Óleo de cártamo: veja para que serve e se emagrece mesmo

A fama do óleo de cártamo cresceu depois que ele passou a ser associado com a queima de gordura. Mas será que esse suplemento realmente emagrece?

De acordo com a pesquisadora científica e nutricionista, Aline Quissak, esse não pode ser visto como um benefício. Apesar de, em parte, auxiliar na saciedade, o extrato natural possui substâncias que podem atrapalhar o processo de emagrecimento e até contribuir com o ganho de peso.

O óleo de cártamo dá saciedade mas, em excesso, engorda e inflama o organismo (Foto: depositphotos)

Então, para que serve o óleo de cártamo afinal? Ainda segundo a profissional, o suplemento pode ajudar no controle do colesterol, reduzir inflamações e contribuir com a musculação.

Seja na forma líquida ou em cápsulas, ele pode trazer outros benefícios para a saúde do organismo. Contudo, o consumo deve ser feito com acompanhamento de um profissional.

Para que serve óleo de cártamo?

O alimento é considerado cicatrizante e anti-inflamatório. Também é rico em ácidos graxos, como ômega-6 e ômega-9, e nas vitaminas A, E e K. Confira em detalhes como esse suplemento age no organismo!

Cuida da pele

Um dos nutrientes mais importantes para a saúde é a vitamina E, principalmente quando o assunto é o cuidado com a pele. E como vimos, o óleo é rico nessa substância.

“Alguns estudos mostram que a vitamina E pode ajudar a melhorar as cicatrizações de feridas, dermatite atópica, acne e psoríase“, explica Aline Quissak.

Além de tratar esses problemas e doenças, o produto natural tem como funções acalmar e hidratar a pele, agindo beneficamente em peles mais secas. Por tudo isso, a pesquisadora afirma que é bastante comum encontrá-lo nas formulações de cosméticos.

Melhora a função cerebral

“O óleo de cártamo é um óleo rico em ômega-6 e ômega-9, óleos que são essenciais para funções cerebrais e a saúde humana”, conta a profissional. Eles contribuem com o funcionamento do cérebro e auxiliam na transmissão de impulsos nervosos. (1)

Controla o colesterol

Os mesmos ácidos graxos que cuidam da saúde do cérebro também protegem o coração. Isso porque eles trabalham controlando as taxas de gordura na corrente sanguínea.

“Melhora os níveis de colesterol ‘bom,’ o HDL, e diminui o colesterol ‘ruim‘, o LDL”, completa Quissak. Dessa maneira, pode auxiliar na prevenção de doenças como a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de gorduras e colesterol nas artérias.

Atua na redução das inflamações

Já ouviu falar que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose? O pensamento se aplica perfeitamente ao efeito anti-inflamatório desse alimento pois, segundo a nutricionista, esse benefício é uma via de mão dupla.

Enquanto alguns estudos demonstram que o produto natural pode reduzir os marcadores de inflamação, outros apontam que altas doses podem prejudicar a condição inflamatória.

“É necessário utilizar o óleo de cártamo com outros tipos de óleo saudáveis presentes nos alimentos, para aumentar seus benefícios à saúde humana. Pois, por conter alta concentração de ômega-6, pode contribuir para o aumento da inflamação quando consumido em altas quantidades”, releva a pesquisadora científica.

Auxilia no tratamento da diabetes

O alimento também pode ajudar a melhorar os níveis de açúcar na corrente sanguínea e, consequentemente, diminuir os riscos de determinadas complicações relacionadas ao diabetes mellitus. 

E não é só isso, de acordo com Aline Quissak, ele também pode “melhorar a sensibilidade à insulina para que seu corpo a utilize de maneira mais eficaz e consiga manter os níveis adequados de açúcar no sangue.”

Contribui com a musculação

Um dos focos de quem pratica a musculação é ter um bom ganho de massa muscular. Além disso, os atletas também buscam manter esse rendimento por mais tempo.

Para a nutricionista, tudo isso pode ser alcançado com a ingestão desse alimento, pois o mesmo contém vitaminas A, E, e K, compostos importantes para esses benefícios. 

