Depressão pós-parto: como evitar e tratar naturalmente

A depressão pós-parto (DPP) é um distúrbio de humor que atinge de 10% a 20% de todas as mulheres no período logo após o parto. A DPP é causada por uma série de fatores que nem sempre podem ser controlados pela mulher.

Esse transtorno mental é marcado por períodos de profunda tristeza, desespero e desesperança. Por isso, pode trazer sérias consequências não apenas para a mulher e o bebê, mas para todos que convivem com eles.

Sendo assim, é importante saber identificar e tratar o problema no início. Pensando nisso, o Remédio Caseiro preparou um artigo completo sobre a depressão pós-parto. Aqui você vai descobrir quais são os principais sintomas do transtorno, quais os fatores de risco e os hábitos que devem ser adotados para evitar o surgimento dos sintomas.

Existem meios de evitar a depressão pós-parto?

De acordo com um estudo comandado por pesquisadores da cidade de Ontário, no Canadá, e publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, ainda não é possível impedir completamente o surgimento da depressão pós-parto.

Mulher com depressão pós-parto

Mulheres com predisposição à depressão pós-parto devem ter acompanhamento terapêutico durante a gravidez (Foto: depositphotos)

No entanto, é possível contribuir para identificar as mulheres que se encontram dentro dos grupos de risco. Com isso, pode diagnosticar o problema no começo e iniciar o tratamento. Assim, ameniza os sintomas e faz com que os riscos do desenvolvimento dessa condição entre mãe e filho sejam diminuídos. (1)

De acordo com o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL), mulheres que apresentem alguma predisposição para transtornos psiquiátricos devem começar um acompanhamento ainda durante a gravidez.

Para isso, o profissional indica a elaboração de um plano terapêutico pré-concepcional e pré-natal. Com isso, a mulher tem o acompanhamento de um psiquiatra e do obstetra para diminuir os riscos da DPP.

Hábitos que devem ser adotados

O Ministério da Saúde destaca alguns hábitos que podem ajudar no tratamento e na prevenção dos casos mais graves de depressão pós-parto. O primeiro e mais importante é cultivar uma rede de apoio. Essa rede pode ser formada por amigos, parceiro e familiares e irá servir para ajudar a mulher a manter uma vida saudável no pós-parto.

Isso inclui dormir bem, ter tempo apenas para si mesma e para se cuidar. Desse modo, evita de sofrer com as mudanças súbitas que o nascimento de uma criança acarreta para a família.

Em segundo lugar, é necessário manter pensamentos positivos. Dentre os sintomas desse problema estão os pensamentos suicida e de inutilidade frente aos cuidados com o bebê.

Por essa razão, o Ministério da Saúde indica que a nova mãe tenha em mente que ela está fazendo o melhor que pode e isso é o suficiente. A dica de ouro é: não se cobre demais.

Evitar o isolamento é outro fator decisivo no tratamento dos transtornos de humor. Especialmente da depressão pós-parto, onde a mãe está mais vulnerável devido a uma série de fatores.

Dessa maneira, é necessário evitar se trancar em casa e sair sempre que possível. Por fim, o Ministério destaca que não se deve consumir substâncias como cafeína, álcool ou qualquer tipo de medicamento que não tenha sido receitado pelo médico. (2)

Além disso, o psiquiatra Silva informa que o estilo de vida exerce grande influência na diminuição dos sintomas. Sendo assim, é importante aliar o que já foi citado com uma boa alimentação, prática de exercícios físicos e fazer atividades prazerosas.

Caso a mãe ou qualquer outra pessoa do convívio desconfiar ou perceber os sintomas é importante buscar ajuda médica imediatamente. Desse modo, é possível iniciar o tratamento e evitar complicações futuras.

O que é depressão pós-parto?

Depressão pós-parto ou DPP é considerada um espectro que comporta diversos transtornos de humor e que surgem durante o período chamado de perinatal. Isso significa dizer que os sinais dessa condição podem aparecer logo nos primeiros meses após o parto.

