Pressão baixa ou hipotensão: sintomas e o que fazer

Tontura, mal estar e até mesmo desmaios podem ser sintomas da hipotensão, mais conhecida como pressão baixa. Contudo, nem todas as pessoas que apresentam essa condição vão demonstrar esses ou outros sinais.

Outro detalhe importante é que todas as pessoas podem apresentar a pressão arterial mais baixa que o normal. Apesar disso, ela é mais comum durante a gravidez.

Médico aferindo a pressão de paciente

A pressão baixa é muito comum em pacientes gestantes e idosos (Foto: depositphotos)

De acordo com o médico cardiologista, Waldir Tenório, tanto a pressão baixa como a hipertensão (pressão alta) são situações importantes e graves. No entanto, a hipotensão ocorre de forma mais pontual.

Sintomas da pressão baixa

“Os principais sintomas de hipotensão, nos casos mais leves, seriam tontura, sudorese, mal-estar, náuseas e vômitos. Em situações mais abruptas podem ocorrer desmaios”, explica o cardiologista.

Segundo o médico, a perda da consciência pode ocorrer pois o organismo não tem pressão suficiente para enviar sangue até os órgãos vitais, como o encéfalo, o coração e os rins.

Waldir Tenório também alerta para outros quadros como, por exemplo, a dificuldade em realizar movimentos de forma rápida. Além disso, a medida em que a pressão arterial abaixa, o paciente pode até mesmo perder a memória.

O que pode causar queda de pressão?

Existem diversos fatores que podem levar um paciente a apresentar hipotensão e um deles é a alta temperatura. Assim como também a falta de água no organismo, chamada de desidratação.

Outra situação bem comum, de acordo com o cardiologista, ocorre em pacientes que perdem sangue muito rapidamente, como em casos de acidentes, onde há rupturas de grandes vasos, ou cirurgias.

A queda da pressão arterial também é frequente durante episódios de vômitos. Inclusive, nessas situações, é comum que os pacientes fiquem com a pele esbranquiçada e relatem o sentimento de tontura.

“Uma outra hipotensão bastante comum é a hipotensão postural, o paciente levanta de forma abrupta e o seu sistema regulatório de pressão não está funcionando corretamente, então promove uma queda da pressão. Esse tipo é muito comum em pacientes idosos, que levantam muito rápido, podendo promover quedas e trazer riscos à saúde”, complementa Tenório.

Alguns distúrbios cardíacos podem prejudicar a pressão como o ataque cardíaco, taquicardia e arritmia. Certos medicamentos (diuréticos ou antidepressivos), álcool, doenças de Parkinson e até mesmo reações alérgicas podem ser outras causas para o problema. (1)

Hipotensão na gravidez

De acordo com o ginecologista, obstetra e percursor do Parto sem Medo, Alberto Guimarães, as grávidas tendem a ter uma pressão arterial mais baixa do que elas teriam fora da gravidez. Ou seja, a gestação naturalmente pode causar a hipotensão.

“Isso ocorre pelas modificações que acontecem no organismo em função da gestação, principalmente no útero”, conta o médico. Ele ainda explica que a placenta funciona como uma grande retentora de água, onde existe um aumento da circulação sanguínea. “Essa quantidade de sangue que é absolvida na placenta faz com que reduza a pressão”, completa.

Mas o ginecologista tranquiliza informando que a queda da pressão arterial em grávidas geralmente não passa de um reflexo da gestação. Segundo Guimarães, trata-se de apenas uma mudança das sensações.

Por exemplo, a pessoa de repente pode ter uma sensação de tontura, as vistas podem ficar meio turvas, as vezes tem uma aceleração do coração, mas são indícios que servem para compensar a baixa da pressão.

No entanto, desmaios e perda dos sentidos devem ser sinais de alerta. “Isso não é considerada uma pressão baixa só pelo fato de estar grávida, pode ser que tenha outro fator associado”.

Nesses casos, é necessário que a paciente procure um médico o mais rápido possível. “No geral, é um sintoma que dá um certo desconforto, mas não tende a ser nenhum sintoma de gravidade. O que é exatamente o oposto da pressão alta na gravidez ou pré-eclâmpsia. O aumento de pressão na gestação requer um cuidado especial, as vezes medicação, as vezes outros procedimentos por conta desse aumento de pressão”, finaliza.

O que fazer para normalizar a pressão baixa?

O cardiologista Waldir Tenório recomenda deitar o paciente no chão e elevar as pernas durante 10 ou 15 minutos. Com essa técnica, o retorno venoso ocorre de forma mais rápida e objetiva, fazendo com que a pressão volte a se normalizar.

