Conheça os principais preparados medicinais da medicina chinesa

Na fitoterapia chinesa raramente são prescritas plantas isoladas e o diagnóstico é minucioso

Você conhece os principais preparados medicinais da medicina chinesa? Nesse artigo você vai conferir essa informação e conhecer os princípios básicos da prática. A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é a denominação dada ao sistema médico integral que teve origem há cerca de 3 mil anos na China. Ao longo dos tempos, essa prática reuniu ricos conhecimentos e efetivas experiências clínicas, tornando-se uma ciência completa, bem desenvolvida e moderna, que tem ganhado cada vez mais espaço no ocidente.

Entretanto, ela tem características muito diferentes da medicina ocidental. A nossa medicina convencional tem caráter de reparação, ou seja, primeiro esperamos ficar doentes, para depois procurarmos ajuda médica. Já a medicina oriental atua de forma preventiva, onde o foco das consultas e tratamentos é manter a saúde e evitar o surgimento de enfermidades.

Princípios básicos da Medicina Tradicional Chinesa

A Medicina Tradicional Chinesa visa a integridade, a partir da harmonia entre corpo e mente. De acordo com essa modalidade, o homem é formado por um conjunto de energias que fluem por todo o corpo e que precisam estar em equilíbrio.

Esse conjunto de práticas medicinais fundamenta-se numa estrutura teórica de natureza filosófica, tendo como base a interação do organismo humano com o ambiente, segundo os ciclos da natureza. Essa abordagem é aplicada em relação ao tratamento das doenças e também à manutenção da saúde, através de diversos métodos.

Tigelas com ervas

Na herbologia chinesa existem cerca de 50 ervas fundamentais (Foto: depositphotos)

Fitoterapia chinesa –  a responsável pelos preparados medicinais

A fitoterapia é uma das modalidades milenares de tratamento adotadas pela MTC. De acordo com a especialista em Medicina Tradicional Chinesa e Terapia Ortomolecular, Maria Ana Grolla, as fórmulas usadas na fitoterapia chinesa são as mesmas desde a época da Dinastia do imperador Huang, devido ao respeito à tradição milenar. Estas fórmulas magistrais, encontradas em livros de diversos idiomas, são utilizadas e estudadas em quase todos os países.

O imperador chinês Huang era conhecido como Imperador Amarelo e é considerado o criador lendário de importantes elementos da cultura chinesa, como o taoísmo, a astrologia chinesa, o Shuai Jiao, a  própria medicina chinesa e o Feng Shui.

A especialista diz que na herbologia chinesa, existem cerca de 50 ervas fundamentais. As folhas, flores, frutos, raízes e cascas de plantas são utilizadas para uso terapêutico. “Mas, apesar do termo chinês ser traduzido, em geral, como fitoterapia ou medicina herbal, esta forma de tratamento também usa ingredientes de origem animal ou mineral na elaboração de suas fórmulas”, conta Maria Ana.

Veja também: Fitoterapia chinesa, uma ciência milenar

A classificação das ervas

Segundo a especialista, a fitoterapia chinesa é como uma alquimia. Para fazer uma fórmula, é preciso conhecer as capacidades energéticas, curativas e sinérgicas das ervas, ou seja, a interação de uma planta com as outras. As diferentes maneiras de preparo das plantas medicinais são muito importantes.

Maria explica que a Medicina Tradicional Chinesa utiliza, principalmente, quatro métodos para classificar as ervas chinesas usadas em seus medicamentos. São eles:

As quatro naturezas

Na formulação chinesa existem quatro tipos de ervas, Maria fala sobre cada uma delas:

  • Erva Imperador: é o coração da fórmula. Sua ação é dirigida ao sintoma principal.
  • Erva Ministro: ajuda a potencializar a ação da erva imperador e trata outros sintomas secundários.
  • Erva Assistente ou Auxiliar: reforça a ação da erva imperador e da erva ministro e elimina ou reduz a sua intensidade e toxicidade. Ou seja, elas cuidam do estômago, para que este receba bem a fórmula. Ela também trata sintomas secundários.
  • Erva Mensageira ou Guia: levam as demais ervas para o local necessário. Ela dirige a ação da fórmula para o sistema ou parte do corpo afetada, regulando, ainda, a ação das outras plantas da fórmula.

“Em cada fórmula medicinal pode haver uma, ou mais plantas, de cada uma destas categorias”, afirma a especialista.

Os cinco sabores

As ervas também podem ser usadas de acordo com seus cinco sabores: doce, amargo, salgado, azedo e picante. A profissional diz que cada um desses sabores tem as suas próprias funções específicas.

“Geralmente, as plantas de sabor picante exercem efeitos de dispersão e promoção; as de sabor doce funcionam como tonificação e regulação; as de sabor amargo produzem efeitos fortalecedores e purgantes; as de sabor azedo geram efeitos adstringentes, fortificam e umedecem. Já as de sabor salgado promovem efeitos suavizantes e purgantes”, esclarece Maria. Existem, ainda, as ervas consideradas suaves, ou seja, sem sabor, que têm efeito diurético.

Os meridianos

Os meridianos são quatro direções, que representam outras qualidades adicionais usadas para classificar as ervas. São elas: ascendente, descendente, circulante ou flutuante e submersão. Elas estão relacionadas aos diferentes estados de doença no organismo humano.

