Bardana: benefícios do chá e usos da raiz da planta

Os problemas de pele, como espinhas, caspa, melanomas e outros, geralmente são causados por fatores internos, mas tratados quase sempre apenas com medicamentos tópicos, ou seja, aplicados sobre a pele.

Contudo, não seria mais eficaz acabar com esses incômodos de dentro para fora?! Hoje você vai se surpreender com o poder dos benefícios do uso da bardana, uma planta que vem sendo usada ao longo dos séculos para tratar não só problemas na pele, mas também diabetes, má-digestão, úlceras e tumores.

Neste artigo, o Remédio Caseiro trouxe estudos científicos recentes e entrevistou especialistas, com o intuito de te deixar super bem informado sobre essa planta!

Principais benefícios do chá de bardana

Arctium lappa, conhecida popularmente como bardana (ou erva-dos-pega-massos, erva-dos-tinhosos), é uma planta medicinal originária da Ásia e aclimatada no Brasil. É utilizada na gastronomia e na medicina popular para tratamento de infecções, inflamações, problemas crônicos de pele, gota, cálculo renal, úlcera gástrica, queimaduras e inúmeras outras enfermidades.

Flor de bardana

A bardana é muito usada para o tratamento de doenças na pele (Foto: depositphotos)

A bardana é poderosa demais! É uma erva rica em:

  • Ferro;
  • Manganês;
  • Magnésio;
  • Zinco;
  • Cálcio;
  • Selênio;
  • Potássio;
  • Fósforo;
  • Proteínas;
  • Fibras;
  • Vitaminas do grupo B e A.

Todos esses compostos fazem a bardana ser utilizada no combate e prevenção de uma gama de doenças, tornando-a uma planta completa.

Favorece saúde da pele

“O extrato da folha é usado para a cicatrização de acnes e feridas. Cada parte da planta é eficaz para objetivos distintos”, aponta Andréa Cláudia Menezes da Paz Barros, pós-graduada em Nutrição Clínica, especialista em Nutrição Oncológica e doutoranda em Terapia Intensiva.

A folha, por exemplo, serve também para diminuição da oleosidade na pele. “Já a raiz, ajuda com na melhora do funcionamento do fígado, pâncreas e mucosa estomacal, curando até úlceras”, completa Andréa.

A raiz de bardana é usada há muito tempo para tratar problemas de pele, como acne e furúnculos, pois atua na melhora da circulação sanguínea e combate os radicais livres. Consequentemente, o sangue circulando de forma adequada, diminui o aparecimento de manchas e eczemas na superfície da pele.

Age contra diabetes, inflamações e melanomas

Em um estudo feito pela doutora especializada em bioquímica, Vera Lúcia de Liz Oliveira Cavalli, através da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e publicado pela Revista Brasileira de Farmacognosia, em 2007, comprovou a eficácia da bardana no combate ao diabetes. (1)

No experimento da doutora Vera foi induzido o diabetes em ratos. E após esse processo, os animais receberam extrato bruto à base de bardana, e tiveram seus níveis glicêmicos drasticamente reduzidos.

Este estudo demonstrou que o extrato bruto de Arctium minus (tipo de bardana), principalmente da raiz, é capaz de diminuir os níveis plasmáticos de glicose, com potência semelhante ao medicamento sintético de referência Glibenclamida.

Já um estudo feito este ano pelo Centro Universitário Barão de Mauá – CBM e pela Universidade de São Paulo – USP (2), investigou os efeitos do extrato hidroalcoólico da bardana no combate a tumores, inflamações e melanomas.

Os especialistas trataram camundongos doentes com bardana e comprovaram a redução do crescimento de tumores e a melhora da sobrevivência desses animais. Esse estudo também apontou que o extrato de bardana regula a migração e ativação de células imunes, agindo como anti-inflamatório em casos agudos e retardando a progressão do melanoma.

Combate câncer, hipertensão e feridas gástricas

Rica também em fitoesteróis, lignanas, ácido fólico, inulina, mucilagens e compostos pécticos, a bardana ajuda o organismo na prevenção e combate a muitas doenças crônicas, não contagiosas.

As lignanas, por exemplo, são um tipo de polifenol encontrado em algumas plantas e é um composto poderoso para a diminuição das altas taxas de estrogênio do organismo; hormônio que, em alguns casos, pode levar ao câncer. Este composto diminui as atividades totais do estrogênio, normalizando os níveis e evitando especificamente o câncer de mama em mulheres.

