialização em Jornalismo Cultural, pela UERJ. Como redatora web, escreve matérias sobre assuntos diversos. Também atua na área de marketing de conteúdo e produção audiovisual.