Trombose: risco aumenta com uso de anticoncepcionais

Estudo britânico apontou aumento no risco de trombose nas novas combinações químicas dos anticoncepcionais


Trombose Venosa Profunda (TVP) é quando há o surgimento de um coágulo de sangue nas veias, mais conhecido como “trombo”, e ele causa uma inflamação nas paredes dos vasos.

Nas mulheres este problema surge com mais frequência devido ao uso inapropriado de anticoncepcionais, tendo em vista que estes medicamentos alteram a circulação sanguínea e por isso aumentam o risco de formar coágulos nas veias profundas. A maior preocupação, entretanto, é quando o trombo se desprende e é levado para o pulmão, passando a ser chamado de Embolia Pulmonar (EP), condição fatal na maioria dos casos.

Levando em consideração este problema na saúde feminina, pesquisadores desenvolveram uma pesquisa para avaliar o risco de trombose utilizando os novos tipos de anticoncepcionais.

Trombose: risco aumenta com uso de anticoncepcionais

Foto: depositphotos

“A agência americana que regula as drogas, o FDA, já discutiu os efeitos adversos das novas pílulas anticoncepcionais e incluiu um aumento de risco nas suas bulas. A incidência de 12,5 casos a cada 100 mil mulheres que utilizavam hormônios anticoncepcionais passou para 30,8 casos após a introdução das pílulas mais modernas”, alerta a cirurgiã vascular e angiologista Dra. Aline Lamaita.

Como as novas drogas afetam?

O aumento no risco de trombose decorre das novas combinações químicas dos anticoncepcionais. De acordo com um estudo elaborado por britânicos e publicado pela revista especializada The BMJ Today, o risco de trombose é quase quadruplicado em mulheres que fazem uso de contraceptivos orais combinados, que contêm drospirenona, desogestrel, gestodeno e ciproterona.


“O risco é quase duplicado em relação às mulheres que tomam contraceptivos orais de estrogênio mais antigos, que contêm levonorgestrel, noretisterona ou norgestimata”, conta Lamaita.

E continua, “geralmente esses métodos vão ter um risco maior em relação aos anticoncepcionais mais antigos (à base de levonorgestrel), mas mais baixo em relação aos anticoncepcionais modernos (anticoncepcionais combinados de microdosagem)”.

Fatores de risco

Contudo, não são apenas os anticoncepcionais que podem influenciar no desenvolvimento de trombose, mas também outros fatores que podem contribuir no aumento da incidência desta doença, são eles:

  • Idade acima de 35 anos;
  • Excesso de peso ou obesidade;
  • Varizes nas pernas;
  • Tabagismo;
  • Câncer ou o uso de medicamentos quimioterápicos;
  • Imobilismo;
  • Trombofilias (causa hereditária);
  • Traumas;
  • Doenças crônicas (como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar crônica).

O que pode ser feito para evitar a trombose?

Diante destas informações, a paciente pode sentir-se encorajada a evitar os anticoncepcionais, decisão que é totalmente contraindicada pela médica. Incidência geral de trombose venosa em pacientes em uso de anticoncepcional é baixa.

Seu benefício supera os riscos quando bem indicado”, explica a médica. “Consulte sempre seu médico de confiança e discuta o seu anticoncepcional. Toda medicação está sujeita a complicações e a decisão se o risco/benefício dessa droga vale a pena é feito entre você e o seu médico”, finaliza.


Reportar erro