“As lignanas também têm o poder de cicatrizar feridas gástricas e, além disso, são hipotensivas, ou seja, servem para diminuir a pressão arterial”, indica a especialista Andréa Cláudia Menezes da Paz Barros, especialista em nutrição oncológica e doutoranda em Terapia Intensiva.

Outras atuações

Os benefícios da bardana são cientificamente comprovados. No livro ‘Tratado das plantas medicinais mineiras’, da farmacêutica Telma Sueli Mesquita Grandi, (3) é explicado que os produtos derivados da bardana (óleos, chá, decocto) ajudam a tratar:

A autora do livro também garante que a bardana ajuda com o problema de queda de cabelo e é antídoto contra envenenamento por mercúrio. A planta também tem sido usada como contraveneno em picadas de aranha.

Quais partes usar?

A raiz e as folhas são as partes que podemos usar e que são comprovadamente eficazes através dos séculos. Além disso, as raízes da bardana são comestíveis, podendo ser consumidas cruas ou cozidas.

Não se engane, apesar de não ser muito conhecida em algumas partes do Brasil, a bardana é cultivada em larga escala e é aplicada numa variedade de receitas culinárias no Japão e na China.

As raízes e folhas podem ser consumidas por infuso, decocto, tintura, extrato fluido ou pó.

Algumas pessoas podem ter dificuldades na hora de preparar o chá da bardana, por estarem conhecendo-a agora. Compreensível! Então vamos lá! Siga estas instruções e terá um perfeito chá dessa planta:

Imagem com formas de uso

Chá de raiz de bardana

Para extrair o princípios solúveis da raiz é preciso fervê-la na água. Esse processo de chama decoto.

Ingredientes

  • 1 ou 2 colheres (de sopa) de raízes de bardana
  • 1 xícara de água.

Modo de preparo

Raspe as partes ásperas da raiz com uma faca. Coloque-as numa panela com água e deixe ferver por 5 minutos. Deixe descansar por até 20 minutos e consuma ainda morno. A receita pode ser feita com a raiz fresca ou envelhecida.

Chá das folhas de bardana

No caso das folhas, você não deve fervê-las na água. O processe feito é o de infusão. Ou seja, depois da água fervida é que se coloca a erva.

Ingredientes

  • 4 colheres (de sopa) das folhas de bardana
  • 1 litro de água.

Modo de preparo

Ferva a água. Desligue o fogo e acrescente as folhas.Abafe o recipiente por 15 minutos. Você deve consumir, no máximo, 3 xícaras desses chás por dia. E não tomar por mais de 7 dias consecutivos.

Tintura

Já a tintura (1: 10 em álcool a 45%), que pode ser comprada em lojas especializadas, deve ser tomada de 8 a 12 ml, 3 vezes ao dia.

Contraindicações

Não é recomendado para crianças. E durante a gravidez, devido aos efeitos dos glicosídeos de antraquinonas, pode causar a estimulação uterina. Pessoas que estejam em terapia hiperglicêmica, também devem evitar a bardana. Assim como indivíduos que possuem problemas de pressão baixa. A bardana interage com medicamentos anticoagulantes, o que aumenta o risco de hematomas e hemorragias.

Toxidade e efeitos colaterais

De acordo com o livro “Tratado das plantas medicinais mineiras” (2), houve apenas um relato de intoxicação em humanos. A causa foi uma superdosagem, que acabou ocasionando dilatação da pupila e boca seca. Por isso, deve-se evitar altas doses por períodos prolongados devido ao alto conteúdo de tanino. Ou seja, nada em excesso faz bem!

Atenção à alimentação!

Fiquem atentos à alimentação! “Muitos chás estimulam fases a detoxificação do corpo, que ocorrem no fígado. E isso é maravilhoso! Entretanto, é preciso ter uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, para que o chá realmente possa surtir efeito”, alerta a especialista em nutrição clínica, Gabriela Floro, mestra em nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Não adianta tomar o chá, e continuar exagerando na ingestão de açúcares e gorduras, principalmente frituras, principais causadores de problemas na pele e gástricos”, reforça a especialista.

Receita de refogado japonês com bardana

Kimpira de Bardana da Bela Gil:

Ingredientes

  • 1 raiz de bardana média
  • 1 cenouras
  • 2 colheres (de chá) de óleo de gergelim cru
  • 1 pitada de sal
  • 3 a 4 colheres (de sopa) de saquê ou cachaça
  • 1 colher (de sopa) de shoyu.

Modo de preparo

Lave bem a cenoura e a bardana, sem retirar a casca. Comece cortando as cenouras em tiras muito finas.