Estima-se que no mundo todo 20% de todas as mamães apresentam sintomas de DPP. No entanto, especialistas indicam que esse número pode ser ainda maior, porque nem sempre o auxílio médico é procurado. (3)

Além disso, a depressão pós-parto é considerado um quadro clínico severo e agudo. Tudo isso devido aos riscos que a doença traz, principalmente para a saúde e para o relacionamento de mãe e filho.

Por essa razão, é uma condição que precisa de acompanhamento médico, auxílio de todos os amigos e familiares e, em alguns casos, intervenção medicamentosa.

Ainda é preciso destacar que o nascimento de uma criança é um momento de grande mudança para a toda família. A mulher é a mais atingida por isso, pois sofre alterações físicas e hormonais que podem ser fatores para o desenvolvimento da DPP. (4)

Existem fatores de risco?

Sim, a depressão pós-parto é considerada uma doença que ocorre devido a uma série de fatores. Por exemplo, biológicos, psicológicos e sociais, por isso nem sempre podem ser controlados.

Além disso, a qualidade de vida, alimentação e até mesmo a renda e o apoio familiar podem influenciar no surgimento da doença. Já o Ministério da Saúde destaca que a privação de sono, situação comum nos primeiros meses após o nascimento do bebê, isolamento e alimentação inadequada estão entre os principais fatores causadores da DPP.

Sedentarismo antes e durante a gravidez, falta de apoio do parceiro e histórico de transtornos mentais também podem favorecer o desenvolvimento da doença. Além de vício em álcool, nicotina e outras drogas.

Outros fatores que podem favorecer a manifestação da doença são: estresse durante a gravidez, gestação não desejada, histórico familiar de problemas mentais e violência doméstica.

Mulheres que sofrem que sofrem com desordem disfórica pré-menstrual, também conhecida como forma grave de TPM, possuem mais chances de desenvolver o transtorno após ou durante a gravidez. (2)

Fatores relacionados ao nascimento e que não podem ser controlados também podem acarretar na DPP. Alguns deles podem ser cesárea, bebê abaixo do peso, problemas da mãe para amamentar e doenças crônicas.

Gravidez na adolescência, primeira gestação, muitos filhos, baixa renda e até mesmo abortos espontâneos anteriores fazem com que a mulher seja inserida no grupo de risco. Além disso, disfunções na tireoide podem causar alterações hormonais severas, acarretando em diversas doenças psiquiátricas e alterações físicas. (5)

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas dos transtornos de humor não são estáticos. Isso significa dizer que eles mudam de pessoa para pessoa, de acordo com a intensidade e até mesmo pelas condições logo após o parto.

No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde, existem alguns sintomas que são mais comuns e podem servir para um diagnóstico precoce da doença. Esses sintomas são:

  • Desinteresse por fazer atividades simples do dia a dia
  • Perda de vontade de fazer coisas que antes gostava muito
  • Irritabilidade
  • Se sentir incapaz de cuidar do recém-nascido
  • Vontade de fazer mal de alguma forma ao bebê
  • Pensamentos suicidas
  • Insônia ou vontade de dormir mais do que o normal
  • Muito cansaço
  • Não conseguir se concentrar ou tomar decisões
  • Sentir-se constantemente culpada
  • Constantemente sentir preocupação e ansiedade de que algo pode acontecer com o bebê.

Em casos mais graves, quando a doença evolui para a psicose pós-parto, a mãe pode se sentir desconectada das pessoas mais próximas e até da criança. Além disso, ela pode acordar várias vezes para olhar como a criança está e apresentar confusão mental.

Em alguns casos, a mulher pode ter alucinações e pensamentos delirantes. Chegando até mesmo a machucar a criança ou aos familiares que tentarem ajudar. (2)

Nesses casos mais graves pode ser necessário o afastamento da mulher do convívio materno e até internamento. Apesar disso, a chamada psicose puerperal é mais rara. Isso porque, aparece apenas em 0,2% dos casos de DPP diagnosticados. (4)

Segundo o psiquiatra, pequenas atitudes negativas da mãe com o bebê também podem ser sintomas da doença. Por isso, ele alerta que a família precisa ficar atenta com relação à dificuldade da mulher para estabelecer vínculos com a criança, para amamentar e até para perceber se há qualquer problema com o bebê.

