Plantas que decoram a casa e afastam o mosquito Aedes aegypti

Além de combater esses insetos, as plantas conseguem purificar o ar e reduzir o estresse

Em tempos de proliferação de doenças como Dengue, Zika e Chikungunya, todos nós queremos saber medidas eficazes para afastar o seu transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Diante disso, existe uma teoria de que algumas plantas, se cultivadas em casa, podem afastar esse mosquito. Mas, será que isso realmente funciona?

Segundo o engenheiro agrônomo e paisagista Gabriel Kehdi, de modo geral, o simples cultivo de uma planta não é suficiente para repelir insetos do ambiente em que é cultivada. “O poder repelente das plantas se deve a substâncias químicas produzidas pelas folhas, flores, frutos, ramos e/ou raízes, que não se espalham pelo ambiente sem algum método de extração”, explica.

Ele ainda acrescenta: “a produção de substâncias químicas com poder repelente, urticante, atordoante, tóxico, entre outros, é um mecanismo de defesa natural das plantas contra seus predadores e algumas dessas substâncias podem também ser aproveitadas por nós para repelir insetos indesejados”.

De todo modo, Gabriel diz que ter um ‘estoque’ de algumas plantas para preparar repelentes caseiros pode ser uma boa opção.

Plantas que afastam o mosquito da dengue

De acordo com Gabriel, as plantas cultivadas utilizadas como repelentes com ação sobre o mosquito da dengue são:

Ramo de citronela

A citronela é um exemplo de planta que consegue afastar os mosquitos da dengue (Foto: depositphotos)

Citronela

Nome popular: Citronela
Nome científico: Cymbopogon winterianum; Cymbopogon nardus.
Hábito: Planta herbácea
Substância repelente: Óleo essencial
Uso comum: Aplicação no ambiente
Luz ideal para cultivo: Sol pleno
Substrato para plantio: Rico em matéria orgânica e bem drenado (3 partes iguais de composto orgânico, terra e areia)

Nim (ou Neem)

Nome popular: Nim (ou Neem).
Nome científico: Azadirachta indica.
Hábito: Árvore
Substância repelente: Óleo essencial
Uso comum: Aplicação no ambiente
Luz ideal para cultivo: Sol pleno
Substrato para plantio: Rico em matéria orgânica e muito bem drenado.

Santa Bárbara

Nome popular: Santa-Bárbara ou Cinamomo
Nome científico:
Melia azedarach.
Hábito: Árvore
Substância repelente: Limonóides
Uso comum: Aplicação no ambiente
Luz ideal para cultivo: Sol pleno
Substrato para plantio: Rico em matéria orgânica e muito bem drenado.

Os óleos de citronela e de nim podem ser facilmente encontrados em lojas de produtos de jardinagem ou casas agrícolas, pois também têm ação repelente sobre algumas pragas de plantas.

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Andiroba e cravo-da-índia também podem ajudar

Alguns estudos e pesquisas também apontam a andiroba e o cravo-da-índia como poderosos repelentes contra mosquitos. Sobre a andiroba, Gabriel diz que, de certa forma, todos os estudos científicos relataram algum êxito da planta em repelir insetos, incluindo o Aedes aegypti. Porém, alguns desses estudos encontraram um baixo poder de repelir os mosquitos, enquanto outros tiveram eficácia de 100%.

Com relação ao cravo-da-índia, o engenheiro agrônomo diz que este é um poderoso repelente de insetos, de modo geral. “O único ponto negativo é que é preciso quantidades enormes de cravo-da-índia (em sachês e frascos abertos) para que os insetos sejam repelidos de um ambiente. Também é muito comum que pessoas se sintam incomodadas com o seu aroma constante e abandonem o uso”, diz ele.

E a crotalária?

Também existe uma teoria sobre o poder repelente da planta crotalária, pois ela atrai libélulas, que são insetos considerados predadores do mosquito Aedes aegypti. Porém, Gabriel diz que não há comprovação científica para a eficácia da ação desta planta.

O especialista explica que as libélulas não são suficientes para esse controle, pois se alimentam apenas das larvas do mosquito da dengue. “As libélulas adultas precisam depositar seus ovos em água limpa, o mesmo ambiente que o mosquito da dengue. Portanto, as larvas de libélula vivem submersas e se alimentam de larvas do mosquito da dengue e de outros insetos aquáticos. Isso faz com que as libélulas contribuam minimamente no controle do mosquito, pois eliminam somente as larvas. Mesmo assim, para isso acontecer, as crotalárias precisam ser plantadas próximas a lagos, em que haverá a consolidação do ciclo de vida da libélula”.

