Chapéu de couro: para que serve o chá dessa planta

O nome científico da chapéu de couro é Echinodorus macrophyllus, mas poucas pessoas a conhecem por essa nomenclatura. Normalmente, ela é chamada de chá-mineiro, erva-do-brejo ou chá-de-campanha.

Mas, é a propriedade diurética que faz a fama dessa erva. Além disso, ela ainda atua no tratamento e prevenção de artrite e reumatismo. Tudo isso sem falar na melhora da pele proporcionada pelo cataplasma feito com a planta medicinal.

O melhor de tudo é que ela é super fácil de ser encontrada para o preparo de chá. De acordo com o naturopata e fitoterapeuta Danilo Ramon, chapéu de couro pode ser adquirida em feiras livres, loja de produtos naturais e até mesmo em supermercados.

Folhas de chapéu de couro
A chapéu de couro é uma planta medicinal capaz de evitar doenças no coração e nos rins (Foto: depositphotos)

Em farmácias também é possível encontrar essa planta na forma de cápsulas, mas o profissional lembra que a dosagem depende de diversos fatores, como: o problema do paciente, a idade e o histórico médico. Por isso, Danilo recomenda a busca por uma consulta com um profissional de saúde antes de iniciar o uso.

Para que serve o chapéu de couro?

Rins e coração são alguns dos órgãos beneficiados por essa planta medicinal. Segundo o naturopata, isso se deve à presença dos compostos encontrados nela, a exemplo dos flavonoides, glicosídeos e heterosídeos.

“É indicado para problemas de pele, reumatismo, ácido úrico, gota, sífilis, para rins e bexiga. É depurativo do sangue, baixa a pressão e evita arteriosclerose”, explica o especialista em produtos naturais.

Benéfico para os rins

Danilo Ramon explica que os flavonoides presentes no chapéu de couro têm ações diuréticas e depurativas. Por essas razões, a planta age em benefício dos rins, ajudando esses órgãos a realizar suas atividades sem sobrecarregá-los.

A principal função renal é a excreção de substâncias tóxicas e o excesso de água do organismo. Com a erva, há um aumento da filtração, estimulando a eliminação de toxinas e até mesmo do ácido úrico, esse último quando está em excesso pode acumular-se em tendões, articulações e nos próprios rins causando doenças como a artrite gotosa. (1)

Emagrece

Ainda pelas ações diuréticas e depurativas, a planta medicinal ajuda a eliminar a retenção de líquidos, causando a sensação de desinchaço no corpo. “E o iodo encontrado na planta ajuda a regular a tireoide, fazendo normalizar o controle de peso que faz parte da função dessa glândula ativando ou inibindo a secreção [dos hormônios] T3 e T4″, conta o naturopata ao afirmar o efeito emagrecedor dela.

Faz bem para o coração

Os benefícios dessa erva para o coração são indiretos, uma vez que seus compostos causam reações capazes de evitar determinadas doenças cardíacas. Por exemplo, chapéu de couro é anti-hipertensiva, utilizada no tratamento da hipertensão arterial, popularmente chamada de pressão alta.

Outro efeito benéfico é a ação vasodilatadora da planta, aumentando o diâmetro dos vasos sanguíneos. Como consequência disso, há uma melhora no fluxo de sangue, o qual irá transportar com mais facilidade o oxigênio e os nutrientes para todos os músculos, incluindo o cardíaco.

“Os glicosídeos e heterosídeos possuem atividade cardiotônica melhorando circulação e fluxo sanguíneo”, complementa o profissional de fitoterapia.

Combate dores

Como vimos, os flavonoides com a capacidade diurética ajudam na eliminação de ácido úrico. Portanto, conseguem diminuir o acúmulo dessa substância responsável por provocar dores nas articulações. Além disso, a erva-do-brejo tem um efeito anti-inflamatório. Por todos esses fatores, Danilo Ramon recomenda a sua utilização para tratar artrite, reumatismo e gota.

Melhora a pele

“Por causa dos taninos ela [planta] atua também na pele, nas mucosas e no epitélio. E com a ação depurativa purifica o sangue deixando a pele mais limpa e sem manchas“, esclarece o naturopata.

Outras atividades

Algumas propriedades ainda estão sendo estudadas por cientistas e pesquisadores, mas já apresentam resultados promissores. São elas:

  • Antioxidante
  • Antitumoral
  • Antiasma
  • Antimicrobiana
  • Atividade leishmanicida
  • Atividade larvicida para Aedes aegypti. (1,2)

Como fazer o chá?