Em quanto tempo ela pode aparecer?

Os sintomas mais comuns da depressão pós-parto aparecem geralmente durante o primeiro mês após o parto. Em 60% dos casos eles aparecem nos primeiros cinco dias, que é quando são percebidas as principais mudanças em relação ao corpo, rotina e hormonais.

No entanto, a DPP pode prevalecer durante todo o primeiro ano do bebê. Sendo assim, pode aparecer em qualquer momento ao longo desse tempo devido aos fatores internos e externos. (3)

De acordo com o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, a mulher fica mais vulnerável nos seis primeiros meses após o parto. Contudo, é importante ficar atento aos sintomas durante pelo menos um ano.

DPP e baby blues: Quais as diferenças?

É bem comum que haja uma confusão entre a depressão pós-parto e a chamada baby blues. No entanto, mesmo que ambas façam parte dos transtornos de humor comuns após o parto, existem algumas diferenças entre elas.

Na DPP os sintomas são mais agudos e costumam durar mais tempo. Na maioria das vezes, necessita de intervenção médica. Já os sintomas da baby blues, também chamada de tristeza materna, costumam desaparecer sozinhos em poucos meses. A tristeza materna ou pós-parto geralmente ocorre na primeira semana após o nascimento do bebê.

Mesmo sendo considerado um tabu, afinal a sociedade não considera normal ter sentimentos negativos a respeito da maternidade, acredita-se que aproximadamente 90% das mulheres apresentam a baby blues.

Isso leva pesquisadores a acreditarem que ela é um processo normal e benéfico, resultado das mudanças hormonais que ocorrem no corpo da mulher. Por esse motivo, costuma desaparecer sozinha assim que o corpo volta ao normal.

No entanto, a sintomatologia da baby blues costuma ser a mesma da DPP. Irritabilidade, mudanças de humor e tristeza sem motivos aparentes são considerados os principais sintomas. (3)

Riscos da DPP para a mãe e bebê

Quando não tratada a DPP pode trazer sérios riscos para todos os envolvidos, especialmente para a mãe e o bebê. Esses riscos podem ser divididos em duas categorias: os precoces e os tardios.

No primeiro tipo, os principais riscos da depressão não tratada é a negligência em relação aos cuidados com o bebê. Isso pode incluir não amamentar corretamente, seja por problemas ou por falta de estímulo, não vacinar e também falta de interação com o bebê durante o primeiro ano de vida.

Segundo o Ministério da Saúde, as crianças cuidadas por mães com DPP podem apresentar peso abaixo do indicado, uma série de transtornos psicomotores e outros problemas de saúde.

Nos casos em que a doença evolui para psicose há um risco aumentado de infanticídio, agressão contra o bebê e até mesmo contra o cônjuge, que tem um risco maior de desenvolver depressão.

O órgão ainda destaca que a falta de interação com o bebê pode deixar a criança irritada e fazer com que ela chore com mais frequência. No futuro, ela pode apresentar insegurança, não se relacionar bem com as pessoas e apresentar transtornos alimentares e de sono.

Mulheres com depressão pós-parto também têm maiores chances de cometer suicídio e desenvolverem a fase crônica do transtorno. Nesses casos, o tratamento é mais complicado. (2)

Além disso, o psiquiatra Silva alerta também para as consequências na vida de adolescentes filhos de mulheres com depressão pós-parto não tratada. Segundo o profissional, esses jovens têm maiores chances de apresentar doenças psiquiátricas.

Qual médico procurar?

Como já foi mencionado, a melhor maneira de prevenir os casos mais graves de DPP é procurar ajuda médica logo após o surgimento dos primeiros sintomas.

O mais indicado para fazer o diagnóstico do problema é um psiquiatra, que também pode receitar o tratamento medicamento caso seja necessário. Contudo, ginecologistas, obstetras e psicólogos clínicos também estão habilitados a dar o diagnóstico inicial.