“Uma das coisas que se pode fazer ao sentir a tontura ou a vista escurecer é sentar. Senta e observa que daqui um pouco já melhora”, aconselha Alberto Guimarães.

Para o ginecologista, evitar a mudança brusca de posição é uma maneira simples de prevenir a queda da pressão arterial. Nesse sentido, se a gestante (idoso ou qualquer paciente) estiver deitada, é necessário que ela sente na cama antes de levantar.

Outra dica é tentar olhar para pontos fixos e só depois ficar de pé. “É preciso dar tempo para que o corpo se adapte a mudança da posição, isso pode ser um hábito, um cuidado que leva a evitar os efeitos da hipotensão”, indica o obstetra.

Dicas para evitar esse problema

Para o cardiologista, a fórmula perfeita para evitar as baixas da pressão arterial é somando a prática regular de exercícios físicos com uma alimentação de qualidade.

A escolha dos exercícios vai depender do preparo físico e do estado de saúde do paciente. Mas, uma boa dica é adotar a caminhada, de quatro a cinco vezes por semana, durante uma hora cada.

“Seria um exercício físico muito bom para a gente melhorar o desenvolvimento e a resistência do coração e ainda promove um bom sistema circulatório, evitando a hipotensão e também a hipertensão, pois ele atua nas duas faces”, aconselha Tenório.

Além disso, a alimentação deve ser variada, completa e saudável. Por essa razão, o médico recomenda comer sempre folhas verdes, legumes, verduras e frutas, principalmente as frutas da região e da época.

Já no caso das gestantes, essas recomendações também se aplicam, mas com um adendo com relação à alimentação. “Evitar ficar por tempos prolongados sem comer alguma coisa, pois a grávida precisa ter níveis de açúcar mais ou menos constantes. Então, precisa ter uma alimentação fracionada, comer de pouquinho e várias vezes”, afirma o ginecologista Alberto Guimarães.

Dúvidas frequentes sobre hipotensão

Pedimos para que o cardiologista Waldir Tenório explicasse algumas das principais dúvidas sobre esse tema. Acompanhe as respostas a seguir!

1. Quando a pressão arterial é considerada baixa?

“A pressão arterial é considerada normal quando nós temos valores entre 90 mmHg por 60 mmHg e 139 mmHg por 89 mmHg. Em caso de hipotensão, a pressão é abaixo de 9 [90] por 6 [60]“, explica o cardiologista.

2. Existe chá para baixar pressão?

Segundo o médico, algumas bebidas podem promover a hipotensão pois são diuréticas, como é o caso do chá de gengibre ou de chuchu. Geralmente, são utilizadas por pacientes que possuem hipertensão (pressão alta).

“Usar alguns produtos naturais sempre vale a pena. Mas não necessariamente usar tentando de forma aleatória substituir os medicamentos passados pelo cardiologista. Eles vão entrar como um coadjuvante, uma ajuda muito boa para que a gente possa ter uma queda de pressão, principalmente em pacientes hipertensos”, alerta o especialista.

3. Pressão baixa pode matar?

Waldir Tenório explica que a grande vilã é a hipertensão, pois é um problema de saúde muito sério e que pode causar graves sequelas na vida do paciente.

Apesar disso, o médico não minimiza os danos que a pressão baixa pode ocasionar no bem-estar das pessoas, principalmente das que estão na terceira idade. “A hipotensão postural em idosos é uma das grandes causas de quebra de fêmur e de fraturas ósseas“, revela.

Na realidade, a queda da pressão é especialmente perigosa para pessoas que moram sozinhas. Segundo o cardiologista, se o problema não for revertido, o paciente pode continuar com a hipotensão e os desmaios, um dos sintomas, podem interferir na busca por ajuda.

“O que pode ocorrer é a morte, porque o paciente permanece inconsciente e não consegue pedir ajuda, morrendo por hipotensão, pois não chega sangue nos órgãos vitais”, adverte.

*Artigo feito com a colaboração do médico cardiologista Waldir Tenório (CRM-PE 22103) e do ginecologista, obstetra e percursor do Parto sem Medo, Alberto Guimarães (CRM-SP 66026).

Referências

(1) PROCTER, Levi D. “Pressão arterial baixa”. Manual MSD. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/hipotens%C3%A3o-arterial-e-choque/press%C3%A3o-arterial-baixa.  Acesso em: 12 de dezembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.