Mastruz: benefícios e para que serve

As folhas dessa erva servem para tratar problemas do sistema respiratório, como gripe, rinite e até asma

O mastruz é uma erva medicinal, herbácea e seu nome científico é Chenopodium ambrosioides. Nativa da América Central e do Sul, suas folhas possuem um tom de verde escuro e as flores têm um tom esbranquiçado.

Além disso, seu cheiro é muito forte e pode ser desagradável para muitas pessoas. A planta Mastruz pode crescer até 70 cm de altura e é conhecida também por outros nomes, como erva-de-Santa-Maria, lombrigueira ou quenopódio. E pode ser encontrada em lojas naturais ou em farmácias de manipulação.

Para entender um pouco mais sobre os benefícios e propriedades dessa planta, trouxemos esse artigo. Aqui você encontra respostas para perguntas como: para que serve mastruz? Mastruz serve para gastrite? Como usar essa planta? E o melhor, com todas as informações baseadas em estudos e pesquisas científicas. Acompanhe!

O que é mastruz e para que serve?

A Chenopodium ambrosioides chamada popularmente de mastruz, é uma planta nativa do continente americano e pertence à família Amaranthaceae. O mastruz é tido como sendo uma planta nativa da América tropical, por isso sua origem é atribuída ao México de onde foi levada para outros países do continente.

Planta mastruz

Mastruz é indicada para o tratamento de problemas que afetam o sistema respiratório (Foto: Jardim Botânico)

Atualmente, o mastruz também pode ser encontrado em quase todos os países da América Central e do Sul, África e em algumas regiões de clima temperado. Como por exemplo, na região que vai do Mediterrâneo até a parte central do Continente Europeu. (1)

Em 2009, o mastruz entrou na lista da Relação Nacional de Plantas de Interesse ao Sistema Único de Saúde (RENISUS). Essa lista conta com 71 espécies de plantas nativas usadas na medicina tradicional que ganharam prioridade nos estudos farmacológicos.

Além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) o considera como uma das ervas mais usadas para fins medicinais no mundo. As folhas servem principalmente para tratar problemas do sistema gastrointestinal, como a diarreia, e feridas inflamadas na pele.(2)

O mastruz também serve para tratar problemas do sistema vascular e do sistema respiratório, como asma e pneumonia. Além de servir como um inseticida e repelente de insetos. Sendo que a principal forma de uso é a decocção ou cozimento das folhas frescas. (1)

O primeiro uso médico da erva foi documento por um botânico do século XVIII, quando percebeu que os colonos do território americano usavam o mastruz para o tratamento de parasitas intestinais. (3)

Quais as principais características da erva?

O mastruz é uma erva arbustiva, formada por diversos ramos que saem do tronco principal e possui alguns pelos curtos e avermelhados. (1) Ela também pode ser perene, ou seja, sobrevive por mais de dois anos.

Já as folhas são alongadas, com pequenos pelos em toda a sua extensão e com uma variação de tamanho. Sendo que, as menores geralmente ficam localizadas nas extremidades dos galhos.

Além disso, elas apresentam um tom de verde vibrante e um cheiro bastante característico. Esse cheiro pode ser desagradável e o sabor das folhas é amargo, dois aspectos inconfundíveis da erva-de-Santa-Maria.

As plantas adultas contém pequenas flores em tons de verde e amarelo que dão origem a pequenos frutos marrons. Na maioria das vezes, a erva aparece em terrenos baldios de maneira espontânea, uma vez que se adapta bem a quase todos os tipos de solo. Por isso, é considerada uma erva daninha em algumas regiões. (3)

Propriedades da planta

O mastruz carrega consigo várias vitaminas, como A, C e principalmente do complexo B. Além disso, possui cálcio, ferro, fósforo, zinco e potássio. Consequentemente suas propriedades são vastas. Por exemplo, ela é um ótimo cicatrizante para machucados, uma vez que suas folhas carregam uma grande quantidade de óleos essenciais.