“Alguns profissionais recomendam para a musculação de pessoas que treinam por mais de uma hora e meia. Para manter o bom rendimento no exercício, ter uma fonte de gordura que seja liberada lentamente como o óleo de cartamo pode ser uma opção.”

Melhora a imunidade

Em outro ponto, algumas pesquisas iniciais vêm mostrando que o óleo de cártamo, por conter muita vitamina E e CLA (acido linoleico conjugado), pode contribuir para a imunidade”, indica. 

Essas substâncias agem estimulando o sistema imunológico, fazendo com que o corpo aumente suas defesas e impeça o desenvolvimento de algumas doenças.

Óleo de cártamo emagrece?

“O óleo de cártamo não entra como um fator de ativação do emagrecimento. Além do que, por ser um óleo, ele é extremamente calórico“, alerta Aline Quissak.

Mas afinal, de onde vem essa fama de agente emagrecedor? Ainda segundo a profissional de nutrição, esse benefício pode estar associado à composição vitamínica do alimento.

Quando consumido pouco, entre 1 a 5 gramas, o produto natural não fará tanta diferença calórica no organismo. Contudo, essa mesma porção será rica em vitaminas A, D, E e K.

Esses nutrientes são “importantes para equilibrar os hormônios do humor e do apetite que, uma vez balanceados, podem contribuir para que as pessoas não tenham tanta fome e, como consequência, ingiram pouca comida/caloria”, esclarece.

No entanto, a saciedade não é suficiente para levar à perda de peso. Por essa razão, Quissak lembra que não há um remédio milagroso no processo de emagrecimento. Somente a mudança no estilo de vida é a base para emagrecer com eficácia.

“Do ponto de vista da ciência, o emagrecimento é uma combinação entre o equilíbrio emocional, a mudança de consciência nutricional para comermos mais comidas da natureza, sem muitos alimentos processados e industrializados, e a frequência de atividade física”, indica a pesquisadora.

Apesar disso, ainda há quem tenha dificuldades em baixar o ponteiro da balança e precisam conviver com o sobrepeso e a obesidade. Nesses casos, Aline reforça a não utilização do óleo como uma alternativa para chegar no peso ideal, devido ao seu alto teor de ômega-6.

“Provavelmente esse paciente já consome outros produtos ricos em ômega-6 (como as frituras e outros óleos) e isso aumentará a retenção de gordura e inflamação do corpo”, frisa. 

Como tomar?

Aline Quissak traz as recomendações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos referentes ao uso desse alimento com base na idade e no sexo dos pacientes, são elas:

  • Meninas de 14 a 18 anos: 5 colheres (de chá)
  • Meninos de 9 a 13 anos: 5 colheres (de chá)
  • Meninos de 14 a 18 anos: 6 colheres (de chá)
  • Mulheres de 19 a 30 anos: 6 colheres (de chá)
  • Mulheres com mais de 31 anos: 5 colheres (de chá)
  • Homens de 19 a 30 anos: 7 colheres (de chá)
  • Homens com mais de 31 anos: 6 colheres (de chá).

“Levando em consideração que sempre deve associar o uso com outras gorduras boas como castanhas, sementes, peixes, abacates”, enfatiza.

A pesquisadora também explica que no Brasil não existe uma recomendação específica capaz de funcionar para todos os tipos de paciente. Isso porque a dose desse e de qualquer outro suplemento precisa ser avaliada por um profissional, como nutricionistas e/ou nutrólogos. 

Fatores como exames de sangue, ingestão de outro suplemento ou uso de remédios podem interferir na dosagem final. Portanto, o especialista vai precisar fazer ajustes individuais para conseguir suprir as necessidades do paciente sem causar interferências no dia a dia.

Óleo de cártamo com cafeína

O óleo é uma gordura e serve para fornecer energia a longo prazo. Já a cafeína é uma substância estimulante capaz de diminuir a percepção do cansaço. 

Segundo Aline, essa mistura seria usada “para suplementar atletas que precisam de alta ingestão de calorias devido a alta intensidade de atividade física.”

Cápsulas com vitamina E

Esse alimento já é fonte de vitamina E naturalmente, mas alguns produtos podem adicionar mais desse composto. Em algumas farmácias de manipulação, é possível encomendar cápsulas do óleo com essa vitamina.

