Pimenta biquinho: benefícios, como plantar e receita de conserva

Você conhece a pimenta biquinho? As pimentas são frutos de uma planta que ganhou popularidade no mundo graças à ardência que provoca na boca.

No entanto, essa variedade está inserida no grupo das pimentas aromáticas. Por essa razão, ela não arde, mas tem um sabor delicioso.

Esse produto natural também é fonte segura de nutrientes e outras substâncias que provocam efeitos benéficos ao organismo.

Um exemplo disso são os compostos antioxidantes, pois protegem o corpo contra diversas doenças degenerativas.

Para falar mais sobre esse condimento, convidamos a nutricionista Janiele da Silva Rodrigues, que destaca todos os benefícios desse alimento e explica qual a melhor forma de consumi-lo.

Confira e adicione de vez a pimenta na sua alimentação!

Benefícios da pimenta biquinho

Essa pimenta possui praticamente os mesmos compostos e benefícios que os demais frutos da espécie. Um bom exemplo disso é o betacaroteno, uma substância responsável pela cor vermelha das pimentas em geral.

Pimenta biquinho

A pimenta biquinho não provoca ardência e é rica em vitaminas essenciais para saúde  (Foto: depositphotos)

Essa mesma enzima é considerada um antioxidante e ainda consegue auxiliar o organismo em uma melhor absorção das vitaminas A e C. Desta forma, é um bom alimento para aumentar a imunidade do organismo.

Além disso, biquinho ainda é rica em magnésio, ferro, cálcio, sódio e fósforo. Todos esses nutrientes são indispensáveis para nós humanos.

Vale ressaltar ainda que esse condimento contém as vitaminas B6, C e K1. Portanto, é uma excelente opção para controlar as taxas de açúcar do sangue e evitar ou tratar inflamações.

Contudo, a maior diferença entre a biquinho e as outras pimentas consumidas no Brasil é a baixa quantidade de capsaicina, substância responsável pela ardência característica desses condimentos e por estimular o metabolismo.

Confira a seguir mais detalhadamente os benefícios da pimenta biquinho!

Combate os radicais livres

Além do betacaroteno, esse condimento apresenta outros elementos que também atuam como antioxidantes no organismo, são eles: os compostos fenólicos, os flavonoides e a vitamina C (ou ácido ascórbico).

Na prática, essas substâncias inibem a produção dos radicais livres,  moléculas responsáveis pela oxidação das células e por atrapalhar o funcionamento das mesmas.

Dessa forma, consumir mais alimentos antioxidantes ajuda a manter o organismo mais saudável e jovem.(1)

Fortalece o sistema imunológico

De acordo com Janiele Rodrigues, a vitamina C, além de um poderoso antioxidante natural, é capaz de fortalecer o sistema imunológico.

Cada 100 gramas (g) de pimenta contém 99 miligramas (mg) da vitamina, mais do que o ideal de consumo diário para uma pessoa adulta, que é de 60 mg.

Por essa composição, o alimento em questão é capaz de estimular a produção de novos glóbulos brancos e anticorpos, as células de defesa do organismo.

Auxilia na perda de peso

“Comparando com as demais pimentas com um ardor mais forte, ela [a pimenta biquinho] tem menos capsaicina. Dessa forma, ela não é tão estimulante para o metabolismo”, destaca a nutricionista.

No entanto, esse condimento também ajuda no processo de emagrecimento, especialmente graças ao efeito termogênico proveniente das capsinoides, aumentando o gasto energético e a queima de gordura.

Ao mesmo tempo, o fruto possui poucas calorias, sendo apenas 9 a cada 100 gramas.

Além disso, a pimenta também é rica em fibras, especialmente a casca, fazendo com que os consumidores tenham a sensação de saciedade mais rapidamente.

Por fim, esse alimento também melhora a digestão e aumenta a sensação de bem-estar. Dessa maneira, consegue conter o apetite. (1, 2, 3)

Ajuda a aliviar as dores

Tradicionalmente, as pimentas são utilizadas para o alívio de dores. Isso acontece porque a capsaicina, encontrada em pequenas quantidades na biquinho, atua diretamente nos receptores da dor, bloqueando os mesmos.

Dessa maneira, comer pimenta com frequência pode ser uma alternativa natural para quem sofre de dores crônicas, como artrite e fibromialgia, por exemplo.(1, 2)

Protege o estômago

Muitas pessoas acreditam que quem possui problemas estomacais não pode consumir pimenta. No entanto, isso não se aplica à biquinho.