A planta também é antibacteriana e antiviral. Além disso, o óleo essencial extraído das folhas do mastruz possui grandes quantidades de flavonoides, esses compostos possuem ação anti-inflamatória e atuam no auxílio de absorção de vitamina C. (1)

Benefícios do mastruz

Podemos dizer que o uso dessa planta é versátil, pois auxilia tanto no tratamento da rouquidão quanto câimbra e até problemas respiratórios.

Gripes fortes podem ser amenizadas com uma xícara de chá de mastruz, tendo em vista que a vitamina C presente na planta auxilia no combate. Quem tem crises de rinite, asma e sinusite também podem se beneficiar de seu uso com apenas uma xícara de chá, isso porque essa planta limpa o muco e o catarro.

O mastruz também ajuda na indigestão e nos problemas de gastrite. Quem sofre com flatulência também pode ser beneficiado com o seu uso. Além disso, o chá da planta pode ser aplicado em machucados, ajudando a acelerar a cicatrização.

Outro modo diferente de usar essa planta é misturando a própria erva com leite. Essa é uma combinação poderosíssima para deixar seu corpo imune aos parasitas e bactérias, embora não agrade a todos os paladares.

Mais um benefício do mastruz para a saúde é a sua ação anti-parasitária. Isso significa dizer que ele age como um remédio caseiro contra os mais comuns tipos de parasitas intestinais, não apenas em humanos, mas também em animais domésticos.

A erva também possui efeitos anti-tumorais, sendo responsável pela inibição do crescimento de células cancerígenas. (4) O extrato das folhas frescas também é bactericida e antioxidante, ajudando a retardar o envelhecimento das células e prevenir inúmeras doenças. (5)

Por fim, o extrato da erva também é um potente inseticida. Então, pode ser usado com segurança como repelente em ambientes internos e até mesmo em alimentos frescos. (1)

Qual a eficácia do mastruz para inflamações?

Um dos usos mais comuns do mastruz é como emplastro ou cataplasma para ajudar no processo da cicatrização de lesões na pele e até mesmo fraturas ósseas. (1) Isso acontece porque o extrato das folhas possui componentes anti-inflamatórios e analgésicos, que podem ajudar na cicatrização e diminuição das dores em feridas abertas.

Por essa razão, pode ser usado em pessoas que apresentam problemas com dores crônicas ou sensibilidade aos analgésicos e anti-inflamatórios comuns. Outro ponto importante é que o mastruz ajudou a diminuir o inchaço causado pelas lesões e a aumentar a tolerância a dor. (6)

Os derivados medicinais da erva também são antibacterianos, uma vez que atua na inibição das colônias desses micro-organismos, que podem fazer mal para a saúde. (5)

Mastruz serve para tratar gastrite?

Pela medicina popular brasileira, o mastruz é uma erva bastante indicada para o tratamento de gastrite e úlceras. Isso acontece porque ele possui substâncias que inibem a proliferação da H.pylori, uma bactéria que vive no estômago e é responsável por causar a maioria dos problemas que atingem o trato gastrointestinal. Como por exemplo a gastrite, úlceras e até mesmo alguns tipos de câncer.

Em pesquisas feitas em laboratório, o chá do mastruz ajudou a inibir a proliferação de colônias desse tipo de bactéria. Além disso, os componentes extraídos das folhas do mastruz também apresentam efeitos anti-inflamatórios e cicatrizantes. Sendo assim, auxiliam na cicatrização de úlceras estomacais e de complicações causadas pelo câncer de estômago. (7)

Ele também pode ser usado como um reforço para a ação de medicamentos usados no tratamento de problemas gastrointestinais, graças a elementos chamados de saponinas. Com isso, pode potencializar os efeitos dos componentes sintéticos ao mesmo tempo em que ajuda a amenizar os efeitos negativos deles. (8)

Quais as formas de uso da erva-de-Santa-Maria?

