Cana-de-macaco: para que serve esta erva e seu chá

O chá de cana-de-macaco é difundido na medicina alternativa como um verdadeiro aliado do sistema urinário. Isso porque a bebida serve para tratar desde infecções urinárias a cálculos renais. Mas essa não é a sua única vantagem.

Por ser uma planta nativa do Brasil, é grande a facilidade de encontrá-la em jardins ou à venda, seja em feiras, casas de ervas, lojas de artigos naturais, ou mesmo em sites especializados. O preço também é um atrativo, um pote com 60 cápsulas do extrato da planta gira em torno dos R$20.

Mas não é só isso. O consumo da cana-de-macaco praticamente não apresenta contraindicações, podendo ser utilizado por jovens, adultos e idosos e, até o momento, a literatura não identificou efeitos colaterais provenientes do seu uso.

É por essas e por outras que a Costus spicatus, nome científico da cana-de-macaco, faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), constituída de espécies vegetais com potencial de avançar nas etapas da cadeia produtiva e de gerar produtos de interesse do Ministério da Saúde do Brasil.

Os benefícios da cana-de-macaco

Cura a infecção urinária

Mulher no banheiro se contorcendo de dor

(Foto: depositphotos)

A cana-de-macaco é empregada na medicina popular, principalmente na região amazônica, como depurativa e diurética, aliviando infecções urinárias, sendo muito utilizada para tratar o problema e aliviar os desconfortos causados por ele. (1)

Quem toma pouca água, produz menos xixi e isso faz com que bactérias se instalem no sistema urinário e consigam se proliferar. Por ser diurética, a erva estimula a produção de urina, facilitando a excreção dos causadores da infecção.

Elimina cálculo renal

Imagem de rim com pedras

(Foto: depositphotos)

Outro uso bastante difundido dessa erva é na expulsão de pedras nos rins. (2) A propriedade diurética faz com que ela ajude no processo de exclusão do cálculo renal, além de agir como analgésico e abrandar as intensas dores que a eliminação das pedras podem acarretar. (3) Para tanto, o indicado é fazer o chá das folhas da cana-de-macaco.

Combate inflamações

Homem com mãos em cima do órgão masculino

(Foto: depositphotos)

Problemas como a nefrite (inflamação nos rins), cistite (inflamação da bexiga), uretrite (inflamação da uretra) entre outras inflamações, podem ser sanados com o uso regular do extrato da cana-de-macaco. Essa atividade anti-inflamatória encontrada no extrato está relacionada a presença dos glicosídeos flavônicos. (4)

A planta possui constituintes que são potenciais candidatos no desenvolvimento de fórmulas antibacterianas, indicadas especialmente contra processos inflamatórios e infecciosos. (5)

Trata a diabetes

Mulher aferindo a glicose

(Foto: depositphotos)

Essa erva e seus derivados são largamente usados quando se trata da diabetes mellitus. (3) Ela, inclusive, está entre as principais plantas relatadas como hipoglicêmicas utilizadas no tratamento do problema. (2)

Age contra doenças venéreas

Dois preservativos masculinos

(Foto: depositphotos)

Graças a sua ação adstringente, antimicrobiana e antibactericida, o chá da cana-de-macaco apresenta resultados positivos na cura de afecções sifilíticas, leucorreia crônica, gonorreia e blenorragia. (4)

Cana-de-macaco emagrece?

Utilizar a cana-de-macaco pode ajudar no emagrecimento do corpo, pois consegue eliminar toxinas melhorando a atuação do organismo como um todo.

Seu extrato apresenta potencial para auxiliar no tratamento da obesidade, do colesterol elevado e do excesso de gordura no sangue, uma vez que inibe a atividade da enzima lipase pancreática, responsável pela quebra de gorduras para que sejam absorvidas pelo organismo. (6)

Na medicina tradicional brasileira, o chá de cana-de-macaco também é utilizado como depurativo e diurético, ou seja, para purificar o organismo de toxinas e aumentar o volume do fluxo urinário. (5) Isso evita a retenção de líquido, deixando o corpo mais seco.

Como preparar o chá

O consumo da cana-de-macaco para tratar doenças das vias urinárias, inflamações do órgãos do sistema urinário, cálculo renal, corrimento vaginal, diabetes e úlceras deve ser feito em forma de chá.

Ingredientes

  • 10 g das folhas e hastes da cana-de-macaco
  • 500 ml de água.

Modo de preparo

Em uma panela, coloque a erva e a água e deixe ferver por 10 minutos. Após esse tempo, desligue o fogo, abafe e espere a bebida ficar morna.

Quantas vezes tomar

Tome 1 xícara do chá até três vezes por dia, durante uma semana. O chá deverá ser consumido no dia em que for preparado, não ultrapassando 24 horas, pois pode estragar e/ou perder seu efeito.