“Esse seria recomendado para pessoas que estão em tratamento de doenças degenerativas de córnea (doença nos olhos), ou que possuem doenças de baixa imunidade. Mas não deve ser usado por fumantes, pois aumenta o risco de câncer de pulmão quando associamos altas doses de vitamina E”, justifica a profissional.

Na produção dos alimentos

“Na indústria de alimento o óleo de cártamo é usado para fazer margarina e outros molhos de saladas que possuem baixa qualidade nutricional”, conta Quissak.

Na cozinha

O extrato do óleo comestível tem uso semelhante ao dos outros tipos de óleos, como girassol, soja e canola. Ele também pode servir para temperar alimentos frios, principalmente as saladas.

Efeitos colaterais do óleo de cártamo

Muitos dos estudos envolvendo esse extrato natural ainda não são conclusivos, por isso a nutricionista explica que ele deve ser submetido a outras pesquisas. 

Por exemplo, algumas análises sugerem o poder anti-inflamatório devido ao alto teor de ômega-6. No entanto, essa substância é bastante ingerida através de outros alimentos mais populares, como óleo de soja, de girassol e de canola.

Em contraponto, o consumo de ômega-3 é baixo no Brasil, pois o nutriente está presente, na sua maioria, em alimentos considerados menos acessíveis à população como peixes, nozes e sementes.

Apesar disso, eles devem estar equiparados no organismo, uma vez que essa discrepância entre as duas substâncias pode acabar prejudicando a saúde, ao invés de beneficiá-la. Segundo Quissak, a grande quantidade de ômega-6 gera inflamação no corpo

“Essa proporção alta entre ômega-6 e ômega-3 pode causar doenças como artrite, artrose, aumento do triglicerídeos e risco de doenças do coração. Por isso, sempre associar com suplementação de ômega-3 para ter os efeitos positivos”, recomenda.

A profissional também alerta as pessoas que possuem um intestino irregular, pois outro efeito colateral do excesso desse produto é uma possível diarreia. Além disso, “em grandes dosagens pode aumentar o ganho de peso”, complementa.

Existe contraindicação?

“Não recomendado para quem já possui doenças inflamatórias como síndrome do intestino irritável, gastrite, artrite, artrose e para pacientes que sofreram AVC [acidente cardiovascular] e ou trombose”, finaliza a nutricionista. 

Conhecendo mais sobre o óleo

A flor de cártamo é típica das regiões áridas da Índia (Foto: depositphotos)

Esse produto é resultante da extração de sementes oleaginosas da
planta Carthamus tinctorius L. Trata-se de um alimento cuja origem é indiana, mais precisamente das regiões áridas do país.

Aproximadamente 80% do óleo é composto por ácido linoleico, popularmente conhecido por ômega-6. Já 12% é referente à gordura monoinsaturada ômega-9, também chamada de ácido oleico. (2)

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista Aline Quissak (CRN 8 10607), formada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Minas Gerais); Graduação Sanduiche em Applied Humman Nutrition na University of Guelph, Canadá; Especialização em Síndrome Metabólica, Especialização em Nutrição em Cirurgia Bariátrica, Especialização em Oncologia, Especialização em Nutrição e Pacientes Críticos, Especialização em Fitoterapia e Naturopatia pela University of Guelph e pela University of Toronto, também no Canadá; Especialização em Nutrição Esportiva e CrossFit e Especialização em Psicologia da Nutrição pelo Institute of Psychology of Eating nos Estados Unidos. É pesquisadora em Nutrição Funcional e Desenvolvimento de Receitas com foco em Nutrigenética e Nutrigenômica.

Referências

(1) MARTIN, Clayton Antunes; et al. “Ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 e ômega-6: importância e ocorrência em alimentos“. Revista de Nutrição, Campinas, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rn/v19n6/10.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2020.

(2) Ministério da Saúde; Universidade Federal de Minas Gerais. “Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição“. 2016.  Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/desmistificando_duvidas_sobre_alimenta%C3%A7%C3%A3o_nutricao.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2020.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

Avatar
Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.