Nunca mais deixe de olhar a tarja dos remédios. Saiba por que

30% das consultas médicas terminam com uma prescrição medicamentosa; uso inadequado pode trazer riscos

Buscar informações sobre o medicamento que está consumindo pode ter lá sua importância. Além de ficar inteirado sobre o tratamento que o médico está recomendando, pode ajudar a saber distinguir os perigos relacionados a ele, caso tomado por engano ou em excesso.

Estima-se que cerca de 30% das consultas médicas terminem com uma prescrição medicamentosa. O inadequado uso de remédios pode trazer grandes riscos para a saúde das pessoas. Por isso, desde a década de 90, está regulamentada a exigência de classificação de medicamentos segundo seu grau de risco, por meio da introdução da tarja na embalagem do produto segundo seu grupo de ação e risco.

Ao saber disso você nunca mais deixará de olhar a tarja nos remédios

Foto: depositphotos

O consumo de medicamentos

Cerca de 15% da população faz uso de algum medicamento, em qualquer dado momento, seja para tratar manifestações agudas ou tratamentos de longo tempo, mesmo para doenças que exijam uso continuado e indefinido.

O consumo de medicamentos tem uma distribuição desigual segundo as faixas etárias. Crianças (até 4 anos) e idosos (acima de 60 anos) compreendem o contingente de maior consumo per capita e estas faixas etárias são as mais vulneráveis aos riscos impostos por medicamentos, mesmo quando tomados de maneira correta e sob orientação profissional.

Distinguindo os medicamentos

Para diferenciar os medicamentos e alertar sobre o uso indiscriminado, foi adotado um sistema de tarjas. O sistema também tem como objetivo restringir a automedicação, prática ainda presente em nossa cultura. “Todo medicamento, mesmo aqueles sem tarja, deve seguir orientação médica”, alerta o médico Pedro Oliveira.

Quando seu médico entregar uma prescrição, busque obter o maior número de informações sobre o modo de usar, as contraindicações e as possíveis interações que possam provocar algum efeito adverso. Isso acaba resguardando o paciente a complicações causadas pelo medicamento.

Não confie na interpretação leiga a partir da leitura da bula porque ela contém terminologia técnica e linguagem especializada ainda que destinada ao público leigo. A orientação farmacêutica é tão importante quanto a prescrição médica. Este profissional pode ainda, por exemplo, se responsabilizar pela intercambialidade – a substituição de um medicamento de marca por seu análogo genérico.

Conhecendo os medicamentos

Prestar atenção a tarja do medicamento, ajuda a saber um pouco mais sobre o produto. Por isso, fique atento!

Tarja vermelha sem retenção da receita

Identifica os medicamentos vendidos mediante a apresentação da receita, que não fica retida na farmácia. Esses medicamentos têm contraindicações e podem provocar efeitos colaterais graves. Na tarja vermelha está impressa a mensagem “venda sob prescrição médica”.

Tarja vermelha com retenção da receita

Identifica os medicamentos que necessitam de retenção da receita, conhecidos como medicamentos psicotrópicos. Por isso, na tarja vermelha está impresso “venda sob prescrição médica – só pode ser vendido com retenção de receita”. Só podem ser vendidos com receituário especial de cor branca.

Tarja preta

Identifica os medicamentos que exercem ação sedativa ou que ativam o sistema nervoso central e que, portanto, também fazem parte dos chamados psicotrópicos. Por isso, a tarja preta vem com a inscrição “venda sob prescrição médica – o abuso deste medicamento pode causar dependência”. Tais medicamentos apenas podem ser vendidos com receituário especial de cor azul.

Tarja amarela

Identifica os medicamentos genéricos e deve conter a inscrição “Medicamento Genérico”, na cor azul.

Não tarjados

Os não tarjados ou Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) apresentam poucos efeitos colaterais ou contraindicações, desde que usados corretamente e sem abusos, por isso podem ser dispensados sem a prescrição médica. Os MIPs são utilizados para o tratamento de sintomas ou males menores (resfriados, azia, má digestão, dor de dente, entre outros).

Sobre o autor

Formado em Jornalismo pela UniFavip | Wyden. Já trabalhou como repórter e editor de conteúdo em um site de notícias de Caruaru e em três revistas da região. No Jornal Extra de Pernambuco e Vanguarda de Caruaru exerceu a função de repórter nas editorias de Economia, Cidades, Cultura, Regional e Política. Hoje é assessor de imprensa do Shopping Difusora de Caruaru-PE, Seja Digital (entidade responsável pelo desligamento do sinal analógico no Brasil), editor da revista Total (com circulação em Pernambuco) e redator web do Remédio Caseiro.