Outras formas de uso

Como usar a cana de macaco

Sumo das hastes

Triture as hastes da planta fresca num pilão ou máquina de moer. Colha o líquido liberado. Se a planta usada tiver pouco líquido, acrescente pequena quantidade de água, deixe por 1 hora e moa novamente recolhendo o líquido. Assim como o chá, o sumo deve ser consumido em, no máximo, 24 horas.

Essa forma de uso é indicada para tratar doenças venéreas, a exemplo da gonorreia. Para isso, ingira 5 gotas diluídas em 1 colher (de chá) de água, de 2 em 2 horas.

Banho de assento

Prepare o chá e coloque em uma bacia. Quando estiver morno, sente dentro por 15 a 20 minutos. Nesse formato, a cana-de-macaco é eficiente contra irritações vaginais e doenças venéreas.

Cataplasma

Macere as partes da planta até formar uma papa. Coloque sobre um pano limpo, o suficiente para cobrir a área destinada, e deixe agir por até 30 minutos. O uso local é indicado para tratar hérnias, inchaços e contrações e feridas.

Efeitos colaterais

Ramos da cana-de-macaco

Irritações vaginais e doenças venéreas podem ser tratadas com a cana-de-macaco (Foto: depositphotos)

Não foram relatados efeitos colaterais decorrentes do uso nas bibliografias consultadas.

ATENÇÃO! É importante lembrar que todo e qualquer medicamento, seja ele natural ou não, deve ser prescrito e supervisionado por um médico, não devendo o paciente se automedicar, a fim de evitar complicações futuras.

Contraindicações

Mulheres grávidas e durante o período de lactação não devem fazer uso dessa substância e seus derivados sem prescrição e supervisão médica.

Características gerais da planta

A cana-de-macaco é uma espécie herbácea nativa em quase todo Brasil, principalmente na Mata Atlântica e região Amazônica. Ela pode atingir até 2 metros de altura e possui ramos com flores nas pontas em formato de espiga, normalmente nos tons vermelho-amareladas. Seu cultivo acontece o ano todo.

Referências

(1) BITENCOURT, Antônio Paulo Ribeiro; ALMEIDA, Sheylla Susan Moreira da Silva de. Estudo fitoquímico, toxicológico e microbiológico das folhas de Costus spicatus Jacq., Biota Amazônia, 2014. Acesso em: 09 de agosto de 2019.

(2) BARRETO, Thiago de Lavôr Paes. Estudos dos efeitos biológicos do extrato aquoso da costus spicatus, Universidade Fderal de Pernambuco, 2011. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/3669 . Acesso em: 09 de agosto de 2019.

(3) RISCALLI, Natila Fabiula Martins. ANÁLISE MUTAGÊNICA DO EXTRATO DE Costus spicatus. (Jacq.)Sw. (Costaceae), ATRAVÉS DO TESTE DE MICRONÚCLEO EM Allium cepa, FACULDADE DE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE, 2012. Disponível em: http://repositorio.faema.edu.br:8000/bitstream/123456789/279/1/RISCALLI%2C%20N.%20F.%20M.%20-%20AN%C3%81LISE%20MUTAG%C3%8ANICA%20DO%20EXTRATO%20DE%20Costus%20spicatus.%20%28Jacq.%29Sw.%20%28Costaceae%29%2C%20ATRAV%C3%89S%20DO%20TESTE%20DE%20%20%20%20%20%20MICRON%C3%9ACLEO%20EM%20Allium%20cepa.pdf . Acesso em: 09 de agosto de 2019.

(4) PAES, L.S.; MENDONÇA, M. S.; CASAS, L.L. Aspectos Estruturais e Fitoquímicos de partes vegetativas de Costus spicatus (Jacq.) Sw. (Costaceae), Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722013000300011 . Acesso em: 09 de agosto de 2019.

(5) NASCIMENTO, Isabela G.; VIEIRA, Marlene R. S. Manual De Plantas Medicinais, Católica UniSantos. Disponível em: https://www.unisantos.br/wp-content/uploads/2014/02/farmacia-verde-livro.pdf . Acesso em: 09 de agosto de 2019.

(6) PEDROSA, Dionnata Martins. Análise do perfil químico e investigação dos potenciais antioxidante, antibacteriano e citotóxico in vitro de extratos obtidos do caule de Costus spicatus Swartz (Costaceae), Universidade Federal de Juiz de Fora, 2017. Disponível em: http://www.ufjf.br/farmacia/files/2015/04/TCC-Dionnata-Martins-Pedrosa.pdf . Acesso em: 09 de agosto de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

Lívia Mota
Jornalista (DRT-PE: 4909), possui especialização em marketing e acumula experiência de mais de 10 anos no ramo da comunicação. Seu currículo reúne conhecimento nas áreas de produção e monitoramento de conteúdo para web, em comunicação empresarial interna e externa e na prestação de assessoria. Trabalhou no jornalismo impresso e digital com repórter, tendo passado pelas editorias de política, economia, cultura, polícia e cidades. Atualmente é editora da empresa iHaa Network, conglomerado de sites no qual o Remédio Caseiro faz parte.