Além disso, Gabriel acrescenta que as crotalárias não são um ‘ímã’ de libélulas e que suas larvas não dão conta de comer todas as larvas de mosquito. Inclusive, o poder de reprodução do mosquito da dengue é muito maior do que o das libélulas. Segundo o professor e pesquisador do Departamento de Zoologia da Unicamp, Carlos Fernando Salgueirosa de Andrade, em documento publicado pelo Instituto Agronômico de Campinas: “seriam necessários milhões de libélulas para combater apenas algumas larvas do mosquito”.

Por isso, o plantio da crotalária não deve ser considerado uma maneira eficaz de controle do mosquito da dengue.

O que pode atrair mais esses mosquitos?

Da mesma forma que plantas não possuem, por conta própria, efeito repelente no ambiente, plantas também não atraem mosquitos de maneira específica. Gabriel explica que, de modo geral, os mosquitos são atraídos por duas coisas: as essências imperceptíveis que nós humanos exalamos; e ambientes úmidos, encharcados ou com água parada nas nossas casas e arredores.

“Quando um jardim possui uma área de charco, isso é, com água parada no solo, é comum que as plantas criem um ambiente ideal para o mosquito depositar os ovos: folhas e raízes garantem proteção aos mosquitos e larvas, que se aproveitam das pequenas poças. Como jardins murados impedem acesso de predadores naturais, como sapos e lagartixas, esses ambientes viram verdadeiras fortalezas de mosquitos. O mesmo também vale para vasos com água parada nos pratinhos”, esclarece ele.

Vasos com plantas

Ter plantas em casa promove melhorias na qualidade do ar, aumentando a umidade (Foto: depositphotos)

Outras medidas para evitar o aparecimento de mosquitos

É importante ir fundo na frase ‘é melhor prevenir do que remediar’. Gabriel orienta que é preciso prevenir a proliferação do mosquito, antes de remediar sua presença. “Como prevenção, duas atividades são fundamentais para reduzir o aparecimento de mosquitos: destruir os criadouros do mosquito da dengue e investir na preservação da natureza”. afirma.

Segundo ele, a destruição dos criadouros do mosquito é a ação mais eficaz de prevenção, e a que precisa de maiores esforços. Já a preservação da natureza é algo maior e constante, mas que também é fundamental. “Um meio ambiente equilibrado é cheio de inimigos naturais de pragas sinantrópicas, ou seja, pragas que fazem mal aos humanos. Esses inimigos contribuem enormemente para reduzir populações de animais que causam problemas para nós”, reforça.

Como remediação, o profissional indica borrifar repelentes naturais de citronela no ambiente, depositar sachês de cravo ou embebidos em citronela em janelas, ou também usar telas, tipo mosquiteiras. Porém, ele alerta: “Essas ações são apenas dribles contra o mosquito, e podem não impedir o aparecimento desses insetos em casa”.

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Benefícios de cultivar plantas em casa

Plantas favorecem muito nosso bem-estar físico e mental. Em pesquisas realizadas pela Nasa, ter plantas em casa promove melhorias na qualidade do ar, reduzindo poluentes e aumentando a umidade, e também favorece a redução de estresse e ansiedade. Em um artigo publicado pelo jornal inglês The Guardian, plantas também ajudam a aumentar a produtividade no ambiente de trabalho, contribuindo com ganhos de até 15% no desempenho profissional.

Entretanto, Gabriel recomenda que é importante reconhecer alergias ou mesmo preferências no momento de escolher espécies para cultivar. Entre as plantas aromáticas mais populares no Brasil, estão o alecrim, tomilho, capim-limão, capim-santo, citronela, lavanda e melissa. Todas essas ervas são ótimas para aromaterapia, além de algumas também serem ótimas como temperos e chás, como o alecrim, tomilho, melissa e capim-limão. Já citronela e lavanda não devem ser ingeridas.

“Quase todas as espécies com propriedades medicinais, terapêuticas ou culinárias devem ser cultivadas em sol pleno, o que impede o plantio em áreas sombreadas, como dentro de casa. Algumas espécies aromáticas podem ser utilizadas como arranjos em ambientes internos, como o eucalipto, que possui um aroma poderoso e que, rapidamente, se espalha pelo ambiente”, explica o engenheiro agrônomo.

*Informações sobre o especialista entrevistado

Gabriel Kehdi
Engenheiro Agrônomo Paisagista formado pela UNESP
Pós graduado em Gestão Ambiental pela USP

Sobre o autor

Jornalista (MTB-RJ: 36167), formada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela PUC-Rio e especialização em Jornalismo Cultural, pela UERJ. Como redatora web, escreve matérias sobre assuntos diversos. Também atua na área de marketing de conteúdo e produção audiovisual.