Segundo Janiele, “acredita-se que ela pode ser menos agressiva para quem sofre com problemas no estômago”, devido à baixa quantidade do composto capsaicina, o responsável pela ardência do fruto. E, em pequenas quantidades, essa substância atua protegendo a mucosa estomacal.

Outro benefício da pimenta é o de auxiliar na prevenção de úlceras, pois a capsaicina e os capsinoides possuem a capacidade de aumentar a produção do muco gástrico, substância que reveste e protege a parede do estômago.

Além disso, essas substâncias também ajudam a combater a bactéria Helicobacter pylori, que é uma das principais causadoras da gastrite.

Portanto, a biquinho é uma ótima e deliciosa forma de aproveitar todos os benefícios das pimentas, sem ter a sensação de ardência na boca e o agravo de problemas estomacais. (1, 2, 5)

Além de auxiliar na perda de peso, biquinho ainda previne gastrite e úlceras (Foto: depositphotos)

Diminui as taxas de colesterol e triglicerídeos

Outra boa notícia para os amantes dessa variedade de pimenta é que ela possui a capacidade de reduzir as taxas de colesterol e de triglicerídeos, gorduras utilizadas como reserva de energia no sangue.

Isso acontece porque o condimento estimula a produção de bile que, por sua vez, quebra as moléculas de gordura. Depois disso, essas substâncias são descartadas juntamente com as fezes, devido ao trabalho dos capsinoides. (2, 6)

Diante disso, esse alimento natural também pode ser utilizado para prevenir doenças cardiovasculares. Isso porque, os níveis altos de açúcares e gorduras no sangue são alguns dos principais fatores para o desenvolvimento desses problemas.

Portanto, ao reduzir o colesterol, a glicose e os triglicerídeos, os riscos de desenvolver problemas cardiovasculares caem consideravelmente.

Além disso, os compostos antioxidantes ajudam a proteger as células do coração, estimulando o funcionamento saudável do mesmo. (3, 6)

Contém propriedades anticâncer

Consumir com frequência esse tipo de pimenta também reduz os riscos de desenvolver câncer.

Isso acontece tanto pela presença dos antioxidantes, que impedem a mutação das células saudáveis, quanto pela ação da capsaicina e dos capsinoides.

Essas substâncias são responsáveis por bloquear o mecanismo de formação de tumores. Dessa maneira, previnem o surgimento de diversos tipos de câncer, como o de pele e de próstata, por exemplo.

Contudo, é importante saber que segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é multifatorial. Ou seja, é causada por uma série de fatores, incluindo os hábitos alimentares.

Sendo assim, é preciso alinhar o consumo da biquinho com hábitos alimentares mais saudáveis, prática de exercícios físicos e abrir mão de vícios em substâncias tóxicas. (1, 2)

Como plantar?

Ao ver todos os benefícios que esse pequeno fruto traz para a saúde, você ficou com curiosidade de experimentar, mas não consegue encontrar na sua cidade? Então, pode ficar tranquilo (a), pois a pimenteira é uma planta fácil de cultivar. 

Em primeiro lugar, é possível cultivar a variedade a partir de sementes ou das mudas, que são mais seguras de apresentar resultados, pois já passaram da fase de germinação.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a pimenta é uma planta acostumada a climas quentes e bastante sensível ao frio. Portanto, ao cultivar, a temperatura no local deve ser de no mínimo 21ºC.

Estágios de uma plantação

A pimenteira leva 150 dias para dar a primeira colheita (Foto: depositphotos)

Uma dica para quem mora em regiões mais frias do Brasil é plantar as sementes ou as mudas nos meses mais quentes.

Desse modo, ela germina e cresce mais rápido. Além disso, é importante não deixar a planta exposta às geadas nos meses mais frios.

O vaso onde ela será plantada deve ter bastante espaço para as raízes. Também deve estar bem drenado, adubado e leve.

Já com relação ao regime de regas, ele deve ser feito com frequência, para que o solo fique sempre úmido, mas não encharcado.

A planta deve ficar em contato direto com a luz do sol, principalmente por ser de climas tropicais e subtropicais.

Seguindo essas dicas, em uma média de 150 dias, você poderá ter a sua primeira colheita de pimentas. A pimenteira é uma planta perene, portanto quando bem cuidada dará frutos por anos. (7)

Como fazer conserva de pimenta biquinho?

Segundo a nutricionista Janiele Rodrigues, esses condimentos podem ser consumidos em conserva. No entanto, é preciso ter alguns cuidados, pois há “uma adição de outros elementos e não apenas a pimenta”, destaca a profissional de nutrição.