Os modos de uso do mastruz são tão variados quanto os nomes que a erva recebe popularmente. Entretanto, o mais comum e difundido em todo o país é o consumo do extrato resultante da decocção ou do cozimento das folhas.

Esse chá pode ser feito com as raízes ou folhas, que podem ser frescas ou secas. Nesse caso, o uso mais frequente é no tratamento de problemas gástricos ou de parasitas intestinais.

Outro uso bastante comum é o sumo das folhas secas, misturado com leite e açúcar. Essa mistura é mais indicada para o tratamento de doenças que atingem o sistema respiratório. Desde gripes e resfriados até problemas mais graves como asma e tuberculose, tendo em vista que essa erva é antibacteriana.

Por fim, mas não tão comum, o sumo retirado ao amassar as folhas pode ser aplicado em feridas ou outros tipos de lesões. Para o tratamento funcionar, esse remédio natural deve ser aplicado diretamente sobre a área afetada em uma compressa úmida, auxiliando no processo de cicatrização e diminuição do inchaço. (9)

Veja a seguir algumas receitas de como usar o mastruz em casa!

Como fazer chá de Mastruz?

Em uma chaleira com 500 ml de água fervente, coloque uma xícara (de café) de sementes de mastruz e deixe durante 10 minutos. Coe e adoce com mel ou açúcar a gosto.

Já para o preparo do chá por meio de infusão, é preciso usar as folhas secas, pois assim é mais fácil de extrair os benefícios da erva. Em primeiro lugar, coloque uma xícara de água para ferver em uma chaleira. Quando a água estiver borbulhando, desligue o fogo e adicione uma colher (de sopa) da erva. Espere alguns minutos e logo depois adoce com mel. Beba ainda quente.

Por último, uma outra dica: a decocção com as folhas frescas. Nesse caso, cozinhe uma colher (de sopa) de folhas frescas de mastruz em uma xícara de água fervente por 5 minutos para que todos os nutrientes sejam extraídos. Depois de pronto, adoce com mel e beba ainda quente. A recomendação é que ele seja ingerido até três vezes por dia. (1)

Como preparar o mastruz com leite?

O preparo feito com folhas verdes de mastruz e leite é bastante usado na região Nordeste do país para o tratamento de gripes, resfriados e outras doenças respiratórias.

Preparo de mastruz com leite

Mastruz com leite deve ser ingerido uma vez por dia (Foto: depositphotos)

O preparo dessa bebida é bastante simples. Selecione 20 folhas de mastruz e coloque-as no liquidificador com 100 ml de leite. Bata até a mistura ficar o mais homogênea possível. Se quiser adoçar, use mel ou suco de laranja.

Para um tratamento eficaz, essa bebida deve ser consumida diariamente, apenas uma vez por dia e em um período de, no máximo, 10 dias. (3)

Modo de preparo do cataplasma

Cataplasmas são pastas preparadas com medicamentos naturais, que são aplicadas em áreas lesionadas ou inflamadas do corpo. O modo de preparo do cataplasma com folhas verdes de mastruz é bem simples, basta esmagar as folhas e aplicar o sumo no local lesionado.

É comum também envolver a área com alguma gaze, que faz com que a mistura fique em contato com a pele por mais tempo. Os principais usos são para aliviar as dores causadas por reumatismo, pancadas e golpes na região. No entanto, o extrato também é eficaz na cicatrização e para impedir infecções causadas por bactérias em ferimentos abertos. (9)

Contraindicação

O chá dessa planta não é indicado para mulheres grávidas, pois pode ser abortivo. Além disso, consumido por um período de tempo muito longo pode causar infertilidade. Outra ponto importante é que essa planta é para tratamentos imediatos e não é recomendado seu uso contínuo, pois ela pode causar náuseas.

Também não é recomendado para crianças e antes de iniciar o tratamento com essa erva procure um médico para avaliar o problema apresentado.