Mulher no psicólogo

O psicólogo pode dar o diagnóstico e auxiliar no tratamento da depressão pós-parto (Foto: depositphotos)

O diagnóstico é clínico. Isso significa dizer que ele é feito após uma avaliação dos sintomas e geralmente é realizado através de uma avaliação individual e o preenchimento de um formulário.

Esse formulário, analisado seguindo uma escala de sintomas, pode diagnosticar o grau da doença. Essa escala é chamada de Postpartum Depression Screening Scale (PDSS) e foi criada nos anos 2000.

Em alguns casos, o médico também pode solicitar exames de sangue. Isso vai servir para destacar alterações hormonais causadas pela tireoide. (2)

Como é o tratamento?

Após o diagnóstico de DPP, é iniciado o tratamento que costuma envolver no mínimo três áreas de atuação, são elas: ginecologia, psiquiatria e psicologia.

A área ginecológica, que abrange a obstetrícia, atua quando há a necessidade de reposição hormonal. Contudo, comparado aos demais, esse tipo de tratamento não é usado com tanta frequência.

Já o tratamento psiquiátrico, que faz uso de medicamentos antidepressivos, é utilizado nos casos em que a DPP afeta diretamente a relação familiar. Por fim, o tratamento mais comum são as terapias em grupo e individual. Elas servem para que a mulher possa falar sobre os seus sintomas e também para melhorar a relação dela com o bebê.

Nos casos mais graves, onde o problema evoluiu para psicose, pode ser necessário internamento. Além disso, durante o período de tratamento, é necessário que alguém acompanhe a mãe nos cuidados com o bebê para evitar possíveis riscos à saúde da criança.

Em todos os casos, o Ministério da Saúde destaca que o Sistema Único de Saúde está habilitado para fazer o diagnóstico e tratamento. Por isso, basta procurar uma unidade mais próxima. (2)

Antônio Geraldo da Silva informa ainda que não existe remédio caseiro para depressão pós-parto. Por isso, não se deve nunca buscar tratamento por conta própria e sim buscar ajuda médica especializada.

Não tenha medo de pedir ajuda

Você viu nesse artigo como a depressão pós-parto pode se manifestar e atingir negativamente a vida de todos os envolvidos. Além disso, a família tem um papel importante na recuperação das pacientes. Ajudando a prevenir as consequências mais graves da DPP e auxiliando na recuperação da paciente, como frisa o psiquiatra Antônio Geraldo.

Por esse motivo, é importante destacar novamente a necessidade de ter o apoio, tanto do companheiro, quanto dos amigos e familiares. Assim, essa nova fase da vida pode ser aproveitada da melhor maneira possível.

*Artigo feito em colaboração do psiquiatra Antônio Geraldo da Silva (CRM – 5875, RQE-2275), presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL) e diretor e superintende da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Referências

(1)ZINGA, Dawm et al. “Depressão pós-parto: sabemos os riscos, mas podemos preveni-la?”. Revista Brasileira de psiquiatria, v.27, n.2, p.56-64, [2005]. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462005000600005. Acesso em 4 de março de 2019.

(2)Ministério da Saúde. “Depressão pós-parto: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção”. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental/depressao-pos-parto. Acesso em 4 de março de 2019.

(3)SCHIDT, Eluisa Bordin et al. “Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil”. Psico-USF, v.10, n.1, p.61-68, [2005]. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/58110502/Depressao-Pos-Parto-Fatores-de-Risco-e-Repercussoes-No-to-Infantil. Acesso em 4 de março de 2019.

(4)IACONELLI, Vera. “Depressão pós-parto, psicose pós-parto e tristeza materna”. Revista pediatria moderna, v.41, n.4, [2005]. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/registro/Depressao_pos_parto__psicose_pos_parto_e_tristeza_materna/56. Acesso em 4 de março de 2019.

(5)GUEDES-SILVA, Damiana et al. “Depressão pós-parto: prevenção e consequências”. Revista mal-estar e subjetividade, v.3, n.3, p.439-450, setembro de 2003. Disponível em: https://www.redalyc.org/html/271/27130210/. Acesso em 4 de março de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (Mtb-PE: 6770) com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio. Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.