Visão noturna é prejudicada pelo excesso de álcool, aponta estudo

A ingestão de álcool afeta a visão noturna, pois favorece a formação de “círculos luminosos” e perturbações visuais


Os danos que o álcool podem trazer na vida de quem mistura a bebida com direção podem ser fatais. O que poucos sabem é que muitos acidentes acontecem, não apenas pelo fato do motorista perder a razão devido a bebida, mas também porque muitas vezes eles sequer enxergavam direito.

Dados do Ministério da Saúde revelam que uma em cada quatro pessoas costuma dirigir depois de beber. O álcool, além de agir sobre o sistema nervoso central, podendo causar dependência e mudança de comportamento, também é responsável por danificar a visão.

Um estudo feito pela Universidade de Granada, na Espanha, mostrou que a ingestão de álcool afeta diretamente a visão noturna, ela favorece a formação de “círculos luminosos” e outras perturbações visuais.

Visão noturna é prejudicada pelo excesso de álcool, aponta estudo

Foto: depositphotos


Os pesquisadores chegaram à conclusão de que o álcool modifica o filme lacrimal que reveste a superfície dos olhos, podendo danificar a qualidade óptica da imagem que percebemos.

O etanol das bebidas alcoólicas atinge a camada mais externa do filme lacrimal. Quando isso ocorre, a imagem formada na retina é distorcida comprometendo atividades noturnas, principalmente o ato de dirigir, e podendo causar acidentes.

Doenças oculares

Além do consumo do álcool, outras doenças oculares podem gerar acidentes. “No Brasil, os acidentes são uma das principais causas de morte. Portanto, estar em dia com a saúde ocular costuma evitar boa parte dos acidentes. Até 40 anos, o motorista deve passar por um exame completo de visão de três em três anos. Entre 40 e 65 anos, esse espaço deve ser reduzido para dois anos. Já depois dos 65 anos, os exames devem ser anuais. Caso o paciente tenha alguma doença ocular, esse intervalo pode ser até menor. Infelizmente, há muitos jovens com alto grau de miopia dirigindo sem óculos ou lentes corretivas – o que representa um risco enorme no trânsito”, diz o oftalmologista, Renato Neves.

Neves alerta para o fato de que várias doenças oculares são silenciosas. Quanto mais cedo forem diagnosticadas, maiores são as chances de o tratamento ser bem-sucedido.  “Pessoas que sofrem de degeneração macular (perda gradual da visão central), diabetes ou têm alguma cicatriz no fundo de olho, também podem ter um campo visual limitado e visão dupla, devendo ser avaliadas e orientadas por um especialista. Correm o risco de provocar acidentes, ferindo a si próprias e aos demais motoristas e pedestres”, relata.


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