Em grandes quantidades o chá ou qualquer outro preparo com mastruz apresenta toxicidade moderada, podendo causar intoxicação. Isso porque, em grandes quantidades ele se torna uma substância irritante para o trato gastrointestinal.

Os principais sintomas do problema são infecção intestinal, seguida de sangramento ocasionado pela dilatação dos vasos da região do intestino. Logo depois podem aparecer os sintomas relacionados ao sistema nervoso, como dor de cabeça, tontura, falta de coordenação motora, além de uma sensação de formigamento sobre a pele e rubor facial. (3)

Onde encontrar o mastruz?

Você viu nesse artigo quais são os benefícios e para que serve a erva mastruz. Para quem ficou com vontade de experimentar os efeitos dessa erva poderosa, a boa notícia é que ela costuma crescer de maneira espontânea por todo o Brasil.

Por isso, é possível encontrar os arbustos em parques e até mesmo em terrenos baldios. Já quem não consegue ter acesso a planta, pode encontrar o composto pronto para a infusão em lojas de produtos fitoterápicos. Esse composto é feito com as folhas secas, mas mantém todos os benefícios encontrados na erva.

Por fim, o mastruz também pode ser plantado em casa. Isso porque, a planta requer poucos cuidados e cresce em qualquer tipo de clima.

Referências

(1) MATOS, Joana Augusta Leão de. “Potencial Biológico de Chenopodium ambrosiooides L. (Erva-de-Santa-Maria)”. Repositório Institucional da Universidade Fernando Pessoa, Faculdade de Ciências da Saúde, 2011. Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/handle/10284/2287. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(2) GRASSI, Liliane Trivellato. “Chenopodium ambrosioides L. Erva de Santa Maria (amaranthaceae): estudo do potencial anti-inflamatório, antinociceptivo e cicatrizante”. Universidade do Vale do Itajaí, 2011. Disponível em: https://siaiap39.univali.br/repositorio/handle/repositorio/1515. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(3) SÁ, Rafaela Damasceno. “Estudo farmacognóstico de Chenopodium ambrosioides L. (Chenopodiaceae)”. Universidade Federal de Pernambuco, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10715. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(4) NASCIMENTO, FR.; et al. “Ascitic and solid Ehrlich tumor inhibition by Chenopodium ambrosioides L. treatment”. PubMed, 2006. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16307762. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(5) SANTIAGO, Juliana Andrade; et al. Essential oil from Chenopodium ambrosioides L.: secretory structures, antibacterial and antioxidant activities”, 2016. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciBiolSci/article/view/28303. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(6) IBIRONKE, GF.; AJIBOYE, KI. “Estudos das propriedades antiinflamatórias e analgésicas do extrato de folhas de Chenopodium Ambrosioides em ratos”, Revista Internacional de Farmacologia, 2007. Disponível em: https://scialert.net/fulltextmobile/?doi=ijp.2007.111.115. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(7) YE, Hui; et al. “Anti-Helicobacter pylori activities of Chenopodium ambrosioides L. in vitroand in vivo”. PubMed, 2006. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4394078/. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(8) KOKANOVA-NEDIALKOVA, Zlatina; NEDIALKOV, Paraskev T.; NIKOLOV, Stefan D. “The genus chenopodium: Phytochemistry, ethnopharmacology and pharmacology”. Pharmacognosy Department, Faculty of Pharmacy, Medical University of Sofia, 2010. Disponível em: http://www.phcogrev.com/article.asp?issn=0973-7847;year=2009;volume=3;issue=6;spage=280;epage=306;aulast=Kokanova-Nedialkova. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

(9) BRITO, Marcus Vinicius Henriques; CARVALHO, Daniel da Silva; ALBUQUERQUE, Ana M. Morais. “Efeito do extrato de mastruz em culturas deStaphylococcus Aureus e Escherichia coli”. Revista Paraense de Medicina, 2007. Disponível em: http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-59072007000100004. Acesso em 3 de dezembro de 2018.

Sobre o autor

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Jornalista (Mtb-PE: 6770) com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio. Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.