“Ascendentes e circulantes referem-se a ervas que têm um efeito para cima e para fora. Elas são usadas para ativar o Yang, induzir a transpiração e dispersar o frio e o vento.  São as plantas mais suaves e leves, como flores e folhas. Já as descendentes e de submersão possuem um efeito para baixo e para dentro; elas tranquilizam, causam contração, aliviam a tosse, interrompem a êmese e promovem a diurese e purgação. São plantas mais túrbidas e pesadas, como sementes e frutos”, orienta Maria Ana Grolla.

Os princípios complementares Yin/Yang

Esses princípios estão relacionados à dualidade de tudo que existe no universo. São duas forças fundamentais opostas e complementares, que se encontram em todas as coisas. O Yin é o princípio feminino, noite, lua, passividade e absorção. O Yang é o princípio masculino, sol, dia, luz e atividade.

Isso fica evidente, principalmente, através do método que usa as temperaturas das ervas: quente, fria, morna, neutra, fresca e outras intermediárias. “A fitoterapia chinesa, diz, que doenças quentes, devem ser tratadas com ervas frias, e doenças frias, devem ser tratadas com ervas quentes. Estas preparações levam a pessoa ao equilíbrio, facilitando a digestão para que as ervas sejam bem absorvidas”, expõe a profissional.

Ela explica que as ervas com propriedades mornas ou quentes são o lado Yang em natureza. Elas dispersam o vento e o frio interno, aquecem o baço e o estômago, e também possuem ações estimulantes e fortalecedoras. Ervas dessa natureza incluem o acônito, o gengibre seco e a canela.

As ervas com propriedades frescas ou frias são o lado Yin em natureza. Elas removem o calor, aliviam a inflamação patogênica, acalmam os nervos, servindo também como antibióticos, sedativos e anti-inflamatórios para doenças febris. Alguns exemplos são: coptis, scutellaria, gypsum e gardênia.

Como é prescrita a Fitoterapia Chinesa?

A prescrição de preparados medicinais com ervas é feita de maneira minuciosa e bastante cuidadosa. “Primeiramente é realizado um diagnóstico energético, que consiste em responder a um questionário baseado em hábitos alimentares, histórico médico, estilo de vida, estados mental e emocional, ginecologia, exames da língua, e pulsação”, informa a especialista.

Agulhas de acupuntura

A acupuntura é uma técnica que consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo (Foto: depositphotos)

Na fitoterapia chinesa, raramente são prescritas plantas isoladas. Na filosofia da MTC, o paciente deve ser visto como um todo e não como tendo os sintomas isolados. Tratam-se as manifestações, mas também as causas. “O número de plantas usadas nas fórmulas fitoterápicas é variável e quando se retira uma planta ou se altera a dosagem, passamos a ter outra fórmula com características energéticas completamente diferentes”, complementa Maria.

Para finalizar, ela alerta: “é sempre aconselhável seguir a prescrição de um especialista de Medicina Tradicional Chinesa, que determinará a combinação de plantas (fórmula) adequada a cada caso, e que poderá variar de acordo com a evolução da patologia. Muitas ervas são proibidas durante a gravidez, por exemplo, pois podem causar aborto. Por isso, não faça, de maneira alguma, a automedicação”.

Veja também: Os benefícios da acupuntura

Outros métodos de tratamento da Medicina Tradicional Chinesa

Além da fitoterapia, os principais métodos de tratamento da Medicina Tradicional Chinesa são:  

  • Acupuntura – Técnica que consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo para tratar doenças e promover mais saúde. É a única prática da MTC introduzidas no Sistema Único de Saúde brasileiro, o SUS.
  • Tui Ná – Essa expressão significa literalmente “puxar- agarrar” em mandarim. É um tipo de massagem e osteopatia chinesa. Costuma tratar patologias músculo-esqueléticas.
  • Dietoterapia ou Terapia Alimentar Chinesa – Prática de prevenção e tratamento de doenças através do uso de alimentos naturais.
  • Auriculoterapia – Terapia que consiste na estimulação com agulhas, sementes de mostarda, objetos metálicos ou magnéticos em pontos específicos da orelha para aliviar dores ou tratar diversos problemas físicos ou psicológicos.
  • Moxabustão – Uma espécie de acupuntura térmica, feita pela combustão da erva Artemisia vulgaris. Esta erva produz uma excelente fonte de calor, promovendo o efeito terapêutico. É utilizado um bastão aceso e o terapeuta deixa-o, aproximadamente, 1cm de distância da pele do cliente.
  • Ventosaterapia – Tratamento natural no qual são usadas ventosas para melhorar a circulação sanguínea em um local do corpo. Para isso, as ventosas criam um efeito de vácuo, que suga a pele, resultando em um aumento do diâmetro dos vasos sanguíneo no local.

Atividades físicas que integram respiração, circulação de energia e meditação como: Chi Kung, Tai Chi Chuan e algumas outras artes marciais também são consideradas métodos terapêuticos para a manutenção da saúde ou para recuperá-la.

*Informações sobre a especialista entrevistada

Maria Ana Grolla
Especialista em Medicina Tradicional Chinesa e Terapia Ortomolecular
Atendimentos individuais na área da Bioenergia e Desenvolvimento Pessoal, aliando diversas técnicas
Ministra o curso “A Arte de Tocar”, Acupuntura e a Terapia Informacional da Consciência

Sobre o autor

Jornalista (MTB-RJ: 36167), formada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela PUC-Rio e especialização em Jornalismo Cultural, pela UERJ. Como redatora web, escreve matérias sobre assuntos diversos. Também atua na área de marketing de conteúdo e produção audiovisual.