As conservas desse tempero não são vistas como alimentos saudáveis, pois as encontradas “em mercados e outras lojas de especiarias usam aditivos industrializados, o que não é um alimento visto como 100% saudável”, complementa.

Portanto, a melhor opção é produzir a própria conserva, podendo conter ingredientes naturais como vinagre, azeite, alho, cebola e diversos outros condimentos.

Confira seguir uma deliciosa receita de conserva para fazer em casa!

Ingredientes:

  • 200 ml de cachaça
  • 300 ml de vinagre branco
  • 1 1/2 colher (de sopa) de açúcar
  • 3 dentes de alho
  • 2 xícaras de pimenta biquinho
  • Sal a gosto.

Modo de preparo:

Limpe bem as pimentas biquinho e tire todos os cabos. Em seguida, leve ao fogo em uma panela o vinagre, a cachaça, o sal e o açúcar. Deixe ferver por 5 minutos.

Logo depois, adicione a pimenta e deixe ferver por mais 1 minuto. Coloque as pimentas em um recipiente de vidro com tampa e esterilizado, acrescente o líquido e o alho.

Por fim, você precisa cozinhar a conserva em banho-maria por cerca de 20 minutos. Quando o vidro esfriar, você pode guardar na geladeira.

Você pode adicionar outros condimentos, como cebola, pimenta-do-reino e ervas-secas. Tudo isso fará com que o alimento fique ainda mais saboroso e seja totalmente saudável.

Pote com pimenta

Essa conserva deve ser armazenada na geladeira (Foto: depositphotos)

Características da pimenta biquinho

A planta é de origem brasileira, mas ainda é pouco conhecida pelo fato de ter surgido recentemente.

Isso porque, foi em 2004 que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater/MG) passou a comercializar este condimento, intensificando a produção na cidade de Campo Florido.

Fazendo parte do mesmo grupo que as pimentas de cheiro, a biquinho é, de certa forma, parente da aroeira-vermelha, pimenta godê e da cambuci.

Além disso, recebeu esse nome devido ao formato de gota que os frutos possuem. E quando estão bem maduros adquirem uma cor bem avermelhada.

Pode ser encontrada para venda in natura ou em sementes, tendo em vista que pode ser facilmente plantada em casa por crescer rápido e ser um arbusto de porte médio.

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista Janiele da Silva Rodrigues (CRN-6: 22785/P).

Referências

(1) ZANCANARO, Raquel Daneliczen. “Pimentas: tipos, utilização na culinária e funções no organismo”. 2008. Disponível em: bdm.unb.br/bitstream/10483/361/1/2008_RaquelDaneliczenZancanaro.pdf. Acesso em 24 de maio de 2019.

(2) PINTO, Cleide Maria Ferreira et al. “Pimenta capsicum: propriedades químicas, nutricionais, farmacológicas e medicinais e o seu potencial para o agronegócio”. Revista Brasileira de Agropecuária Sustentável, v.3, n.2, p.108-120, 2013. Disponível em: https://www.rbas.ufv.br/index.php/rbas/article/view/225. Acesso em: 24 de maio de 2019.

(3) CANSIAN, Ana Carolina Campi. “Efeitos da ingestão de capsinoides sobre a adiposidade corporal em ratos Wistar”. 2016. Disponível em: www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/…/ANACAROLINACAMPICANSIAN.pdf. Acesso em 24 de maio de 2019.

(4) AGUIAR, Ana Carolina et al. “Supercritical fluid extraction and low pressure extraction of Biquinho pepper (Capsicum chinense)”. Food Science and Technology, v. 59, 2014, p.1239-1246. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/86919. Acesso em 24 de maio de 2019.

(5) REYES-ESCOGIDO, Maria de Lourdes et al. “Chemical and pharmacological aspects of capsaicin”. Molecules, v.16, p.1253-1270, 2011. Disponível em: 10.3390/molecules16021253. Acesso em 24 de maio de 2019.

(6) ANTONIOUS, GeorgeF. et al. “Antioxidants in Capsicum chinense: Variation among countries of origin”. Journal of Environmental Science and Health, v.44, p.621-626, 2009. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1080/03601230903000727. Acesso em 24 de maio de 2019.

(7) EMBRAPA.”Pimenta (Capsicum spp.)”. 2007. Disponível em: https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Pimenta/Pimenta_capsicum_spp/index.html. Acesso em 24 de maio de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

Avatar
Jornalista (Mtb-PE: 6770) com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio. Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.