Os benefícios e as propriedades da pariparoba

Essa planta já era usada há muito tempo pelos povos indígenas com fins medicinais

Você conhece a pariparoba, suas propriedades e benefícios? A pariparoba (Pothomorphe umbellata) é uma planta de origem brasileira, conhecida por nomes populares como: caena, catajé, manjerioba e aguaxima. Pelos povos Tupi é conhecida como caapeba, onde “caa” significa folha e “peba” significa larga. É um subarbusto ereto, perene, bastante ramificado e suas folhas tem um sabor amargo e um aroma agradável de menta.

Esta planta é muito cultivada para fins ornamentais, mas também é utilizada para fins medicinais e terapêuticos em várias regiões do país, devido às suas propriedades. Para estes tratamentos, utiliza-se as raízes, as folhas e as hastes. É muito consumida na forma de chás e proporciona muitos benefícios à saúde.

Benefícios e propriedades da pariparoba

Segundo a farmacêutica homeopata, Eliane Costa, a pariparoba tem propriedades anti-reumáticas, antianêmicas, antiespasmódicas, anti-inflamatórias, diuréticas, laxativas, tônicas, sudoríferas e vermífugas. A planta também tem ação antioxidante, protegendo o organismo da ação prejudicial dos radicais livres.

“A pariparoba pode ajudar no tratamento de afecções do fígado e baço, anemia, atonia do estômago, úlceras gástricas, azia e má digestão, distúrbio renal, erisipelas, escrofulose, febre, fermentação intestinal, furúnculo, gastralgia, hepatite, malária, gonorreia, epilepsia, prisão de ventre, resfriados, dores de cabeça, reumatismo e até mesmo alguns tumores. Ela pode ser usada, inclusive, para lavar feridas”, explica Eliane.

Pariparoba

As folhas da pariparoba tem sabor amargo e aroma mentolado (Foto: Reprodução | Quintais Imortais)

De acordo com o livro “Plantas Terapêuticas”, do biomédico e fitoterapeuta Sérgio Franceschini Filho, a pariparoba tem grande ação sobre todo o aparelho digestivo, especialmente na vesícula biliar, pois estimula o fluxo de bile, favorecendo a absorção de gorduras pelo intestino.

Proteção para a pele

Além de todos esses benefícios para a saúde, a pariparoba também é muito benéfica para a pele. Segundo pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, testes pré-clínicos revelaram que um composto extraído da raiz da pariparoba, o 4-nerolidilcatecol, é capaz de inibir o desenvolvimento do melanoma, a forma mais agressiva do câncer de pele, que tem origem nos melanócitos, células produtoras de pigmento.

Em pesquisas anteriores, esse composto já havia demonstrado também um potente efeito antioxidante, capaz de proteger a pele dos danos causados pela radiação solar e os raios UVB. Este composto químico garante também a proteção contra a diminuição da elastina e do colágeno, duas proteínas essenciais para a pele.

Ele ajuda ainda a manter os níveis normais de vitamina E, que evita o processo de oxidação das células. Devido a esse efeito antioxidante, a planta também auxilia na prevenção do espessamento da epiderme e é capaz de suavizar os sinais de envelhecimento precoce.

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Como a pariparoba pode ser consumida?

Eliane explica que a pariparoba pode ser consumida através de folhas em emplastro (compressa), folhas em infusão (chás) e em tintura (gotas). Também é comum consumi-la como alimento e usar suas folhas e flores para compor a salada. Os índios, inclusive, sempre utilizaram as inflorescências da pariparoba como alimento.

Outra forma de uso da pariparoba é em forma de cosméticos. Algumas marcas utilizam as folhas da planta para a produção de hidratante corporal, cremes para o rosto, gel e filtro solar. Também pode ser usada como óleo essencial, que é extraído das folhas e utilizado na aromaterapia.

Confira agora como consumir corretamente essa planta para diferentes tipos de problema e áreas atingidas:    

  • Inflamações externas – folhas em emplastro
  • Inflamações internas – folhas em infusão
  • Fígado – folhas em infusão ou em tintura
  • Estômago – folhas em suco ou em infusão
  • Baço – folhas em infusão
  • Vesícula biliar – folhas em infusão
  • Digestão – folhas em infusão ou em tintura
  • Furúnculo – sementes em pó misturadas a vaselina

Para preparar o chá de pariparoba, adicione duas colheres (de sopa) da planta em um litro de água. Quando a água levantar fervura, apague o fogo. Tampe e deixe a solução abafada por cerca de 10 minutos. Após esse tempo, é só coar e beber. Além de ajudar no tratamento dessas afecções, o chá de pariparoba também ajuda o organismo a eliminar as toxinas que se acumulam ao longo do tempo, e que atrapalham, inclusive, o processo de emagrecimento.

Contraindicações e efeitos colaterais

Sobre as contraindicações, Eliane orienta: “o tratamento com qualquer forma de aplicação da pariparoba é contraindicado para pacientes gestantes ou ainda em fase de lactação”.

Além disso, a farmacêutica alerta também sobre o perigo de se consumir a planta sem critérios e, principalmente, em excesso: “em doses acima da indicada pode causar náuseas, vômitos, cólicas, diarreia, pequena elevação de temperatura, tremores, aumento de diurese e cefaleia. Portanto, o acompanhamento de um profissional de saúde habilitado é imprescindível para iniciar o tratamento com qualquer planta”.

Muita gente acha que tratamentos naturais não exigem acompanhamento médico, mas a farmacêutica reforça que isso é um pensamento completamente equivocado. “Deve-se tomar muito cuidado com ervas e plantas que podem ser tóxicas e perigosas para determinados tipos de pessoas”, diz ela.

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Eliane ressalta ainda que o efeito da planta depende diretamente de sua qualidade. Portanto, sempre que se pensar em usar plantas terapêuticas para tratamentos, deve-se levar em consideração a maneira como a planta foi cultivada, colhida e armazenada. Por isso, é fundamental que exista um acompanhamento de profissionais capacitados e que indiquem lugares de confiança onde se possa comprar e manipular essas plantas com segurança.

*Informações sobre a especialista entrevistada

Eliane Costa
Farmacêutica- Bioquímica CRF-RJ 3744
Pós graduada em Homeopatia

Sobre o autor

Jornalista (MTB-RJ: 36167), formada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela PUC-Rio e especialização em Jornalismo Cultural, pela UERJ. Como redatora web, escreve matérias sobre assuntos diversos. Também atua na área de marketing de conteúdo e produção audiovisual.