  • Em seguida, corte a bardana também e imediatamente mergulhe-a em água fria com limão para evitar a descoloração.
  • Aqueça o óleo em uma panela grande, adicione a bardana e refogue em fogo médio por alguns minutos.
  • Adicione um pouco de água, tampe e cozinhe em fogo médio-baixo por dez minutos, ou até bardana amolecer.
  • Adicione a cenoura e o sal. Refogue por alguns instantes.
  • Cubra e deixe cozinhar.
  • Mexa com frequência para evitar que os vegetais grudem no fundo da panela.
  • Quando o líquido da frigideira é absorvido, adicione o shoyu e a cachaça ou sakê.
  • Mexa bem e sirva ainda quente.
Folhas e raiz da bardana

Tanto as folhas como a raiz da bardana servem par fins medicinais (Foto: depositphotos)

Onde comprar

Em mercadões e lojas de alimentos japoneses. Em lojas de produtos naturais, você também tem a chance de encontrar esta planta em forma de cápsula, tintura, pomada e outros produtos mais modernos. Já quem quer achar a planta fresca e natural, vale tentar a procura pela bardana em feiras livres.

Como plantar

A bardana se adaptou muito bem ao clima das Américas e pode ser plantada por toda a sua extensão. Nesse caso, você deverá conseguir mudas da planta ou sementes. Escolha as raízes de bardana a partir da 10ª semana; plante-as em um local onde tem certeza que não vai precisar removê-la, pois ela não se dá bem com mudanças. Se for usar as raízes da bardana como alimento, utilize-as em um ano, pois as raízes velhas ficam excessivamente fibrosas e inadequadas para a culinária.

Origem e história da bardana

A bardana (Arctium lappa) é uma planta originária do Japão e difundida na América. A fama da bardana vem de muito tempo: os gregos a utilizavam como medicamento, e na Idade Média era incluída em várias formulações destinadas à medicina natural. Algumas referências sugerem que o seu nome científico Arctium lappa deriva do grego “arctos” (urso) e “lambanô” (eu tomo), em alusão ao aspecto peludo que apresenta.

O uso atualmente tem respaldo científico: estudos comprovam as suas propriedades antissépticas. Também foram bem difundidos seus poderes contra picadas de insetos e aranhas por sua propriedade de acalmar a dor (ação anestésica) e evitar a tumefação do local (ação anti-inflamatória).

No Brasil, especialmente no Sudeste e no Sul, devido à influência dos imigrantes japoneses, a bardana é utilizada também na culinária, podendo ser encontrada em algumas feiras livres, embora ainda não tenha sido muito difundida.

*Artigo feito com a colaboração da nutricionista, mestra em nutrição pela UFPE, Gabriela Floro (CRN6 12709) e da especialista em Nutrição Oncológica e doutoranda em Terapia Intensiva, Andréa Cláudia Menezes da Paz Barros (CRN6 – 14241).

Referências

(1) CAVALLI, Vera Lúcia de Liz Oliveira et al. Avaliação in vivo do efeito hipoglicemiante de extratos obtidos da raiz e folha de bardana Arctium minus (Hill.) Bernh. Revista Brasileira de Farmacognosia – Unochapeco, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbfar/v17n1/a14v17n1 . Acesso em: 15 de agosto de 2019.

(2) NASCIMENTO, Bac et al. Arctium lappa Extract Suppresses Inflammation and Inhibits Melanoma Progression, PubliMed, 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/31362372. Acesso em: 15 de agosto de 2019.

(3) GRANDI, Telma Sueli Mesquita. Tratado das plantas medicinais mineiras, nativas e cultivadas, Adaequatio Estúdio, 2004. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/0Bz_AcmCaAL9eTmxjVS1rNllSekE/view?pref=2&pli=1 . Acesso em 15 de agosto de 2019.

(4) ALMEIDA, Heloisa Maria Fernandes de. Uso das plantas medicinais no dia a dia da população assistida pela estratégia saúde da família: uma revisão de literatura, Universidade Federal de Minas Gerais, 2011. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/3344.pdf . Acesso em 15 de agosto de 2019.

(5) BORGES, K. B.; BAUTISTA, B. H.;  GUILERA, S. Diabetes – Utilização de plantas medicinais como forma opcional de tratamento, Revista Eletrônica de Farmácia, 2008. Disponível em: https://revistas.ufg.br/REF/article/view/5149 . Acesso em: 15 de agosto de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

André Filipe
É vencedor do Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo, o mais conceituado em Pernambuco. Já trabalhou como repórter no jornal Folha e editor no jornal Extra de Pernambuco. Hoje escreve para alguns veículos, incluindo o Remédio Caseiro, e é responsável pela comunicação da Escola Pernambucana de Odontologia.