Existem duas formas de fazer o chá de chapéu de couro, segundo o naturopata Danilo Ramon. A primeira maneira é através da infusão, deixando uma colher (de chá) da erva descansar em uma xícara (150 ml) de água fervente tampada por 15 minutos. O segundo método é o decocto, onde você deve ferver a erva juntamente com a água durante 5 minutos. (3)

Mas, de uma forma ou de outra, o consumo se dá da mesma maneira, dependendo apenas do resultado que se deseja ter. “Tomar 1 xícara (para manutenção e prevenção) ou 2 xícaras (para tratamento) ao dia”, indica o fitoterapeuta.

Outras formas de uso

Cataplasma

Além de beber o chá, é possível usá-lo como compressa quente para tratar gota reumática e dores nevrálgicas. Também pode ser utilizado em um banho de assento de duas a três vezes ao dia, complementando o tratamento de inflamação na próstata chamada de prostatite. (4)

“Em cataplasma há várias formas de se aplicar. De forma externa, por sua ação anti-inflamatória e depurativa, pode fazer banhos para problemas de pele ou aplicar sobre o local inflamado como feridas”, recomenda Danilo.

Tintura

Já no caso da tintura feita com as folhas secas de Echinodorus e encontrada em frascos de 100 ml, é indicado o uso de 5 a 10 ml diluídos em meio copo d’água, três vezes ao dia. As indicações desse tratamento são: artralgias, processos inflamatórios de origem reumática, gota, dermatites crônicas, inflamações do trato urinário (cistites) e como diurético para auxiliar no tratamento de hipertensão arterial. (5)

Cápsulas

“Em cápsula é a melhor forma de fazer o uso por termos o controle da dosagem, já que existem várias formulações que mudam a quantidade a ser ingerida, por isso é melhor consultar o naturopata ou fitoterapeuta. Mas, uma forma segura de consumir é uma capsula de 500 mg, três vezes ao dia”, conta.

Chá de chapéu de couro faz mal?

O uso consciente dessa planta medicinal não faz mal, mas ela é limitada para adultos e em algumas circunstâncias é contraindicada. “Quem não pode fazer uso dessa planta são as pessoas que têm pressão muito baixa, pois pode baixar ainda mais a pressão arterial”,  alerta o especialista em produtos naturais.

Quem está com diarreia, corrimentos vaginais crônicos e insuficiência renal e cardíaca também deve evitar usá-la. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contraindica seu uso juntamente com anti-hipertensivos. (6)

Efeitos colaterais dessa planta medicinal

Segundo Danilo Ramon, a erva não é tóxica, mas o excesso pode causar alguns efeitos colaterais. Além de baixar a pressão, o chá e a tintura de chapéu de couro podem provocar diarreias nos consumidores. (5)

*Artigo feito com a colaboração do naturopata especialista em acupuntura, fitoterapia e iridologia, Danilo Ramon (CRTH – 1224 – BR).

Referências

(1) MARQUES, André Mesquita. “Potencial químico e farmacológico de Echinodorus grandiflorus: uma espécie de uso popular com grande potencial para o desenvolvimento de um fitomedicamento no país”. Fundação Oswaldo Cruz, 2016. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/17711/2/14.pdf. Acesso em 01 de novembro de 2019.

(2) BRUGIOLO, Sônia Sin Singer. “Avaliação da toxicidade do extrato aquoso liofilizado de chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus) em ratas prenhes”. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2010. Disponível em: https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/2537/1/soniasinsingerbrugiolo.pdf. Acesso em 01 de novembro de 2019.

(3) Governo de Pernambuco. “Cartilha de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos”. 2014. Disponível em: http://farmacia.saude.pe.gov.br/sites/farmacia.saude.pe.gov.br/files/cartilha.pdf. Acesso em 01 de novembro de 2019.

(4) MACHADO, Clarice Azevedo; VARGAS, José Fernando da Rosa. “Plantas medicinais do jardim botânico de Porto Alegre”. Projeto Arranjo Produtivo Local de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Rio Grande do Sul – APLPMFito/RS, 2018. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20190154/17115411-e-book-plantas-medicinais.pdf. Acesso em 01 de novembro de 2019.

(5) Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. “Manual terapêutico de fitoterápicos”. 2010. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3424596/4135676/MANUALTERAPEUTICOFITOTERAPICO.pdf. Acesso em 01 de novembro de 2019.

(6) Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira”, 1ª edição, 2011. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33832/259456/Formulario_de_Fitoterapicos_da_Farmacopeia_Brasileira.pdf/c76283eb-29f6-4b15-8755-2073e5b4c5bf. Acesso em 01 de novembro de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista (MTB-PE: 6750), formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, pela UniFavip-DeVry, escreve artigos para os mais diversos veículos. Produz um conteúdo original, é atualizada com as noções de SEO e tem versatilidade na produção dos textos.